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Palavras com sonoridades de malabares inflamados, juntas como numa costura como um tapete persa, não perfeito, mas com falhas tão belas quanto todo o resto. Um mágico tapete voador de palavras escritas por verdadeiros artesãos desta era, costureiros de idéias, escritores autônomos e anônimos pervertendo idéias com palavras e palavras com idéias. Não há uma regra, só vontades.
Um desses tecelões venho, por ventura de minhas vontades a ser, e decerto você também ou o é ou pode – e possivelmente quer – sê-lo. Um autor sem nome nem rosto, um poeta do terror, um ensaísta do Pãnico/revelação.
Muitos são os que entendem o que digo, pessoas que desde crianças tem uma chama natural ao homem. Mas a maioria se perde por ser reprimida pela Sociedades e pela Moral, um pecado à arte.
Decido pela tristeza de ver tantos dos meus morrerem dentro de suas mentes, crio e declaro ao mundo esta, a zona Anônima temporária. Um local onde quaisquer textos enviados ao e-mail serão postados, tendo ou não a ver com os assuntos tratados a cima.
Um local fértil, adubado pelos cadáveres da Moral, da Ética, do Platonismo dualista. Um ponto antes vazio agora ocupado por mentes. Não se enganem que quero a destruição de egos com isso, o anonimato é simplesmente para impossibilitar que peguem os praticantes do terrorismo poético por causa de seus “poemas” ou arte-sabotagens.
Se juntem, uni-vos , usem esse local para práticas libertárias mesmo que ilegais, para encontrar pessoas dispostas a raptar uma garota para levá-la ao cinema ou a um jovem para levá-lo para tomar sorvetes. Planejem pichar Augusto dos Anjos nas paredes das prefeituras, façam a história e mudem o mundo.
Sois livres e sois sóis, senhores de si mesmos, e agora têm aonde se comunicar sem medos ou retaliações. Declaro a morte do autor e o célebre nascimento deste “consciente coletivo”. Liberdade total e sem pudores. sejamos crianças selvagens de novo.
Arte como crime e crime como arte
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“Everyone carries a piece of the puzzle. Nobody comes into your life by mere coincidence. Trust your instincts. Do the unexpected. Find THE OTHERS”
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“Welcome to the most ancient conspiracy on the planet. We’ve gone for so long now that we don’t remember what we were doing, but we don’t want to stop because we have nothing better to do.” - Fire Elemental
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6.12.08
Zona Anônima Temporária
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24.7.07
Da Polêmica Anarquista
por Reverendo Fernando Ganso
Gostaria de comentar brevemente o artigo do Murray Bookchyn "Uma crítica ao anarquismo como caos" onde faz severas críticas a Hakim Bey e ao anarquismo ontológico. Ora, Booktchyn em um delírio positivista parece não ser capaz de enxergar um palmo além do seu nariz, será que o anarquismo estará condenado a não aceitar a diferença? É certo que grande parte do anarquismo do século XIX e XX foram contra a désmesure e o descomedimento, foram contra qualquer apelo "individualista", e conseqüentemente singular, considerado logo como pequeno burguês. Assim tambem o foram as varias correntes marxistas e socialistas em geral. Coloquemos a questão: Qual é a autonomia que o anarquismo busca? É a auto(nomia) apenas social?
Muitos autores talvez gozem ao falar em ordem, Razão, organização, para mim, sinceramente, isto é um olhar de pirata. O tapa-olho as vezes atrapalha, e então ficamos presos a nosso tipo psicológico particular e o generalizamos como se o mundo devesse ser nossa imagem e semelhança. Quem é o pequeno burguês e o Einzige é difícil dizer. Não vou acusar mais o Bookchyn de caracinza, porque ele, embora caracinza, ainda é um cara legal, mas o anarquismo não pode ficar preso nessa austeridade apolinea, isso é burrice, é mesmo falta de compreensão de nosso Zeitgeist (espírito da época). Com certeza para nosso amigo os surrealistas deviam ser outros desses pequenos burgueses; esta é a mente de quem não consegue imaginar, é uma mente tipicamente da direita, masculina (seja o masculino do homem ou da mulher) é a mente do duro "Ateismo muscular", algo bem fálico. É um pensamento típico de alguem que acha que se mudando os meios materiais de uma sociedade, se dominarmos os meios de produção, se tivermos um pensamento voltado ao social os problemas estarão resolvidos.
Esquecemos que foi a direita, a atividade masculina, já que a força está normalmente na mão direita, que oprimiu através da força a mulher. O próprio tabu dos canhotos é fato consumado, um dos epitetos do diabo é canhoto. Já a superioridade da esquerda normalmente esteve ligada a matrilinhagem, a lua, a noite e ao feminino, lembremos ainda que o feminino sempre esteve ligado ao obscuro, desconhecido, ao gato e especialmente a imaginação e a magia (a exemplo lembremos os xamãs que se vestiam de mulher para entrar em contato com os espíritos). Retomemos, em prol do exemplo, a diferença de tratamento na linguagem entre a esquerda e a direita. Em latim, direita é dextra que se aproxima de decet "o que é conveniente" já a esquerda é sinistra, de mau pressagio, funesto, sinistro e em grego direita é deksiá e significa "de bom augúrio, favorável" e esquerda é aristerá, quer dizer, excelente, ótima.
Essa questão é também a disputa entre o apolineo e o dionisíaco, Apolo e Dioniso aparecem no campo de batalha. Lembremos primeiramente que Apolo foi na mitologia grega o deus principal da manutenção da ordem e dos antigos costumes, seus principais ditados eram o medèn ágan (μεδεν αγαν) nada em demasia, o sophro-sýne, a moderação e o gnôthi s´auton (γνοθι σ´αυτον) conhece-ti a ti mesmo, dessa forma Apolo evitava os excessos que ameaçassem a ordem social. A Razão ao ser desenvolvida foi o baluarte do iluminismo e da revolução industrial, a construção de uma sociedade pragmática, trabalhadora que estivesse compromissada com a funcionalidade capitalista.
Ora, Booktchyn fala ironicamente que adoraria ver Bey e seus discípulos nos "piqueniques" da Libertarian League, mas minha Nossa Senhora! Quem não tem prazer e não faz piquiniques numa revolução é que constrói sua própria derrota! Que a sociedade vindoura possa saborear um bom vinho e mesmo produzir orgias, que a sociedade vindoura saiba saborear, como Orfeu, a musica e a poesia. Lembremos quem eram os inimigos de Dioniso na sociedade grega: os Eupátridas, isto é, os aristrocratas. Bey trouxe de volta o êxtase (ekstasis) e o entusiasmo (enthusiasmus) que foram as principais formas nos rituais dionisíacos de ultrapassar o métron (a medida) e tornar-se um deus; segundo Brandão "O ékstatis, todavia, era apenas a primeira parte da grande integração com o deus: o sair de si implicava num mergulho no Dioniso e deste no seu adorador pelo processo de ενθουσιασμοs (enthusiasmós), de ενθεοs (éntheos), isto é, 'animado de um transporte divino', de εν (én), 'dentro, no âmago' e θεοs (theós), 'deus', quer dizer, o entusiasmo é ter um deus dentro de si, identificar-se com ele, co-participando da divindade". E ainda era com as Bacantes que os adoradores de Dioniso através da mania (loucura sagrada) e das orgias que se concretizava a comunhão com o deus. Nenhum outro deus ligava-se ao homem de tal forma.
Esse dionisíaco é sempre uma metamorfose (a isso re-lembremos as festas da antestérias), talvez por isso este lado assuste ao anarquismo que muitas vezes se deseja um sistema ideal, o Éden na terra, que aliás, é um dos grandes mitos do anarquismo, exatamente por isso teme o pecado da mudança (comer a maça), de se abrir portas proibidas (a caixa de pandora). Devemos deixar de ser tão moralistas e aceitar mais as diferenças, essas são as flechas que eu gostaria de lançar, com minha máscara do feminino Eros. Abrir um vaso de aceitação e acolhimento, mesmo que, muitas vezes, um vaso com pontas.
Que o anarquismo ontológico possa nos prover como meio de encontrar nossa singularidade, nossos momentos limites alterando-nos nas profundezas e não só na superfície e então, em devir, tornamo-nos juntamente com o mundo, um outro lugar. É preciso ser um suicida, como Nietzsche, amo aqueles que vivem como se extinguindo. O anarquismo não é um ponto final, mas uma abertura de caminhos, se não o é, que construamos este anarquismo ramificado de encruzilhadas e bifurcações. Como Janus Bifronte sigo com a Razão e a Imaginação, uma na frente e outra nas costas e de meu coração sai a voz que grita desesperadamente pela Aurora, por um novo dia.
Ainda há vida por entre Bey e Bookchyn, no meio, intermezzo. Fnord.
por Reverendo Fernando Ganso
Gostaria de comentar brevemente o artigo do Murray Bookchyn "Uma crítica ao anarquismo como caos" onde faz severas críticas a Hakim Bey e ao anarquismo ontológico. Ora, Booktchyn em um delírio positivista parece não ser capaz de enxergar um palmo além do seu nariz, será que o anarquismo estará condenado a não aceitar a diferença? É certo que grande parte do anarquismo do século XIX e XX foram contra a désmesure e o descomedimento, foram contra qualquer apelo "individualista", e conseqüentemente singular, considerado logo como pequeno burguês. Assim tambem o foram as varias correntes marxistas e socialistas em geral. Coloquemos a questão: Qual é a autonomia que o anarquismo busca? É a auto(nomia) apenas social?
Muitos autores talvez gozem ao falar em ordem, Razão, organização, para mim, sinceramente, isto é um olhar de pirata. O tapa-olho as vezes atrapalha, e então ficamos presos a nosso tipo psicológico particular e o generalizamos como se o mundo devesse ser nossa imagem e semelhança. Quem é o pequeno burguês e o Einzige é difícil dizer. Não vou acusar mais o Bookchyn de caracinza, porque ele, embora caracinza, ainda é um cara legal, mas o anarquismo não pode ficar preso nessa austeridade apolinea, isso é burrice, é mesmo falta de compreensão de nosso Zeitgeist (espírito da época). Com certeza para nosso amigo os surrealistas deviam ser outros desses pequenos burgueses; esta é a mente de quem não consegue imaginar, é uma mente tipicamente da direita, masculina (seja o masculino do homem ou da mulher) é a mente do duro "Ateismo muscular", algo bem fálico. É um pensamento típico de alguem que acha que se mudando os meios materiais de uma sociedade, se dominarmos os meios de produção, se tivermos um pensamento voltado ao social os problemas estarão resolvidos.
Esquecemos que foi a direita, a atividade masculina, já que a força está normalmente na mão direita, que oprimiu através da força a mulher. O próprio tabu dos canhotos é fato consumado, um dos epitetos do diabo é canhoto. Já a superioridade da esquerda normalmente esteve ligada a matrilinhagem, a lua, a noite e ao feminino, lembremos ainda que o feminino sempre esteve ligado ao obscuro, desconhecido, ao gato e especialmente a imaginação e a magia (a exemplo lembremos os xamãs que se vestiam de mulher para entrar em contato com os espíritos). Retomemos, em prol do exemplo, a diferença de tratamento na linguagem entre a esquerda e a direita. Em latim, direita é dextra que se aproxima de decet "o que é conveniente" já a esquerda é sinistra, de mau pressagio, funesto, sinistro e em grego direita é deksiá e significa "de bom augúrio, favorável" e esquerda é aristerá, quer dizer, excelente, ótima.
Essa questão é também a disputa entre o apolineo e o dionisíaco, Apolo e Dioniso aparecem no campo de batalha. Lembremos primeiramente que Apolo foi na mitologia grega o deus principal da manutenção da ordem e dos antigos costumes, seus principais ditados eram o medèn ágan (μεδεν αγαν) nada em demasia, o sophro-sýne, a moderação e o gnôthi s´auton (γνοθι σ´αυτον) conhece-ti a ti mesmo, dessa forma Apolo evitava os excessos que ameaçassem a ordem social. A Razão ao ser desenvolvida foi o baluarte do iluminismo e da revolução industrial, a construção de uma sociedade pragmática, trabalhadora que estivesse compromissada com a funcionalidade capitalista.
Ora, Booktchyn fala ironicamente que adoraria ver Bey e seus discípulos nos "piqueniques" da Libertarian League, mas minha Nossa Senhora! Quem não tem prazer e não faz piquiniques numa revolução é que constrói sua própria derrota! Que a sociedade vindoura possa saborear um bom vinho e mesmo produzir orgias, que a sociedade vindoura saiba saborear, como Orfeu, a musica e a poesia. Lembremos quem eram os inimigos de Dioniso na sociedade grega: os Eupátridas, isto é, os aristrocratas. Bey trouxe de volta o êxtase (ekstasis) e o entusiasmo (enthusiasmus) que foram as principais formas nos rituais dionisíacos de ultrapassar o métron (a medida) e tornar-se um deus; segundo Brandão "O ékstatis, todavia, era apenas a primeira parte da grande integração com o deus: o sair de si implicava num mergulho no Dioniso e deste no seu adorador pelo processo de ενθουσιασμοs (enthusiasmós), de ενθεοs (éntheos), isto é, 'animado de um transporte divino', de εν (én), 'dentro, no âmago' e θεοs (theós), 'deus', quer dizer, o entusiasmo é ter um deus dentro de si, identificar-se com ele, co-participando da divindade". E ainda era com as Bacantes que os adoradores de Dioniso através da mania (loucura sagrada) e das orgias que se concretizava a comunhão com o deus. Nenhum outro deus ligava-se ao homem de tal forma.
Esse dionisíaco é sempre uma metamorfose (a isso re-lembremos as festas da antestérias), talvez por isso este lado assuste ao anarquismo que muitas vezes se deseja um sistema ideal, o Éden na terra, que aliás, é um dos grandes mitos do anarquismo, exatamente por isso teme o pecado da mudança (comer a maça), de se abrir portas proibidas (a caixa de pandora). Devemos deixar de ser tão moralistas e aceitar mais as diferenças, essas são as flechas que eu gostaria de lançar, com minha máscara do feminino Eros. Abrir um vaso de aceitação e acolhimento, mesmo que, muitas vezes, um vaso com pontas.
Que o anarquismo ontológico possa nos prover como meio de encontrar nossa singularidade, nossos momentos limites alterando-nos nas profundezas e não só na superfície e então, em devir, tornamo-nos juntamente com o mundo, um outro lugar. É preciso ser um suicida, como Nietzsche, amo aqueles que vivem como se extinguindo. O anarquismo não é um ponto final, mas uma abertura de caminhos, se não o é, que construamos este anarquismo ramificado de encruzilhadas e bifurcações. Como Janus Bifronte sigo com a Razão e a Imaginação, uma na frente e outra nas costas e de meu coração sai a voz que grita desesperadamente pela Aurora, por um novo dia.
Ainda há vida por entre Bey e Bookchyn, no meio, intermezzo. Fnord.
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16.7.04
POR UM CONGRESSO DE RELIGIÕES ESQUISITAS
texto de Hakim Bey
Nós aprendemos a desconfiar do verbo ser, da palavra é -- digamos assim: notem a impressionante semelhança entre o conceito de SATORI e o conceito de REVOLUÇÃO DA VIDA COTIDIANA -- em ambos os casos: a percepção do "ordinário" com conseqüências extraordinárias para consciência e ação. Não podemos usar a frase "é como" porque ambos os conceitos (como todos os conceitos, todas as palavras para esta matéria) vêm encrustadas de acréscimos -- cada um sobrecarregado com toda sua bagagem psico-cultural, como convidados que chegam suspeitamente bem supridos demais para o fim de semana.
Então, permitam-me o velho uso Beat-Zen do satori, enquanto simultaneamente enfatizando -- no caso do slogan Situacionista -- que uma das raízes de sua dialética pode ser traçada até a noção dadaísta e surrealista do "maravilhoso" irrompendo de (ou dentro de ) uma vida que apenas parece sufocada pelo banal, pelas misérias da abstração e alienação. Eu defino meus termos fazendo-os mais vagos, precisamente a fim de evitar as ortodoxias do Budismo e do Situacionismo, para evitar suas armadilhas ideológico-semânticas -- aquelas máquinas quebradas de linguagem! Ao invés disso, proponho que os devastemos por partes, um ato de bricolage cultural. "Revolução" significa apenas outra volta da manivela -- enquanto a ortodoxia religiosa de qualquer tipo leva logicamente a um autêntico governo de manivelas. Não vamos idolatrar o satori imaginando que seja monopólio de monges místicos, ou como contingente a qualquer código moral; e melhor que fetichizar o Esquerdismo de 68, nós preferimos o termo de Stirner "insurreição" ou "levante", o qual escapa das implicações embutidas de uma reles mudança de autoridade.
Esta constelação de conceitos envolve "quebrar regras" de percepção ordenada para chegar à experiência direta, de alguma forma análoga ao processo pelo qual o caos espontaneamente resolve-se em ordens fractais não-lineares, ou a forma em que energia criativa "selvagem" resolve-se como brincadeira e poesia. "Ordem espontânea" saída do "caos", por sua vez, evoca o Taoísmo anarquista de Chuang Tzu. O zen pode ser acusado de falta de consciência das implicações "revolucionárias" do satori, enquanto que os Situacionistas podem ser criticados por ignorar uma certa "espiritualidade" inerente à auto-realização e sociabilidade que suas causas exigem. Idenficando o satori com a revolução da vida cotidiana, estamos desempenhando um pouco de casamento de espingarda tão memorável quanto o famoso encontro surrealista entre um guarda-chuva e uma máquina de costura, ou o que quer que fosse. Miscigenação. A mistura de raças defendida por Nietzsche, que era atraído, sem dúvida, pelo erotismo mestiço.
Estou tentado a descrever a forma pela qual o satori "é" como a revolução da vida cotidiana -- mas não posso. Ou, para colocar de outra forma: quase tudo que escrevo gira em torno deste tema; eu teria de repetir quase tudo a fim de elucidar este único ponto. Ao invés disso, como um apêndice, ofereço mais uma curiosa coincidência ou interpenetração de 2 termos, um do Situacionismo, de novo, e outro, desta vez, do sufismo. A dérive ou "vagar" foi concebida como um exercício para deliberadamente revolucionar a vida cotidiana -- um tipo de perambulação a esmo pelas ruas da cidade, um nomadismo urbano visionário envolvendo uma franqueza quanto à "cultura como natureza" (se eu compreendi corretamente a idéia) -- pelo qual sua absoluta duração inculca nos perambuladores uma propensão para experimentar o maravilhoso; nem sempre em sua forma benéfica, talvez, mas confiantemente sempre produtiva de compreensão -- seja através da arquitetura, do erótico, da aventura, das bebidas e drogas, do perigo, da inspiração, o que for -- em direção à intensidade da percepção e experiência não mediadas.
O termo correspondente no sufismo seria "viajar aos distantes horizontes" ou simplesmente "viajar", um exercício espiritual que combina as energias urbanas e nômades do Islã numa única trajetória, às vezes chamada "a Caravana do Verão". O dervixe promete viajar a uma certa velocidade, não passando mais do que 7 noites ou 40 noites em uma cidade, aceitando o que vier, movendo-se para onde quer que sinais e coincidências ou simplesmente caprichos possam guiá-lo, rumando de lugar de poder a lugar de poder, consciente da "geografia sagrada", do itinerário como significado, da topologia como simbologia. Aqui está outra constelação: Ibn Khaldun; On the Road ["Pé na Estrada"] (tanto o de Jack Kerouac quanto o de Jack London); a forma da novela picaresca em geral; Barão de Munchausen; wanderjahr; Marco Polo; garotos numa floresta suburbana no verão; cavaleiros arturianos buscando encrenca; viados caçando rapazes; de bar em bar com Melville, Poe, Baudelaire -- ou canoagem com Thoreau no Maine... viagem como a antítese do turismo, espaço ao invés de tempo. Projeto de arte: a construção de um "mapa" apresentando uma razão de 1:1 em relação ao "território" explorado. Projeto político: a construção de "zonas autônomas" móveis dentro de uma rede nômade invisível (igual aos Encontros do Arco-íris). Projeto espiritual: a criação ou descoberta de peregrinações nas quais o conceito de "santuário" tenha sido substituído (ou esoterizado) pelo conceito de "experiência de pico".
O que estou tentando fazer aqui (como de costume) é fornecer uma base sonora irracional, uma estranha filosofia, se você preferir, para o que eu chamo de Religiões Livres, incluindo as correntes Psicodélica e Discordista, neo-paganismo não-hierárquico, heresias antinomianas, caos e Magia do Kaos, Vodu revolucionário, cristãos anarquistas e "sem igreja", Judaísmo Mágico, a Igreja Ortodoxa Moura, a Igreja do SubGênio, as Fadas, Taoístas radicais, místicos da cerveja, povo da Erva, etc, etc.
Ao contrário das expectativas dos radicais do século XIX, a religião não desapareceu -- talvez estivéssemos melhor se tivesse desaparecido -- mas ao invés disso aumentou seu poder, semelhante em proporção ao crescimento global no reino da tecnolgia e do controle racional. Tanto o fundamentalismo quanto a Nova Era obtêm alguma força da profunda e disseminada insatisfação com o Sistema que trabalha contra toda percepção da maravilha da vida cotidiana -- pode chamar de Babilônia ou o Espetáculo, Capital ou Império, Sociedade da Simulação ou do mecanismo desalmado -- como quiser. Mas essas duas forças religiosas desviam o próprio desejo pelo autêntico em direção a novas abstrações esmagadoras e opressivas (moralidade no caso do fundamentalismo, mercantilização no caso da Nova Era) e por esta razão podem ser muito apropriadamente chamadas de "reacionárias".
Assim como radicais culturais procurarão se infiltrar e subverter a mídia popular e assim como radicais políticos desempenharão funções similares nas esferas do Trabalho, Família e outras organizações sociais, também existe uma necessidade de que radicais penetrem a própria instituição da religião, ao invés de meramente continuar a proferir chavões do século XIX sobre materialismo ateu. Vai acontecer de qualquer forma -- melhor chegarmos a isto com consciência, com encanto e estilo.
Tendo certa vez vivido perto do Quartel-general do Conselho Mundial de Igrejas, eu gosto da possibilidade de uma versão paródica das Igrejas Livres -- a paródia sendo uma das nossas principais estratégias (ou chame de detournement ou desconstrução ou destruição criativa) -- uma espécie de rede frouxa (não gosto desta palavra; vamos chamar de "teia de aranha") de cultos esquisitos e indivíduos fornecendo palestras e serviços uns aos outros, de onde pode começar a emergir uma direção ou tendência ou "corrente" (em termos mágicos) forte o suficiente para descarregar uma devastação psíquica nos Fundamentalistas e nos adeptos da Nova Era, mesmo nos aiatolás e no Papado, jovial o bastante para discordarmos uns dos outros e ainda assim darmos grandes festas -- ou conclaves, ou conselhos ecumênicos, ou Congressos Mundiais -- os quais antecipamos com alegria.
As Religiões Livres podem oferecer algumas das únicas alternativas espirituais possíveis em relação às tropas de assalto dos televangelistas e palermas manipuladores de cristais (sem falar das religiões estabelecidas), e desta maneira se tornarão mais e mais importantes, mais e mais vitais em um futuro onde a demanda pela erupção do maravilhoso dentro do comum se tornará a mais retumbante, pungente e tumultuosa de todas as demandas políticas -- um futuro que começará (espere, deixe eu ver meu relógio)... 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1... AGORA.
Nós aprendemos a desconfiar do verbo ser, da palavra é -- digamos assim: notem a impressionante semelhança entre o conceito de SATORI e o conceito de REVOLUÇÃO DA VIDA COTIDIANA -- em ambos os casos: a percepção do "ordinário" com conseqüências extraordinárias para consciência e ação. Não podemos usar a frase "é como" porque ambos os conceitos (como todos os conceitos, todas as palavras para esta matéria) vêm encrustadas de acréscimos -- cada um sobrecarregado com toda sua bagagem psico-cultural, como convidados que chegam suspeitamente bem supridos demais para o fim de semana.
Então, permitam-me o velho uso Beat-Zen do satori, enquanto simultaneamente enfatizando -- no caso do slogan Situacionista -- que uma das raízes de sua dialética pode ser traçada até a noção dadaísta e surrealista do "maravilhoso" irrompendo de (ou dentro de ) uma vida que apenas parece sufocada pelo banal, pelas misérias da abstração e alienação. Eu defino meus termos fazendo-os mais vagos, precisamente a fim de evitar as ortodoxias do Budismo e do Situacionismo, para evitar suas armadilhas ideológico-semânticas -- aquelas máquinas quebradas de linguagem! Ao invés disso, proponho que os devastemos por partes, um ato de bricolage cultural. "Revolução" significa apenas outra volta da manivela -- enquanto a ortodoxia religiosa de qualquer tipo leva logicamente a um autêntico governo de manivelas. Não vamos idolatrar o satori imaginando que seja monopólio de monges místicos, ou como contingente a qualquer código moral; e melhor que fetichizar o Esquerdismo de 68, nós preferimos o termo de Stirner "insurreição" ou "levante", o qual escapa das implicações embutidas de uma reles mudança de autoridade.
Esta constelação de conceitos envolve "quebrar regras" de percepção ordenada para chegar à experiência direta, de alguma forma análoga ao processo pelo qual o caos espontaneamente resolve-se em ordens fractais não-lineares, ou a forma em que energia criativa "selvagem" resolve-se como brincadeira e poesia. "Ordem espontânea" saída do "caos", por sua vez, evoca o Taoísmo anarquista de Chuang Tzu. O zen pode ser acusado de falta de consciência das implicações "revolucionárias" do satori, enquanto que os Situacionistas podem ser criticados por ignorar uma certa "espiritualidade" inerente à auto-realização e sociabilidade que suas causas exigem. Idenficando o satori com a revolução da vida cotidiana, estamos desempenhando um pouco de casamento de espingarda tão memorável quanto o famoso encontro surrealista entre um guarda-chuva e uma máquina de costura, ou o que quer que fosse. Miscigenação. A mistura de raças defendida por Nietzsche, que era atraído, sem dúvida, pelo erotismo mestiço.
Estou tentado a descrever a forma pela qual o satori "é" como a revolução da vida cotidiana -- mas não posso. Ou, para colocar de outra forma: quase tudo que escrevo gira em torno deste tema; eu teria de repetir quase tudo a fim de elucidar este único ponto. Ao invés disso, como um apêndice, ofereço mais uma curiosa coincidência ou interpenetração de 2 termos, um do Situacionismo, de novo, e outro, desta vez, do sufismo. A dérive ou "vagar" foi concebida como um exercício para deliberadamente revolucionar a vida cotidiana -- um tipo de perambulação a esmo pelas ruas da cidade, um nomadismo urbano visionário envolvendo uma franqueza quanto à "cultura como natureza" (se eu compreendi corretamente a idéia) -- pelo qual sua absoluta duração inculca nos perambuladores uma propensão para experimentar o maravilhoso; nem sempre em sua forma benéfica, talvez, mas confiantemente sempre produtiva de compreensão -- seja através da arquitetura, do erótico, da aventura, das bebidas e drogas, do perigo, da inspiração, o que for -- em direção à intensidade da percepção e experiência não mediadas.
O termo correspondente no sufismo seria "viajar aos distantes horizontes" ou simplesmente "viajar", um exercício espiritual que combina as energias urbanas e nômades do Islã numa única trajetória, às vezes chamada "a Caravana do Verão". O dervixe promete viajar a uma certa velocidade, não passando mais do que 7 noites ou 40 noites em uma cidade, aceitando o que vier, movendo-se para onde quer que sinais e coincidências ou simplesmente caprichos possam guiá-lo, rumando de lugar de poder a lugar de poder, consciente da "geografia sagrada", do itinerário como significado, da topologia como simbologia. Aqui está outra constelação: Ibn Khaldun; On the Road ["Pé na Estrada"] (tanto o de Jack Kerouac quanto o de Jack London); a forma da novela picaresca em geral; Barão de Munchausen; wanderjahr; Marco Polo; garotos numa floresta suburbana no verão; cavaleiros arturianos buscando encrenca; viados caçando rapazes; de bar em bar com Melville, Poe, Baudelaire -- ou canoagem com Thoreau no Maine... viagem como a antítese do turismo, espaço ao invés de tempo. Projeto de arte: a construção de um "mapa" apresentando uma razão de 1:1 em relação ao "território" explorado. Projeto político: a construção de "zonas autônomas" móveis dentro de uma rede nômade invisível (igual aos Encontros do Arco-íris). Projeto espiritual: a criação ou descoberta de peregrinações nas quais o conceito de "santuário" tenha sido substituído (ou esoterizado) pelo conceito de "experiência de pico".
O que estou tentando fazer aqui (como de costume) é fornecer uma base sonora irracional, uma estranha filosofia, se você preferir, para o que eu chamo de Religiões Livres, incluindo as correntes Psicodélica e Discordista, neo-paganismo não-hierárquico, heresias antinomianas, caos e Magia do Kaos, Vodu revolucionário, cristãos anarquistas e "sem igreja", Judaísmo Mágico, a Igreja Ortodoxa Moura, a Igreja do SubGênio, as Fadas, Taoístas radicais, místicos da cerveja, povo da Erva, etc, etc.
Ao contrário das expectativas dos radicais do século XIX, a religião não desapareceu -- talvez estivéssemos melhor se tivesse desaparecido -- mas ao invés disso aumentou seu poder, semelhante em proporção ao crescimento global no reino da tecnolgia e do controle racional. Tanto o fundamentalismo quanto a Nova Era obtêm alguma força da profunda e disseminada insatisfação com o Sistema que trabalha contra toda percepção da maravilha da vida cotidiana -- pode chamar de Babilônia ou o Espetáculo, Capital ou Império, Sociedade da Simulação ou do mecanismo desalmado -- como quiser. Mas essas duas forças religiosas desviam o próprio desejo pelo autêntico em direção a novas abstrações esmagadoras e opressivas (moralidade no caso do fundamentalismo, mercantilização no caso da Nova Era) e por esta razão podem ser muito apropriadamente chamadas de "reacionárias".
Assim como radicais culturais procurarão se infiltrar e subverter a mídia popular e assim como radicais políticos desempenharão funções similares nas esferas do Trabalho, Família e outras organizações sociais, também existe uma necessidade de que radicais penetrem a própria instituição da religião, ao invés de meramente continuar a proferir chavões do século XIX sobre materialismo ateu. Vai acontecer de qualquer forma -- melhor chegarmos a isto com consciência, com encanto e estilo.
Tendo certa vez vivido perto do Quartel-general do Conselho Mundial de Igrejas, eu gosto da possibilidade de uma versão paródica das Igrejas Livres -- a paródia sendo uma das nossas principais estratégias (ou chame de detournement ou desconstrução ou destruição criativa) -- uma espécie de rede frouxa (não gosto desta palavra; vamos chamar de "teia de aranha") de cultos esquisitos e indivíduos fornecendo palestras e serviços uns aos outros, de onde pode começar a emergir uma direção ou tendência ou "corrente" (em termos mágicos) forte o suficiente para descarregar uma devastação psíquica nos Fundamentalistas e nos adeptos da Nova Era, mesmo nos aiatolás e no Papado, jovial o bastante para discordarmos uns dos outros e ainda assim darmos grandes festas -- ou conclaves, ou conselhos ecumênicos, ou Congressos Mundiais -- os quais antecipamos com alegria.
As Religiões Livres podem oferecer algumas das únicas alternativas espirituais possíveis em relação às tropas de assalto dos televangelistas e palermas manipuladores de cristais (sem falar das religiões estabelecidas), e desta maneira se tornarão mais e mais importantes, mais e mais vitais em um futuro onde a demanda pela erupção do maravilhoso dentro do comum se tornará a mais retumbante, pungente e tumultuosa de todas as demandas políticas -- um futuro que começará (espere, deixe eu ver meu relógio)... 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1... AGORA.
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