Hyper-Surrealist Fnord Agency


KSTXI Dataplex


Know more, Understand less



KSTXI Reality Glitch Hack Post-Neoist Meta-Discordian Hyper-Surrealist Galdruxian Tudismocroned Bulldada Network ::: art, anti-art, post-art, `pataphysics, absurdism, discordianism, concordianism, meta-discordianism, realism, surrealism, hyper-surrealism, neoism, anti-neoism, post-neoism, anythingism, etc..

KSTXI Hyper-Surrealist Fnord Agency Portal

KSTXI Glitch Network

KSTXI Post-Neoist Meta-Discordian Galdruxian Memes Illuminati Cabal


:::

“Everyone carries a piece of the puzzle. Nobody comes into your life by mere coincidence. Trust your instincts. Do the unexpected. Find THE OTHERS”
– Dr Timothy Leary

:::

::: KSTXI Post-Neoist Meta-Discordian Memes Illuminati Cabal ::: Illuminati1

—–><—–

“Welcome to the most ancient conspiracy on the planet. We’ve gone for so long now that we don’t remember what we were doing, but we don’t want to stop because we have nothing better to do.” - Fire Elemental

—–><—–

:::

.

KSXTI Post-Neoist Meta-Discordian Galdruxian Memes Illuminati Cabal Contact Information

::: KSTXI Post-Neoist Meta-Discordian Memes Illuminati Cabal ::: Tumblr_inline_p10gskins81rlg9ya_500

.

"Stick apart is more fun when we do it together." - St. Mae

.

::: Discord:

- Dataplex Ourobouros

::: Reddit:

- 00AG9603

- KSTXI Dataplex

- #TheGame23 Mod 42.5

- Dataplex Ourobouros

::: Forum



Join Us!

:::

3.12.12

Senhora Mixtape Vol. 1



SE VOCÊ NÃO TEM TEMPO DE DESFRUTAR A EXPERIÊNCIA COMPLETA, NÃO SE PROPONHA A ESTE BOCADO!

ლ(ಠ益ಠლ)

23h30min へへへへへへへへ  Inicio de passeio



Alô, felizardos da sintonia Minini. “Olé”, para quem aguarda a transmissão mais feroz dessa noite! Viajantes temporais liguem seu aparelho hora-dimensional e comecem a dedilhar essas cordas com tesão. “Olé”! Sincronizem este horário no visor, pois agora vamos acompanhar um bando de bananas, otários de grife numa velocidade tremenda.

Dá-lhe, dá-lhe, dá-lhe, bem vindos os bem-aventurados de espírito, que não se importam em uma quadrilha de assaltantes de banco utilizar uma porra de um Ford Tunderbird Stock vermelho para realizar seus feitos criminosos. A estética é absolutamente vital. A história é plástica e eu sou uma dama muito, mas muito, pirueta das idéias. No entanto, vá lá você, saiba que o relato é real, é vital e o racha fedeu no final. É questão de tempo, você vai ver/ler, este tempo é cronometrado, pois a vida tem dessa sincronia caótica. Então é assim, no tempo real da coisa, dá-lhe, dá-lhe, dá-lhe:




O carro do Danilo Gabarem está preparado para ser a maquina mais potente da estrada dos Elmos, uma estrada com 10 km de extensão, deserta e utilizada em corridas clandestinas já há muitos anos. Mal iluminada, serve como um antigo acesso a cidade de Montafa. Esta noite ela recebe apostadores e uma platéia alucinada por álcool e drogas, todos ansiosos pelo deslize dos carros na pista. Danilo Gabarem dirige um Nissan branco surrado pela ação do tempo. Encarando o rosto de Danilo, está o “barbado Sem Nome” roncando o motor de seu Opala vermelho, bem aconchegado no banco de vinil branco. Faltam dois minutos para a largada, para o racha mais febril da região.

Olé! Tenho uns dados para apresentar para vocês, saquem só como são as coisas:


Objetivo: chegar à entrada da cidade de Montafa (Final da Estrada dos Elmos).
Recompensa: Honda Civic Si.
Bônus: Dinamômetro para diagnostico de desempenho e dez mil dólares, somente se um dos competidores for destruído durante o trajeto.



Restam poucos segundos antes da largada para Danilo Gabarem por em prática o seu vicio. Ele abre o porta-luvas e retira uma chapinha de metal junto com um pequeno cilindro de alumínio, despeja o pó branco e o organiza em três fileiras na chapa. Aperta a narina e aspira rapidamente. Os olhos estalam e a coragem flui; é a cocaína que chega ao seu cérebro esburacado. Na palma da mão esquerda um papel do tamanho de um confete com um leão impresso num dos lados. Bota o papel no fundo da língua e dá a partida.

22h50min へへへへへへへへ O carro da morte

Quarenta minutos antes, no centro da cidade de Morsei, Eva Ritinha sofre um ataque epilético na calçada em frente a sua loja de doces. Com espasmos violentos, salivando e de olhos virados, ela tomba com violência no meio fio. A pequena cidade de Morsei dorme quase por completo e o único centro hospitalar entrou em greve há mais de uma semana. Abandonada sobre a calçada, Eva respira ofegante. Um furgão preto, com letras brancas enormes pintadas na lateral, encosta ao lado da senhora.
Sr. P. escorrega sua barriga imensa por detrás do volante com certa dificuldade e caminha em volta do furgão para auxiliar a senhora Eva.
– Minha senhora, muita calma, ajudarei no que puder.
– Eu tenho epilepsia e não tomei o medicamento esta noite. Estava a caminho de casa e tive um acesso. Respondeu Eva Ritinha, resfolegando e tentando se erguer sem a ajuda do estranho.
– Eu posso lhe ajudar, estou a caminho do hospital da cidade de Montafa.
Ao puxar um dos braços de Eva, Sr. P. notou a fratura na perna esquerda. O osso da velha senhora perfaz um “L”, repuxando a pele enrugada. Ela está em estado de choque e já não sente dor alguma.
– Levanto a senhora em meu colo e te coloco dentro do furgão, pois pela minha experiência, temos pelo menos quinze minutos antes que a perna piore.
– Piorar por quê? Disse Eva, com lagrimas e desconfiança nos olhos.
– A senhora fraturou a perna.
 Sr. P. fechou a porta e entrou rapidamente no furgão. Eva Ritinha inicia o trajeto rumo ao hospital de Montafa de uma maneira milagrosa e fúnebre, dentro do carro do IML, ao lado de uma pilha de cadáveres.



 23h47min へへへへへへへへ Luz no campo

A estrada dos Elmos é rodeada por um vasto campo de centeio que se perde no horizonte, nos dois lados da pista. Agricultores construíram suas casas de alvenaria em toda a extensão do cultivo, há muitas décadas. Hoje, o local está abandonado e sem qualquer iluminação, exceto por um gigantesco galpão de madeira com uma pequena casa acoplada em seu topo. Situado exatamente no meio do trajeto entre Montafa e Morsei, na beira da pista. Moradia de um humilde casal de agricultores  oriundos do sertão do país, que no auge dos quarenta e poucos anos, mantêm vivas as esperanças de riqueza e paixão através de discussões inflamadas.
– Desgraçada, vaca maldita. Tava se esfregando com quem na cidade? 
A loira de cabelos embaraçados caminha para trás em direção a janela.
– Tava não, com ninguém ué!
– Ouvi que não era assim. Toninho falou que sou corno, lá no bar.
Após calar-se por alguns segundos, a mulher balbucia:
– Você é um porcão. Eu dei pra outro mermo. Ele é doutor na cidade.
O homem, rústico, de botas, calção e uma regata surrada apertada contra sua barriga, bufa toda sua indignação, chutando caixotes de madeira espalhados pelo chão do quarto. A única iluminação da casa é provida por um lampião de querosene, que faz com que, vista debaixo, a janela de frente para a estrada dos Elmos se torne um farol e único ponto de referencia para toda escuridão que impregna o local.


22h30min へへへへ Os criminosos ardilosos

Estilhaços de vidro cobrem o chão do banco Royal na pequena cidade de Morsei. Os dois seguranças noturnos do banco estão amarrados e amordaçados, observando a movimentação de Zé Traquina e seus dois comparsas, Silú e Ed Grogue. Somando uma quantia de dois milhões em dinheiro fruto do trabalho rápido de coleta, o bando pula para rua estourando a vidraça da entrada, de modo a facilitar a retirada dos cinco malotes de dinheiro. Esse movimento dispara um alarme alternativo do banco. Em poucos minutos a policia vai cercá-los. Silú corre em direção a sombra, do outro lado da rua, para ligar o carro da fuga. Uma raridade e orgulho de Silú, um Ford Tunderbird Stock vermelho, de 1956. Os malfeitores entram apertados junto com o dinheiro; assim que o pneu canta no asfalto a policia surge com três viaturas, quebrando o silêncio da cidade com suas sirenes. A tarefa dos ladrões é despistar os carros e achar a melhor rota de fuga. O destino é a grande cidade de Montafa, onde se localiza o covil.


23h35min  へへへへへへへへ Duas máquinas

A traseira do Nissan patina de um lado para o outro, projetando o veiculo como um foguete em direção a escuridão da estrada. Dois segundos de vantagem em relação ao Opala. É o suficiente.
– Maldito, maldito, maldito. O sem nome, com a barba oleosa e escura gotejando no volante, pragueja enquanto troca as marchas.
O frio do asfalto extingue-se com a borracha quente dos pneus que percorrem o leito numa dança desenfreada, em velocidade absurda. A ânsia dos pilotos é carnívora, logo o canibalismo de seus carros surge com um ziguezaguear cego e objetivo. O Opala avança forte e irrefreável até colar a poucos centímetros do Nissan, desvairado e corajoso, ciente de sua tecnologia. As faíscas dão brilho à noite e os dois cavalos se tocam.


23h30min へへへへへへへへ Prenuncio de morte

No lado oposto ao da corrida alucinada, a Estrada dos Elmos recepciona, com toda sua escuridão, a fantasmagórica carona de Eva Ritinha. O furgão lustroso do IML chacoalha sua estrutura com uma velocidade precipitada, assustadora.
– Senhora, fique calma. É só atravessarmos este atalho e sairemos rapidamente na cidade de Montafa. – Disse o balofo Sr. P. – Suando como um porco prensado ao volante.
Com grande esforço  a boca de Eva contorce  para cuspir três palavras:
– Não... Tenha... Pressa.
O Sr. P. acelera, em pânico com a situação. Nos trinta e cinco anos atuando como legista, o Sr. P. gosta de trabalhar com clientes rígidos, frios e mortos. No entanto, a perspectiva da morte, o limiar da vida, a proximidade de um último suspiro, deixa os seus nervos tilintando como fios de metal. A pressão faz com que o braço comece a doer. O gordo Sr. P. observa ao longe um ponto luminoso que se aproxima rapidamente. Seus olhos estão vidrados, o rosto inchado e vermelho se contorce para o lado. Uma pontada no peito. O lindo campo de centeio que se espalha pela planície é banhado pela luz azulada da noite.

23h25min  へへへへへへへへ Sangue e balas

Tiros. Os projeteis passam zunindo entre os carros da policia. O Tunderbird vermelho rasga as estreitas ruas de Morsei. Dois balaços atingem a lateral polida do carro. O barulho seco da intrusa revolta Silú: – Seus filhos da puta.
Anda com essa merda, porra – Zé Traquina se pendura na janela tentando acertar um tiro na cabeça de um policial.
O sangue que jorra quente pelo couro do assento é estancado com dificuldade pelas mãos pequenas de Ed Grogue. Duas curvas fechadas, o pneu canta e a raridade do carro ganha vantagem da lei.
Dez minutos Ed e estamos livres. Agüenta as pontas. – Silú fez a promessa.


 23h36min へへへへへへへへ Efeito colateral

Euforia, excitação, onipotência. Danilo, o dono do mundo, mescla sua viagem pervertida no caviar das drogas com a maldita corrida. Não há medo. Os trancos na traseira do Nissan são fortes, Danilo permanece com o controle do volante e freia em pequenas doses para atingir o Sem Nome. Uma paranóia reversível acomete seus olhos com alucinações. Seu carro tem vida. O volante derrete queimando a palma da mão. Tudo treme, a estrada se desmancha lentamente em pedaços. Focos de luz despontam na retina, vindos de um horizonte cada vez mais perto. – Elevação! – Ele grita, e o carro se embrulha com intento de mastigá-lo. O alivio do piloto é acelerar mais. Sua viagem não tem fim.

23h40min へへへへへへへへ Abatimento

Silú leva uma das mãos ao seu ventre. Empapado de sangue, ele ergue o tecido grudado à pele. A bala penetrou no estômago, rasgando a barriga e saindo na perna de Zé Traquina. Os ferimentos já não importam. A rota da fuga esta à frente deles. A estrada dos elmos hoje é o palco de criminosos, drogados, famílias, a morte e também dos abutres. A voz gutural de Zé Traquina se espalha pela noite: – Não pare no inferno. – O cenário ferve e a luz dos faróis faz surgir em meio à escuridão o carro da morte, o furgão do Sr. P.
– Desvia, porra!
– Cuidado!
Ed baba sangue enquanto atira desordenadamente para o alto. O thunderbyrd desvia pela esquerda ralando toda a lateral do furgão.
– Desgraçado!


23h41min へへへへへへへへ Expirar

Sr. P. enfarta. Sua barriga trava o volante, seu pé enrijece, afundando o acelerador. Eva desmaia e o carro da morte envereda sem controle pista afora.


23h45min へへ Encontro Irrefreável...     

A morte vem para ceifar as almas. O Opala do Sem Nome emparelha com o Nissan, aos trancos os carros são jogados de um lado ao outro da pista. O asfalto começa a baixar para os olhos de Danilo, ele joga o carro para cima do Opala. O barbado não consegue manter o controle.
23h48min40seg... Um marido dedicado, porém traído, é passível de cometer uma loucura. Com fúria no olhar, o caipira rústico e sujo, habitante da única casa da Estrada dos Elmos, agarra o lampião balançando-o com uma das mãos, as sombras dos poucos móveis dançam na parede. Ele gira o lampião e o joga furiosamente em direção a sua mulher. O vidro de querosene explode no peito da loira. Ela voa pela janela envolta pelas chamas, caindo vertiginosamente.
23h48min12seg... O barbado Sem Nome se desespera para retomar a dianteira e assim não percebe o furgão do IML vindo ao seu encontro.
23h48min36seg... Zé Traquina segura o volante do Ford Tunderbird Stock. Silú desmaia em sua poça de sangue, Ed Grogue dá o último suspiro ainda com a arma em punho. As sirenes podem ser ouvidas ao longe. A velocidade continua e um cheiro de carne infesta o carro. Estão na metade do caminho entre Morsei e Montafa. 23h48min38seg Passam por um Nissan coberto de poeira. Zé Traquina perde a concentração ao ver o sorriso e os olhos vermelhos de Danilo Gabarem. 23h48min39seg.O Opala frita os pneus e buzina freneticamente. 23h48min40seg.

A bola de fogo que se tornou a esposa do caipira violento atinge feito um cometa o capô do Tunderbyrd vermelho que afunda contra o chão; ergue a traseira com a força do impacto e gira em meia lua para o outro lado da pista. 23h48min42seg, o Sem Nome sente o calor das chamas e as fagulhas se espalharem por cima do Opala, ele pragueja ao ver o Nissan de Danilo sumir na poeira e essa visão é tapada pelos dizeres I.M.L. que carimbam seu painel. O furgão e o opala rodopiam no ar. 23h48min45segZé Traquina recolhe os próprios dentes, espalhados em seu peito. Com movimentos limitados ele luta para soltar as pernas, moídas pela ferragem, antes que todo o corpo se junte ao fogo infernal. 23h48min49seg. O Sem Nome esta vivo, jogado na pista, não pode ver os pedaços de corpos caindo como chuva. Um cadáver remendado cai sobre Zé Traquina na única fresta que resta na massa de ferro; é logo seguido pela caçamba do furgão que termina a mistura de sangue e ferro. O Sem Nome tateia o ar com uma placa de vidro atravessada em seus olhos. Tanques cheios e prensados não resistem ao fogo e uma explosão ilumina toda a estrada. 23h48min55seg, Danilo recupera sua lucidez após cruzar a linha da vitória. Parado no acostamento ele olha para a grande coluna de fogo e fumaça que se levanta no meio da Estrada dos Elmos. Acende um cigarro e traga profundamente. Camuflado pelo final do campo de centeio, ele está a salvo dos inúmeros carros de policia que agora chegam. 23h58min45seg. A grande casa queima, levando todas as provas do crime ali cometido, e no fogo a gordura de um assassino derrete. Ferro espalhado pela pista, marcas de sangue que se arrastam por metros, fogo, fumaça, corpos e membros decepados por toda a parte. A morte impera absoluta, deixando por testemunha apenas um cego cambaleante, gemendo de dor, implorando por alivio. Danilo olha para o inferno pela ultima vez. Liga seu carro e segue o caminho sinuoso, é hora de recolher sua recompensa. 00h01min. Dá-lhe, dá-lhe, dá-lhe!






28.11.12

Policiais plantando Maconha

Tratamento Revolucionário para Criminosos, cria cena inusitada no interior do Brasil.

Após um ano do fechamento do "Caso das Ervas" no Brasil, o pais começa a usufruir de vários benefícios, causados pela legalização da maconha e de diversas outras plantas que eram consideradas prejudiciais à sociedade. As pesquisas científicas já surtiram efeitos, além de mudanças sociais: a ocorrência de crimes violentos reduziu em mais de 50%. "A relação é direta,  pessoas sobre o efeito da cannabis ficam muito mais calmas e relaxadas, menos propensas a reações agressivas, e isso tem afetado profundamente os antigos quadros de criminalidade do país" diz o Dr. Eder Valadares, psicologo e um dos maiores responsáveis pela conscientização da possibilidade do uso benéfico das drogas nos últimos anos. 

Policial Matheus Henrique está muito
feliz com a sua nova função
.
Mesmo com enorme redução de crimes violentos, o governo ainda busca reduzir mais. Usufruindo da nova Lei que permite o plantio livre da maconha, sete estados brasileiros adotaram uma inusitada modificação em seu sistema prisional: dar maconha para os prisioneiros. O processo nada mais  é que uma tentativa de amenizar a pena dos criminosos e cortar gastos com os presídios. O prisioneiro, se for acusado de um crime violento, passa por um exame psicológico, e se adequar-se ao que está sendo chamado de "Quadro de Agressividade Reversível" ele recebe liberdade condicional, desde de que ele se disponha a consumir uma quantia específica de cannabis por dia. Desta forma é garantido que ele não venha a cometer crimes novamente. Cerca de 15% dos presos já estão inscritos nesse processo de condicional, mas a previsão é que chegue a 30% até o final do ano que vem.

E de onde vem toda essa cannabis? Do local mais improvável e inusitado: dos próprios policiais. Com a diminuição dos crimes, a necessidade de policiais nas ruas foi amenizada. O governo então usou os mesmos policias para uma "operação" no minimo irônica: plantar maconha."Muitos policiais estavam sendo dispensados de seu serviço e até mandados embora, por simples falta do que fazer.Graças a isso muitos dos nossos policiais voltaram à ativa." afirma a Tenente Maria.

O trabalho, que agora é inverso de antes, não parece incomodar os policiais. Aparentemente eles preferem muito mais a vida tranquila do plantio do que a perigosa vida nas ruas. " Eu sempre fui a favor da legalização como forma de amenizar a criminalidade, mas nunca pensei que eu faria parte desse processo tão diretamente" diz  o Policial Matheus Henrique, cujo pai era usuário de maconha quando ainda era proibido. Mas o trabalho nas plantações não reduzem as obrigações de seu posto, muito pelo contrário, apenas adiciona mais uma função ao corpo policial. "Em caso de qualquer emergência, ou situação de conflito, a preferencia é o mantimento da ordem." avisa.

Apesar do sucesso do novo processo, os cristãos radicais não tem sido favoráveis á isso. O Pastor L.S. Donato falou em seu programa que "a erva maldita é um artifício do demônio chamado Diá, para controlar suas mentes.Os prisioneiros que creem em G-Ová deveriam recusar o tratamento". Aparentemente isso pode ter alguma relação com o fato de que a maioria dos presos por crimes violentos são cristãos radicais. A Igreja de Nosso Senhor Jah Rastafari não se pronunciou oficialmente sobre isso, que aparenta ser uma ofensa direta.



Trecho de Jornal Enviado do Futuro

 por Doutor Ontem em Furquim, Minas Gerais no dia 10 de maio de 2015 

para Jônatas Santos em Ouro Preto, Minas Gerais no dia  28 de Novembro de 2012.

19.11.12

Disneybomba (Dia D)


 





As trombetas do apocalipse não tocaram quando o Pluto explodiu seu colete de dinamite na Disneylândia. O jovem que havia sido contratado para se vestir de Mickey ficou preso no abafado traje parcialmente derretido e grudado em sua pele. Ele cambaleou até os escombros do que sobrou da Casa dos Sete Anões, buscando por água. Após descolar os dedos do cadáver, de um dos sete figurantes anões, de um cantil de alumínio, o jovem trajado de Mickey tentou derramar o liquido por dentro do vão dos olhos para que escorresse até sua boca. Neste momento alguém se aproximou por trás. Uma criança, com a boca esfolada e vertendo sangue em abundância, segurava um revólver nas pequenas mãos, apontado-o para o Mickey.

"Você está sorrindo?"


Mickey tentou responder, mas sua garganta estava inchada e a língua seca, a voz falha produzia apenas um fino assobio.

"Meus pais morreram e você está sorrindo..."

O cantil se movimentava nervosamente na mão trêmula do Mickey.

"A Disneylândia matou meus pais?"

Outro assobio de voz, Mickey deu um passo para frente. A criança recuou.

"Eu quero saber por que você está sorrindo..."

A criança chorava, as lágrimas passavam pela bochecha chamuscada e se juntavam ao sangue. Mickey deu mais um passo e pisou em metade de um tronco de mulher.

“Você pisou na minha mãe!”

A criança ergueu a arma. Mickey retirou o pé do corpo da mãe da criança e se agachou lentamente.

“Mickey! Você tá dando risada. Você tá rindo da mamãe”.

A arma vacilou na pequena mão. Mickey largou o cantil e avançou novamente. A criança aprumou o revólver com mais firmeza. Mickey estancou à poucos centímetros do cano. Por cima da criança havia um policial empalado por uma viga de concreto. Mickey deduziu que a arma era real. A criança se enfureceu, soluçou e chorou copiosamente.

"A Disneylândia matou meus pais... Matou meus pais. Você tá dando risada."

A criança virou o rosto para o lado. Mickey sentiu que era a hora do disparo. Não sabia o que fazer. Ergueu as mãos. O Pato Donald despontou de um amontoado de brinquedos queimados, segurando uma espécie de gatilho. Neste instante, um zunido ecoou e a criança se partiu em vários pedaços, em seu lugar, tomou forma uma imensa bola de fogo que engolfou a sorridente grande cabeça de pelúcia do Mickey. Ele voou por alguns metros e antes de perder por completo os sentidos, viu o Pateta ajudando a Minnie a apertar outro colete de dinamite em seu peito. O sorriso da fantasia pegou fogo e, pouco a pouco, entortou em sinal de tristeza.

1.11.12

Disque vigarista

Hello, stranger. DIAL #545454# (hashfivefourfivefourfivefourhash)

Select : English 01/ Portuguese 02 / Balrog Punch 03


02*

Hoje, em sua rota, aquele décimo sexto carro branco à frente é o que impede o fluxo. Pondere sobre o beneficio de perder 3 minu
tos em caminhada até o dito veiculo e acertar a fuça do ditongo que o dirige.

Troque o rádio para AM, volte para FM, novamente para AM e por fim permaneça na FM.

*UNLOCK*

"It can cut you like a knife, if the gift becomes the fire
On a wire between will and what will be

She's a maniac, maniac on the floor
And she's dancing like she's never danced before
She's a maniac, maniac on the floor
And she's dancing like she's never danced before"


Bata os pulsos no volante, chacoalhe a cabeça, acelere, freie, acelere, freie, acelere freie. YEAH!

Devido ao sucesso, esta ligação não será cobrada... zórg zórg zórg

tutututututututututututututututututu

Disque Éris
zero ao contrário, oito oitos, oito setes, oito

24.10.12

Sobre o Certo & O Errado

SOBRE O CERTO E O ERRADO - Mortinta Knobina, Sacerdotisa da Cabala Erísiana dos Treze Portais de Oz

Daleth se aproximou com uma cara muito esquisita quando Aleph indagou qual o problema que lhe afligia. Rapidamente Daleth começou a vomitar um emaranhado de problemas. Aleph, por educação ou atenção, ficou ouvindo, as vezes tentando esconder o riso e torcendo para Daleth não perceber. 


“Compreende? Parece que tudo que eu faço está errado - disse Daleth

 com aquela expressão triste.
“E qual é o problema em estar errado? – perguntou Aleph com um sorriso malicioso nascendo no rosto.
“Como assim, Aleph? Errar implica em Erro. E Errar é algo que devemos evitar para que possamos levar uma vida em harmonia.
“Eu conheço muitas pessoas que fizeram coisas Certas pelos motivos Errados. Ou melhor, fazendo coisas Erradas, no fundo, acabam tornando as coisas muito mais Certas de como elas estão no momento.

“O que vc fumou Aleph? Está falando coisas sem sentido.”
“Vem comigo – disse Aleph com um sorriso misterioso mesclado com um tico-tico de fubá”
Aleph e Daleth pegaram um ônibus qualquer e desceram em um lugar que não nos diz respeito no dado momento. Aleph seguiu caminhando junto com Daleth, ambos quietos, até encontrarem uma avenida muito movimentada. Aleph se aproximou da primeira pessoa e comentou:
“Nossa, como o tempo está horrível hoje, não é?” – O sol brilhava forte em um lindo céu sem nuvens. O transeunte apenas ficou olhando para Aleph com uma cara de “o.O” o que esse cara usou?

Aleph continuou sua aventura e de repente ouve alguém gritando: EU VENHO DO PLANETA ÉRIS – EU NÃO SOU DAQUI – era o mendigo local, famoso Astronauta do Lixão que fazia sua palestra diária na praça municipal regrado de muita pinga e vinhos sacrossantos. Aleph se aproximou e trouxe Daleth a força, apesar de sua clara relutância. Daleth não via os mendigos com bons olhos.

EU VENHO DE LÁ TAMBÉM – disse Aleph - MARIPOSA, ALFAIATE, AZUL CERÚLIO E LAMPIÃO

O Mendigo por um segundo o encarou como se não soubesse do que Aleph estava falando e logo em seguida caiu em uma gargalhada. Aceita uma pinga? – Aleph bebericou imediatamente e passou a garrafa para Daleth, que nem sequer a tocou, e o olhou com olhar de nojo.
-Aleph... eu sei que você sempre foi meio pirado... mas agora você está saindo dos limites...
-Daleth. Aprenda a Estar Errado
-Como assim Aleph, para beber pinga com os mendigos?
-Não, seu bobo. Pra aprender que estar errado também está certo.

Daleth não compreendia o que Aleph estava querendo dizer, então Aleph começou a fazer a coisa mais louca que Daleth já havia visto:
Aleph olhava para o céu sem nuvens e exclamava que possivelmente viria chuva. Começou a fingir que estava tremendo reclamando que estava muito frio para os padrões de seu planeta natal, Mercúrio. Começou a plantar bananeira insistindo que o Céu era para baixo e a Terra era para cima. Afirmou que a Carminha era a maior santa das novelas da globo. Afirmou que a TV Cultura era um canal muito pobre em cultura. Comentou sobre como era exemplar a atitude dos políticos brasileiros. Anunciou que a Presidenta Dilma não é humana, mas sim um Beta Gray de Zeta Reticuli disfarçado de humano.

Daleth não estava entendendo coisa nenhuma e o mendigo estava cagando de tanto rir. Até que Aleph parou e olhou para Daleth com um sorriso e disse: Não estou certo?
Daleth respondeu: Não. Está errado. – Não entendi o que quer dizer.
-Que você não precisa estar certo o tempo todo. E que estar errado está tudo bem. Na verdade, você deveria passar o dia inteiro comigo fazendo tudo errado, para amanha quando não fizer algo certo, saber que está tudo certo.
-E pra que vou querer fazer tudo errado hoje se posso tentar fazer tudo certo?
-Pra amanha você não vir reclamar que fez algo errado quando tentava fazer tudo certo.

Os dois passaram o dia inteiro fazendo tudo pelo contrário e Daleth nunca mais ficou chateado quando estava errado sobre alguma coisa.

E AO OUVIR TODA ESTA CONVERSA, ALGUÉM FOI ILUMINADO

19.10.12

Consciência Ùltima

Reinaldo Ribeiro
O termo "consciência convencional" diz respeito a exatamente o quê? Há uma consciência última em oposição a ela? O que as diferenciaria? Alan Wallace quando esteve no Brasil falou em três: consciência grosseira, consciência sutil e consciência última.A consciência grosseira é a nossa identificação com os sentidos físicos e os pensamentos e emoções. É ela que produz, na sua confusão, a noção de um "eu". Ela possui uma continuidade extremamente restrita.A consciência sutil são os padrões cármicos arraigados que produzem consciências grosseiras vida após vida. Sua continuidade é maior, mas não ilimitada.A consciência última é o aspecto luminoso da vacuidade. Quando se diz "vazio é forma" está se referindo a isso, ou também quando se diz que o dharmakaya é prenhe de todas as possibilidades.A disputa entre as escolas se resume em quatro posições:1) Visto que é possível transformar esta terceira consciência num objeto e reificá-lo, algumas formas de budismo se apegam ao antídoto e produzem uma negação quanto a esse conceito.2) De uma forma um pouco mais sofisticada, algumas tradições afirmam coisas tais como "natureza de buda", etc. Isso equivale a praticar de forma não-causal e abandonar a noção de um resultado, já que o resultado está presente desde o "princípio sem princípio".3) A posição de Nagarjuna como interpretada por Chandrakirti, porém, não cai em nenhum extremo de afirmação ou negação, e apenas revela esta natureza através de "domar tudo a ser domado", mostrando o equívoco na manutenção de qualquer fixação a doutrinas.4) A partir da posição de Nagarjuna, todas as diferentes doutrinas surgem como meios hábeis a serem utilizados em relação a necessidade dos seres. Assim, como não há antídoto a ser aplicado ou aperfeiçoamento a fazer, nada é desperdiçado.Encontraremos por todo lado praticantes e professores do dharma mais ou menos fixados em qualquer uma das quatro formas, seja por ação compassiva de ensinar aquilo que os seres precisam e não o que ainda não são capazes de entender, seja porque eles ainda mantém fixações a teorias e sustentam suas opiniões. Creio que é noção comum que o próprio Buda ensinou das quatro formas simultaneamente, mas como não somos oniscientes, em geral surge um carma de preferência e a necessidade de defender idéias desse ou daquele tipo e aplicar antídotos.
...Nesse âmbito, tudo soa nonsense. Quando nos referimos a "mente", estamos falando dela como um objeto, mas a mente "última" é a fonte de sujeito e objeto, ou ainda, a coemergência de sujeito e objeto, e em nada difere da própria vacuidade.Porém, até mesmo "vacuidade" pode se tornar um ponto de fixação. Algumas professores até mesmo dizem que um sutra como o Prajnaparamita ainda revela uma leve tendência niilista, apesar do "vazio é forma, forma é vazio". Eu discordo deles, porém a questão da luminosidade do vazio só vai ficar realmente clara em textos tais como o Uttaratantra de Maitreya. De uma forma mais simples, se pode dizer apenas que todos os conceitos são meios hábeis, e não pode haver um conceito cujo sentido em si seja o entendimento ou realização daquilo que nos interessa, o dharma. Quer dizer, o vajrayana brinca com isso através do próprio termo "vajra" — mas isso é um meio hábil que algumas pessoas de bom mérito podem usufruir, não é meu caso. Em certo sentido, vajra, mente última, vacuidade, natureza de buda, perfeição da sabedoria, grande perfeição, nirvana, dharmakaya, etc — embora não sejam a mesma coisa, referem-se a mesma coisa, a qual não pode ser perfeitamente adequada a qualquer conceito. E é claro, se quisermos ir mais longe, em outras tradições religiosas, por exemplo, com certeza encontramos muito mais palavras. É muito importante que não achemos que prática espiritual é ficar descobrindo novas palavras e novas conexões entre as palavras. Descobrir que Fulano é outro nome para Beltrano não diz nada a respeito de conhecer a pessoa, chamemos ela de Fulano ou Beltrano. Há uma natureza última da consciência a ser conhecida e/ou realizada ou uma consciência última?As duas perspectivas existem, as duas não são definitivas, a segunda é mais sofisticada que a primeira. A prática pode ocorrer de forma causal, em que buscamos algo, ou de forma não-causal, em que usufruimos de algo. A prática causal é feita com grande esforço, e leva um longo tempo. Em termos não-causais, ela pode ser sem esforço ou com esforço. A prática sem esforço é melhor, para aqueles que são capazes dela. Para pessoas como eu, porém, isso são só palavras a que eu me apego. Porém cabe sempre lembrar que enquanto houver a noção de que algo esteja acontecendo, sendo descoberto, realizado, ou que nos dê qualquer espécie de conforto ou segurança, devemos perceber que isso é apenas um sonho, e assim não nos vincularmos a nenhuma espécie de fenômeno particular. As teorias filosóficas, o chocolate e o sexo estão nessa categoria.

15.10.12

Compilações de um A

Era um instante antes da tempestade e joguei uma moeda dentro do trovão. O trovão provou e sentiu que era bom. O trovão multiplicou a moeda. A tempestade provou e sentiu que era bom. Então a tempestade caiu com uma miríade de moedas. As pessoas tombaram com as moedas fincadas pelo corpo.
Tombaram felizes e ricas.
"Mentira!" disse uma grande, gorda e cinza Cumulonimbus - "Agradeça a industria do alimento" .
Saí de casa para comprar miojo, apenas.
No meio do caminho perdi as malditas moedas. Anarquizei a mente, pois a desordem é a mentira do otimismo. E como brilha o otimismo quando está correto!

Como visto em: Turmei // Compilações de um A -1998 - Editora Cipó

9.10.12

Moleira do ABC


A B
.


Parece metal retorcido que escorre pelas veias, que me impede de passar.

 C D E F
Essa força magnífica flui com fel pelo caminho.

GHI
Este alfabeto estúpido, entupido, que me impede de passar,

JKLMN
me impede de passar, me... passar...

OPQ
A substância misturada preenchia as mentes;
delírio vai, perturbação e confusão.

RSTUV
O ar viciado esmagavas, esmagavas,
esmagavas, esmagavas, esmagavas.
WX.O alfabeto estúpido, entupido, que me impede de passar, me impede de passar. Me impe|
.


YZ

observação malkaviana

só tem doido, de uma forma ou de outra.

5.10.12

Cosmogonia e a Rosa dos Ventos


Uma fagulha cruza o universo por uma era indefinida. Esta fagulha, azul e amarela, espoca nas mãos de Elohim. A fagulha luminosa se retorce e toma uma forma carnal, similar ao que viria a ser o homem. Elohim utiliza o planeta Terra para cultivar a vida. Ele cria um panteão chamado Egrégora. Para lá são enviados deuses de outras dimensões...

Elohim os abandona para todo o sempre.

Na floresta mais densa:

- Vento! Devolva-me a carne. Oh servo da danação, que o fogo divino te cegue e minha fé em Elohim esmague-o. Liberta-me, pois não tens o direito.

Terra não pode mover-se. Os galhos de uma árvore podre trespassam seus braços, penetrando na barriga e entrelaçando a espinha.

 “Ronronar a revolta, renova a ruína, ruim, ruína, ruim e ruim. Ruma à relva, oh réu repugnante”.

O som gutural escorre pela terra lodosa e enjoa os ouvidos com seu tom putrefato. Vento encara o deus cativo, encurvado sobre uma pedra preto azeviche no escopo da nascente de um rio.

No panteão Egrégora:

 Água e Fogo observam a situação através das muralhas verdes de fumaça.

- Como pôde este demônio acumular tamanho poder em meio aos terrenos?
- Vento acumulou conhecimento da Natureza, bebendo na fonte ancestral. O que fazíamos neste ínterim?
- Mel, carneiros e ambrósia.
- Sim. E tu ainda sorris da onipresença, Fogo?
- Não tente o coloquial mundano em nossas moradas, Água. Deixe para Elohim e Terra, resolverem o entrave.

Luz adentra o salão. As muralhas de fumaça verde aumentam sua vazão e as imagens ficam nítidas.

- Olhe bem, com tua visão destreinada. Aro perfeito de liga prateada é o teu olho, Fogo. Só lhe concerne o imaginário tolo que inseriu na cabeça dos mortais. Fúria abominável, deus sol, derrotado!

Corado e nervoso, Fogo afastou Água de seu lado e afundou a face quadrada na fumaça.

Na floresta mais densa:

- Rutila a revoada. Rosto roto. Reclamo o receptáculo.

- Elohim não permitirá que uma força demoníaca desnorteie a humanidade e aqui estou, pelos deuses do panteão, para frear tua gana.

- Ralha-te ruminante.

Vento dissolve seu corpo sobre a pedra preto-azeviche. Um aroma de eucalipto envolve o lugar.

No panteão Egrégora:

Fogo balança a cabeça de forma negativa. Joga o corpo em um pequeno monte de plumas.

- Bobagem a contenda. Aquele ser não tem forças para nada. A figura do diabo é mais interessante que aquele porco feito de ar.

- O conhecimento que leio naquele ser é mais vasto do que o nosso.

- Terra é um humano com regalias de um deus. Confiei-lhe a missão de deter Vento. Você está certo Água, o conhecimento alimentou o poder de seu irmão.

Um estrondo percorre o salão e pelas cortinas de cetim passam Tempo e Espirito de braços dados.

- Luz, seu velho! Abra logo as palavras para o expansivo Fogo.

- Não passam de enfeite, esquecidos até pelos terrenos.

- Fogo... Há uma década, Água encontrou a Rosa dos Ventos. Estava nas mãos de Vento.

Fogo ergueu-se sobressaltado. As plumas chamuscadas, voaram ao seu redor.

- Pilhéria, meu irmão. O inferno não pode conter a língua traiçoeira de Água. A Rosa dos Ventos foi-se com aquele vexame do Mar Morto.    

Ao redor do mundo:

Direita
Um carro permanece, boa parte da manhã, engripado no poste. O resgate já conduziu o motorista acidentado ao hospital mais próximo. O guarda de transito desvia o fluxo de veículos para uma rua adjacente. Donas de casa preparam doces de amêndoas seguindo a receita dada na televisão. 

Esquerda
Seguem os protestos na praça em frente à sede do governo. O bloco de pessoas entoa canções de cunho político. Apinham-se cartazes com mensagens sociais imperativas. Na segunda investida do batalhão de choque, os revoltosos são por fim dispersos. A contenção progride em direção ao rio, em meio a pau e pedras. Os contidos dão ré, em meio a gás e borracha. Um pedreiro coça sua cabeça ao observar o erro de medida na junção de duas paredes.

Cima
Numa plataforma, o monitor repassa instruções de como proceder para um salto bem sucedido. Mas uma das garotas chora compulsivamente. Talvez o salto seja cancelado. Uma jovem executiva dobra a barra de seu vestido enquanto aguarda um café expresso da maquina nova.

Baixo
Para levar o cervo abatido até a vila, três homens se prontificam. O caminho menos tortuoso é pelo rio. O bote é antigo, mas agüenta, em seu limite, o peso de todos. A cabeça do cervo segue submersa na água.

No panteão Egrégora:

Luz acaricia um globo espelhado. O sol reflete a manta de ouro que adorna seu corpo. Harpas flutuantes ressoam ao redor. Som derruba os instrumentos no chão e se ajoelha ao lado de Luz.

- Está certo da posse da Rosa dos Ventos? Água me contou os problemas recentes, entes, entes.

- Foi vista através da muralha de fumaça. Vento a manuseia todas as noites. Está aprendendo os mecanismos.

- Mas a peça é gigantesca. A própria Natureza a cunhou antes de entrar em transe. O querido Vento está fora de eixo. Que farei sem ele, ele, ele?

- Demônio esfolado do abismo de Furfur. Vaga no planeta desde o sempre. Nunca se deu o trabalho de pisar aqui em Egrégora.

- Ouço seu resmungo rouco. Terra está preso em seu próprio Elemental. Natureza poderia salvar sua forma humana daqueles galhos, galhos, galhos.

- A folha da floresta goteja uma seiva em seu dorso. Só o Tempo responde quando se livrará.

Tempo surge sem sua face na frente de Luz e Som.

- Digo que não tenho mais passagem a responder. Agora, antes ou depois. Espírito sentiu o limite há pouco. A última trava da Rosa dos Ventos foi deslocada por Vento.

- Baixo ente. Com ele não quero ter. Elohim deixou-nos a Rosa como sendo a guia de direções para os humanos. A mim, me corroeu por todo o sempre a curiosidade de saber o que aconteceria se a última trava direcional fosse deslocada. Mas o ato em si, gera temor.

Estalos ribombam do raio que hachura o céu. A pele de Luz retesa como a de um velho no frio. Fogo corre em direção à muralha verde de fumaça.

- A Rosa dos Ventos foi acionada!

Espírito encarna o corpo de Som.

- Você fala em temor, seu patético. Tu és um deus. Que são os humanos?

- Lunáticos, sim eles são, Espírito.

Água escorreu temeroso pelo piso de prata.

- Não subestimem a humanidade. Acontece agora uma catarse no planeta. Eles estão descobrindo a nova direção liberada por Vento. Vão vir todos nos visitar? Preparem-se.

- Espírito? Olhe minhas chamas. Ceifarei muitas vidas que aqui ousarem chegar.

Ao redor do mundo:

Direita
A aeronave, com duzentos passageiros, inclinou suas asas para baixo.
- Já vamos pousar?
- Não, não. Creio que não. Mal deixamos o aeroporto.
- Mas eu queria mesmo mudar. Ir para lá. O que você acha?

Esquerda
- Queridos, hoje vamos numa excursão.
- Professora, nós vamos para lá?
- Vamos sim... Por aqui, para lá.

Cima
Dois amigos conversam nas areias de uma praia.
- E é por isso que eu chamei a Carla para morar no meu apartamento.
- Sabe que penso agora, numa consciência de estar aqui e existir no mundo? Poderíamos...
- Ir pra lá? Vou ligar para a Carla quando chegarmos.
E os dois se juntaram a uma pequena turma de pescadores.

Baixo
Um comboio do exército sai de uma estrada esburacada na mata.
- E dá uma vontade, senhor, de metralhar qualquer um que não deixar a gente fazer um reconhecimento. Entende?
- É o que todo desbravador faz quando se move para lá, soldado.

No panteão Egrégora:

- Rompante risonho, revela revolta!

Vento percorre de uma ponta a outra a Egrégora.

- Já é tarde, Vento. Tarde para censurarmos seus atos. Tarde para desfazer a percepção dos homens. Brinque à vontade. Aguardemos a chegada de todos. É o momento de uma nova hierofania.

- É engraçado. Vejo as primeiras pessoas avançando nas novas terras. Qual poderia imaginar que além da direita, da esquerda, frente e atrás, baixo e cima, poderia ocultar-se uma direção completamente diferente? Pudera eu que tudo sei, ainda ter estas surpresas.

- Não, Espírito. Ainda pode se surpreender. Veja quem chega antes por nossas portas.

Terra passa por todos, sujando de lodo o caminho. Vento o encara com um sorriso aberto. Terra zune uma espada no ar e a crava no peito de Vento.

- Ele sangra! Oh Elohim, que mal foi liberado em ter alterado a Rosa dos Ventos?

Água abraçou Terra e cochichou em seu ouvido:

- Somos humanos, enfim?

- Foi o preço da catarse humana.

Os deuses debulham-se em lágrimas, desorientados pela Egregóra. Clamando pela força criadora maior, silenciosa em sua eternidade.

- Elohim, Elohim. Onde está tua força?

Uma nova direção:

- Olhe aquelas pessoas, filha. Parecem perdidas e confusas.
- Papai... Já que chegamos até aqui, que é lá, antes, quando havíamos partido, podemos fazer o que quisermos?
- Eu também me sinto estranho, filha. Mas eu tenho uma arma.
- Se o senhor tem uma arma é melhor começar a usar. O brutamonte de rosto quadrado está vindo com tudo na nossa direção.

“Atenção, aqui é o exército da ONU, afastem-se do perímetro e aguardem instruções”

- Permissão para abater a ameaça senhor.
- Deus! De onde surgiu aquele carniceiro?
- Ele veio... Aparentemente... De lá, senhor.
- Elimine o alvo, soldado. Vamos civilizar esta bela região. Há muito a se fazer.

3.10.12

Verter





Diz o líder a sua turba:

- De nossos próprios corações obtemos o cálice maior da pós-vida. A insegurança que habita nosso invólucro será execrada. Regressamos no pó do pó. Paz, como uma manta, a tudo preencherá.

O nome é Beatriz. Dezoito anos do corpo curvilíneo, moreno, tenaz. Olhos oblíquos, grandes e expressivos. Piscam em câmera lenta para o púlpito. Púlpito azul claro de pupilos estigmatizados. Púlpito de seda vermelha, pupilos despidos enfileirados. Palavras-verdade que doem num mantra interminável, indelével.

- A família externa é só, e assim foi por muito tempo, uma base borrada, à parte da verdade nua, primordial. Verdade una que te traz à família final, fraternal. Somos a cópula de amor. Final, una, fraternal, nua.

O coral suave repete palavras firmes. Quatro cantantes de tessitura alva, hipnotizante.
A melodia percorre o salão pobre de paredes descascadas, os pés de cinqüenta pessoas pisam a terra batida e o corpo balança num ir e vir sem sair do lugar.

- Já sabem. Já tem certeza. Seus pulsos firmes têm a decisão que lhes propicia uma eternidade tangível, confortável. Não cansa mais a procura do arroz e feijão, o abate da galinha, do porco, do boi. Vocês sabem que a verdade da fome é um câncer perigoso. Não é natural viver buscando o ouro para mastigar a comida. A natureza fornece o que comem aqui. E aqui, quantos cansaram o corpo por abater a galinha, o porco, o boi? Ninguém. Nenhum. Por que é tudo unificado. Somos um pensamento universal.

Rostos sorridentes, armados com dentes amarelos. Felicidade estampada. Balançavam mais e mais. Beatriz ergueu os braços finos, escorrendo os dedos nos longos cachos de cabelo. Esta feliz. Mais que um sorriso, ela ri. Risada aberta, honesta.

- Há meses lhes foi entregue a chave da verdade. A liberdade plena. O coração liberto. Somos especiais. Preparados para a grande viagem que a Luz nos preparou. Eu sou feliz, sou transbordante, pois a Luz visitou meu corpo sacro e através dele me faço de instrumento para que cada um de vocês prove a verdade. Caminha só quem tem o passo certo. Se você esta aqui, sinta meus olhos na sua alma. Sinta a unidade.

Sol ardente, escorrendo as três da tarde, nas janelas grandes e gradeadas do salão. O matagal alto, parado pela ausência do vento, vai de uma planície a outra. Terreno irregular, difícil de definir. No cenário picante deste isolado local, cinco homens correm selvagens, tropeçando e arfando. O retardatário, mais obeso, com olhos vermelhos e suor abundante olha para o céu. Ele avisa roucamente, os que vão à frente:

- Urubus. Urubus em circulo.

Não comentam a observação. Nem ao menos tiram o olhar do mato alto. Apertam a corrida e avançam. Surge um telhado cinza, metros à frente. E a visão vai se ampliando. Cruzam com uma placa de madeira espetada num toco, escrita à mão, lê-se Luz Eterna”. Os homens não param para ler. Já sabem onde estão. Eles conhecem o símbolo abaixo das letras, uma estrela com uma meia lua no centro.

- Ah meu Deus do céu. Ah meu Deus do céu. Proteja minha criança. Não vai dar tempo... Não vai dar... Meu Deus, por favor.

O homem a frente de todos suplica com voz embargada, olhos lacrimosos. Rosto moreno desmanchado em dor. Contrario ao corpo firme, resoluto nos passos corridos.

- Tenha fé. Tenha fé! Vai, vai, vai...

- O templo! Olhem lá.

As galinhas livres saltam e cacarejam, batem asas trombando nos homens. Porcos e bois dividem o mesmo cubículo de lama, alvoroçados com os esbaforidos recém-chegados. Corpos putrefatos, mal enterrados e exalando carniça, assustam os homens.

- Vamos irradiar a força do cosmo. É hora de atravessar o principio da Luz Eterna. Abençoados. Vocês são todos abençoados! Flutuem até minha alma. Flutuem até minha alma. Flutuem!

Correm pela lateral do salão. Um deles começa a bater no vidro, passando de janela em janela. Bate no vidro, puxa a grade. Força a visão para o lado de dentro. Há muita gente. Num púlpito improvisado com caixotes, um homem magérrimo, cabelos desgrenhados, seminu, aparece em êxtase discursando algo ininteligível.

- Beatriz! Beatriz! Beatriz! – Ele retira um revolver da cintura. – Beatriz Sanssamariana!

Todos os cinco sacam revolveres. Só há uma porta lateral, lacrada por tábuas grossas e acorrentadas.

- A minha família é a unidade da verdade que nos completa até hoje, aqui, no solo sagrado. É aqui que nossos corpos vão ficar! As carcaças sem brilho. Espera-nos a Luz Eterna.

“Luz Eterna”
“Luz Eterna”
“Luz Eterna”

Galões de cem litros, impulsionados por vários voluntários, caem no chão de terra batida. Beatriz retira a camisola. Todos os presentes retiram suas camisolas idênticas, brancas e surradas. O salão fede gasolina, empapada com a terra vermelha. No púlpito, o guru geme alto de olhos fechados. As cantantes do coral interrompem sua melodia de vogal única. Embocam mais gasolina sobre seu líder.

- Beatriz! Por favor, Beatriz! Sou eu... Seu pai, Beatriz. Beatriz! Aqui, Beatriz!

A jovem vira o rosto na direção do pai desesperado. Seus olhos estão vazios, sorrindo. Ela deita no chão. Todos deitam. Esfregam-se no lamaçal.

- Desgraçados... Desgraçados... Filhos da puta! Desgraçados! Ah Pai do céu! 

Ele se pendura na janela, tenta clarear sua visão da filha no meio da maçaroca de corpos. Os outros quatro homens já quase colocam a porta ao chão.

- O ser carnal e o ser espiritual são unos. Meu exterior é como o seu. O meu interior é como Deus. Seu interior é um reflexo do meu. Mas a Luz pede que nosso interior volte ao conjunto. O interior e o exterior não podem mais ser diferentes. O caminho sou eu. Seu corpo é meu. Sou você. Você é Deus.

O pai atira duas vezes em direção ao louco. Acerta a cabeça e o estomago do homem. A porta vai ao chão e o templo é invadido. O vidro estilhaçado cai sobre seus ombros e os olhos se fecham e se abrem. Uma luz clara e quente os invade. Segue um estampido alto e um calor insuportável. Todos os vidros estouram. Gritos pavorosos, gemidos. Corpos pegando fogo, debatendo-se porta a fora. O pai de costas no chão duro, chamuscado, procurando a silhueta da filha nas bolas de fogo. Caem as lágrimas, desesperado. É tarde demais! É tarde demais...

O Erro

§ O navio da humanidade tem, ao que se julga, um calado [distância entre o ponto de flutuação e a quilha da embarcação] sempre maior, quanto mais carregado for, quanto maior, acredita-se que mais profundo é o pensamento do homem, tanto mais seu sentimento é terno, que quanto maior estima tiver de si próprio, tanto maior será o seu afastamento dos outros animais, que quanto mais ele aparecer como gênio entre os animais, tanto mais se aproxima da essência real do mundo e de seu conhecimento, mas julga faze-lo por meio de suas religiões e de suas artes. Estas foram, em verdade, uma floração do mundo, mas que não está de modo algum, mais próximo da raiz do mundo. Não se pode, de modo algum tirar delas uma melhor compreensão da essência das coisas, embora quase todos acreditem que sim. O Erro! O erro tornou o homem tão profundo, tão sensível, tão criativo, que produziu uma flor tal como são as religiões e as artes. O conhecimento puro não teria tido condições de faze-lo. - Quem desvenda-se a essência do mundo nos daria a todos a mais desagradável desilusão. Não é o mundo como coisa em si, mas o mundo como noção [Erro], que é tão rico de sentimento, tão profundo, tão maravilhoso, trazendo em seu seio a felicidade e a infelicidade. Esse resultado leva a um conceito da "negação lógica do mundo", a qual de resto, tanto pode conciliar com uma afirmação prática do mundo como o seu contrário.

29.9.12

Relato de experiência.


Uma lagarta verde, de feições bélicas, sempre andava por aquele jardim. Sim, era um jardim. Nada mais, nada menos: um jardim. Um jardim com grama curta, bem cortada, mas, em contraste, belas flores pareciam florescer ao natural. Flores roots, incivilizadas, ou melhor, anti-civilizatórias. Devia ser por esse motivo ideológico, do complexo cultural do grupo das flores anti, que a lagarta verde de feições bélicas – que sempre andava por aquele jardim – era olhada de forma torta, enviezada, carcomida. Devia ser por isso... Afinal, a lagarta verde – de feições bélicas – era uma destas de assustar. Vocês sabiam que ela quando mordia lambia os beiços e depois, displicentemente, tencionava a cabeça à esquerda? Além disso, o mais irritante era que ela pousava as patas umas sobre as outras, demonstrando sua superioridade diante do malgrado objeto de seu desprezo.

 

Eu sei que tudo isso parece muito estranho. Também parecia para mim, até o dia em que, ao desligar as luzes de natal do jardim, tomei uma baita mordida. Ela era assim, acreditem! Esnobe, civilizatória, debochada e de feições bélicas. Era uma lagarta e tanto! Suas decisões eram imediatas, sem frescor ou necessidade de esclarecimentos. Preto no branco. Isso ou aquilo. E as flores rootsnão gostavam dela. É verdade que o fato dela as comer pode ter alguma influência neste julgamento. Talvez elas nem possam exprimir seu juízo, como partes interessadas! É o que penso!

 

Neste tribunal de jardim, as coisas funcionavam assim. Um dedo a mais, um dedo a menos, já não me importava – naquela época – de ter mais dedos mordidos pela safada da lagarta verde – de feições bélicas -. A safada verde, alargatada, um dia sem eira nem beira, sem explicações ou circunstâncias, apareceu com uma nova sacada. Ela simplesmente subiu pela mangueira do jardim e comeu um pedaço da porcaria da borrachada da mangueira.

 

Vocês imaginem a cena! Uma lagarta verde – de feições bélicas – comendo uma mangueira. Isso nunca me havia ocorrido e as pobres flores anti também não – é claro. Tamanha foi a surpresa que as flores intervieram agressivamente: balançavam-se para um lado e para o outro em legítimo protesto anti-civilizatório. Como diabos poderia uma lagarta verde – de feições bélicas – morder e COMER uma mangueira de jardim de plástico? Mas, queridos amigos, não sei em que medida o vento ajudou, mas vi com estes olhos, que compõe meu rosto alerta, esta cena! E na medida em que a lagarta mastigava era como se o tempo ficasse em flashes, câmera lenta, e muito do que era natural se revelou e se desmanchou, como em um quadro de Salvador Dali. Derretidamente, indiscetamente e até inadivertidamente, cada vez mais seres tomaram aquele veneno visual para si, contorcendo-se internamente, inteiramente, inadivertidamente.

 

Nenhum ser mortal gostaria de ver aquela cena. E tão logo a lagarta verde – de feições bélicas – comeu o plástico da mangueira a água jorrou. Jorrou. Jorrou. Jorrou a água. A água jorrou sobremaneira. Imaginem! O quintal, o universo, parecia que tudo estava enxaguado. Muita morte aconteceu. Formigas viram tsunamis. E até o cachorro Bobby, de quem invejamos a imaginação, sucumbiu ao espanto.

 

Soube, de fontes preciosas, não de água ou mangueira, que a lagarta verde – de feições bélicas, dirigiu-se em um meio de transporte designa não oficialmente como jacaré, para um espaço estranho, distinto, invulgar. Lá, defrontou-se com alguns caminhos. Não sabia como voltar ao jardim, onde tudo começara. Pobre lagarta, pensei. Ela, por outro lado, o que haveria pensado para atravessar linhas tão perigosas?

 

Dizem as más línguas – floridas línguas – que a lagarta verde e humanizada (de feições confusas) nunca mais apareceu por estas bandas.

Você não está levando fé...


...mas se quiser, eu vendo um pouco da minha!

Antigamente, "" era vendida dentro de bonitas garrafas abaloadas, revestidas por papiro e com tampa de pedra pomes, vinha numa bonita cesta trançada de palha, volteada por damascos tenros e perfumados. Hoje em dia é produto que não é entregue de forma tão elegante.

Entrego o produto num belo embrulhinho de papel crepom, com fita de cetim e bilhetinho desejando Boas Novas e Temperança. 

Tratar aqui, no Tudismocroned

27.9.12

Balaço da Absolvição em dó maior

Roda Punk de Cosme Damião


Jean-François Champollion - o pai de São Cosme e Damião. Produziu, açucarou e embalou o primeiro doce coletivo do Egito: A pedra de Rosetta - Sabor Caramelo.

Viva Cosme e Damião, a segunda artimanha mais bizarra para o rapto de crianças!

Dia que a bruxa velha coloca chumbinho na bala de hortelã e embala no papel escrito Slang Dãm.



Contorama da verdade alternativa




Agora versão definitiva em HD:

http://astromiau.blogspot.com.br/2014/08/antes-que-dicotomia-invencivel-nos-pegue.html


Notas sobre Gordura

Só é gordo come quem quer.

Gordo é, sobretudo uma cobertura de requeijão, um ser religioso.

Lembretes na geladeira sobre Deus Bacon e cotações de mercado.

Gordura com hachura ###### não é estria.




Sincronicidade garantida em qualquer planeta com g¹rav²idade³.

Arts Insolites HOJE e não AMANHÃ





16.9.12

Hail Limpang-Tung!!!

O universo é uma grande piada, rir com ele é uma questão primordial de sobrevivencia pra esta espécie em extinção, que é o ser pensante...
"O riso é um dos mais excelentes sermões, uma espécie de terra de ninguém entre a fé e o desespero. Preservamos nossa sanidade rindo dos absurdos superficiais da vida"... (Reinhold Niebuhr)

646410M me disse em sonhos que os sonhos sempre são uma entrada a outras realidades, e estas outras realidades coexistem de uma maneira harmoniosamente caótica. Alternando-se no espaço tempo, ora pro passado, ora pro futuro... E as vezes, pra um canto misterioso, sem tempo.

"é dever de todo discordiano promover a discórdia pelo espaço-tempo fazendo seus interlocutores sofrem de terríveis fnords neurolépticos" (Papiza Radika, A insana)

Ou seja: nesse grande barco furado em que navegamos com a água a molhar nossos fundilhos devemos gerar um estado de incrivel inconformormidade para com o barco, a questão de navegar em si, e mesmo a temperatura da água, e porque ela não molha os fundilhos do vizinho... Mas mesmo e apesar de tudo... Gargalhemos com os fundilhos molhados!

                                  Ergamos um altar a Limpang-Tung!!!

Limpang-Tung, o deus da hilariedade e dos melodiosos menestréis, de Lord Dunsany...
"Enviarei gracejos ao mundo e um pouco de hilariedade. E quando a morte te parecer tão distante quanto as encostas púrpuras das montanhas, ou o sofrimento tão distante quanto as chuvas nos dias azuis de verão, reza então para Limpang-Tung. Mas quando ficares velho, ou antes de morreres, não reza para Limpang-Tung, pois te tornaste parte de um esquema que ele não compreende."
"Sai para a noite estrelada, e Limpang-Tung bailará contigo...Oferece um gracejo a Limpang-Tung; apenas, não reza em tua dor para Limpang-Tung, pois da dor ele diz: 'Deve ser muito engenhosa da parte dos Deuses', mas ele não a compreende"
. (The Gods of Pagana).

Kierkegaard imaginou certa vez um filósofo espirrando ao registrar uma de suas frases profundas. Como poderia tal homem, perguntou-se, levar sua metafísica a sério?
(Pode-se deduzir daí que este senhor estava tendo uma incrível crise de bobose ao achar graça de um espirro imaginário, mas na real isso foi extraído de um livro, e como eu não estava lá pra saber o que realmente ocorreu, transcrevo aqui tal qual li, apenas para ilustração.)

A vida vista racionalmente e sem ilusão, parece ser uma história disparatada contada por um matemático idiota. No cerne das coisas a ciência só encontra uma louca e infindável quadrilha de Ondas da Tartaruga Falsa e Partículas de Grifo. Por um momento as ondas e as partículas dançam em padrões grotescos, inconcebíveis, capazes de refletir apenas seu próprio absurdo. Todos nós vivemos vidas burlescas sob uma inexplicável sentença de morte, e, quando tentamos descobrir o que as autoridades do Castelo querem que façamos, somos encaminhados de um burocrata para outro. Não temos sequer certeza de que o dono do Castelo realmente existe.




para constar

Existem coisas GENIAIS & coisas SUBGENIAIS.

13.9.12

Bebês do Abismo

Reinaldo Ribeiro
Pelo fim das certezas e o advento da ignorância, urge a entrega ao vazio. Nada em excesso! Cada vez mais Nada, pelo fim do jugo da razão! Respire fundo, vai ser preciso: vamos falar dos Bebês do Abismo. Um bebê? Um bebê? Inocentes criaturas rechonchudas moldando a massa bruta dos devires, hesitantes senhores das marionetes. Queres razão? Queres fé? Dance com os mutantes, dance! Crie, destrua, divirta-se, goze no Vácuo da sopa caótica. Deleite-se com o simples prazer do 'Não'. Estamos aqui como um pelotão de fuzilamento que não tem munição e como o condenado que prefere não ver seu último desejo atendido. Somos pela nossa verdade contra a sua, pela criação de mundos contra a realidade consensual, pela ociosidade criativa contra o esforço estéril, pela incerteza contra a segurança, pela doença venérea contra o ataque cardíaco, pela bobagem contra a coerência, contra a ganância pela mendicância, e assim por diante, porque isto já está cansando. Jesus se matou. (Todos nós, deuses sacrificados, sabemos do que falo.) Quem quer que já tenha tido um orgasmo sabe que a morte é nossa única amiga. Mas não se deve irritá-la, já que a dama pode te fazer viver & sofrer infinitas outras vidas, e muita lenga-lenga entre elas, até o próximo orgasmo. (Será que pode mesmo?) "Todo êxtase é fugidio, todo prazer ilusão." Que belo Buda que nos destes, Senhor. Nem podemos nos contentar com umas mentirinhas inofensivas e com alguma fé idiota (e há fé que não o seja?) que nos deixe pastando felizes e completos? (Completos... A compleição será mais do que a felicidade?) Sou apenas mais um que pensa, e por pensar pensa que pensa o que pensa pensar. (Ao estilo de uma poesia de Pessoa eu penso ser uma pessoa que pensa como Pessoa - mas eu não passo de um heterônimo mal criado.)

12.9.12

devaneios e ilusões sobre a discórdia


A discórdia se tornou algo tão sublime
mas tão sublime em minha vida, que está encarregada e repleta
das melhores pontuações e princípios artísticos (ou não).

Isso se deve ao mito erisiano, e aos cachorros-quentes
das sextas (das sextas para os discordianos exotéricos)
e dos demais dias da não-semana (para os discordianos
esotéricos).

Hoje eu afirmo que sou a porra toda, mas nunca irei afirmar
que sou um discordianista, pois o auge da percepção
da discórdia é discordar de si mesma enquanto percepção e prática.

por isso que eu sou um discordiano!
vida longa para essa porra,
fodendo tudo num raio do raio que o parta! hello kitty.

Ass: Rabelowa.

11.9.12

até mais e obrigado pelos peixes.....





Sabe o que é isso cara?
Estou vindo de um lugar muito bom cara
Um dia de bebidas comidas e deuses cara
Você não sabe de onde estou vindo cara
Do baixo submundo até o alto maypole você não sabe de onde estou vindo
Mas isto não te interessa cara
É apenas escritos de um cara muiro bêbado cara
É  isso que pecisamos nessa sociedade cara
Gente alterada cara
Estou alterado e contando a você minhas divindades cara
Meus deuses que você não enxerga cara
Agora com Aarni baixa coisas que nem sei dizer em especial
Tudo vem até mim de outros lugares cara
Sou Xamã e você acha loucura cara
Sou nada e esses escritos idiotas são só pra distrair cara
Apenas pra distrair cara
Meus deuses dançam dentro de mim cara
E você nem sabe do que estou falando cara
Falando de coisas sem substancias com muita importancia eu te digo
Mais que outros te dizem
Eu sou Vortek e você nem sabe o que isso significa cara
Vi demônios a dançarem comigo e me levarem até o abismo da descrença
Vi e senti que tudo  havia terminado
Vi e senti tudo que havia de loucura
E agora volto com uma garrafa na mão com um mundo ainda florecendo
E espalhando e trocando vida com muitos ainda despertos
Esse mundo é aquilo que nós moldamos dentro de nós
Nada disto faz sentido claro que não
Estou bêbado vomitando por ruas vazias nem tão vazias de casais homossexuais se beijando
Em eterna kundaline inversa
Se pudesse transcrever o que vejo e sinto isso seria maravilhoso e faria chorar
Você não sabe quem sou eu e nem eu sei quem sou
Mas faria chorar
Como o faraó chorou ao ver Nuit desnuda para ele
E você choraria ao ver o que pulsa em cada um de nós
Choraria
Ou isso é delirio de um bêbado voltando pela noite por ruas de vielas infestadas de morte e sexo se abraçando
Eu vejo poesia na morte e no sexo entre casais morrendo por orgasmo
Eu vejo você e você não sabe quem sou eu mas eu vejo todos neste mar de esperma noturno
Nuit grita de prazer em nos ver andando assim e contando historias
Não dá pra contar tudo o que vejo assim do nada
A transliteração é limitada
Se pudsse passar as sensações e visões e tudo seria maravilhoso
Este post é em estado alterado me prendam filhos da puta caçadores de liberdade
Estou voltando por ruas onde vejo Guede e Barão Samedhe sexo e morte no portão do alvorecer
Nem sei o que estou escrevendo
Foda-se  a censura regras limites e convenções
Foi um dia ótimo entre amigos em varios níveis
Estou alterado e  bêbado
Deuses gritam para mim em extase quando isso acontece
Sou avatar de deuses que querem a morte e sexo em prazeres antes culpados de santos
Não digo coisa com coisa cabe a você a decifrar  nada do que digo
Isso é nada e tudo de um ser chamado individuo
O que você faz da existencia que ainda se prende a paletós e gravata
Sou avatar de tudo que é quebra e tudo que é projeto mayhem
Destruição de tudo que é aprisionamento estou transliterando
Para passar nada que é uma bebedeira  alterado de conciencia atraves de integração com o SAG
E NADA QUE É FNORD
Nada é verdadeiro e vc tambem não é para mim
Eu sou verdadeiro para você?
Nada disso será alterado todos o erros serão deixados para vc enetnder que nada é perfeito a menosn uqe vc retorne ao caminho e conserte FNORD
Lemuria é só chamada de sonhos dentro de historias de coelhos brancos
Eu sou Vortek nome escolhido por vontade propria indo contra o que me impuseram
Não sei de nada e vc sabe de algo?
Da minha vergonha em liberdade e divindade eu exclamo como Crowley sabia
e Spare pintava
Meu deus grita por liberdade por meu amor e liberdade
Minhha vontade não é para este mundo em sabedoria de sangue antigo
Sou tudo e nada para vocês e nada e tudo para minhas visões
Nada disto será tocado e será mantido assim como sai
Me xinguem de idiota louco estupido
Porque sou isso e muito mais
Nada disso é fruto de sanidade esteril e sim de loucura fertil
Sou mais que muitos e nada de poucos
Sou todos
Sou Crowley e sou Spare sou palhaço e sou santo e sou parvo
Quando lhes digo nada e muito
Nada é tudo que o vazio lhes empresta para a iluminação
Estou deixando o momentum escrever já que não posso passar o que senti quando voltava deste dia maravilhoso
Nas vielas de um caminhante bêbado eu vi  o nada que significava tudo em momentos de tentaculares sensações
Eu sou amor ódio sexo e aventura moldados em corpo humano desventuroso de formas limitadas do julgamento judeu
As portas me arrepiam em formas de chamadas de Enoch agora canta
Será que alguem entenderá essas coisas que escrevo ou será melhor não entenderem mesmo
Deuses do outras esferas me dizem que nada faz sentido quando você pensa em sentido
Odin diz que devo levantar mais uma caneca com bebida e verter meu sangue para rejuvenecer
Nada faz sentido e para você eu sou louco sem tempo escrevendo isso
Volto por ruas a noite onde Guede dança com prostitutas do alvorecer
Você não sabe ou não entende isso
Está aprisionado contexto de certo e errado e ainda busca por sentido onde sua mente diz que nao há
Sou mais que você
Menos que todo mundo
Vejo que você não vê onde cato toda essa loucura estupida
E eu vejo que você fica sentado entrevendo sua morte em telas translucidas de TV
Eu vejo deuses possuindo meu corpo com prazer em circulos de sangue e magia
Eu vejo e sinto deuses cantando dentro de mim aonde você só enxerga falsarios vazios se passando por deuses
Eu ando cambaleando fazendo poemas desconexos sobre minha vida em noites amorosas abraçado por concubinas de amor puro
E você
O que sente?
A garrafa está a meu lado e você nem sabe o que corre em meu sangue
Constantine estava certo
Se você me mordesse
Cuidado
Você não sabe o que corre em meu sangue
Veneno puro para escravos do dia a dia estupido
Nectar dos deuses para os livre de coração do alvorecer de Sirius
Só verborragia pura de um idiota iluminado onde não tem onde colocar sua propria iluminação
Estou bêbado de nectar dos deuses
Música, bebida e pessoas
Pessoas que me mostram que ainda é bom caminhar sobre esse planeta imbecil
Governado por idiotas
E seguido por escravos
Não sou escravo sou aquilo que você mais odeia
Sou aquilo que você mais despreza
Sou EU
Com vario nomes
E você não entende
Acha estranho
E temeroso
Se eu pudesse escrever as sensações que sinto ao voltar para cá
Eu escrevia
Mas não sou bom escritor
Nem bom contador de historias
Sou Vortek
Vórtice confuso de muitas estações
Mas que baboseira sem tamanha de nada sem sentido
Mas todos somos baboseiras sem tamanho sem sentido dando sentido a algo chamado Universo
Estou cansado agora e que se foda os erros você que cate as referencias se tiver paciencia
Vou ali cair um momento
Adeus
Tchau
E obrigado pelos peixes



9.9.12

Personal Stylist

eis que sua mãe lhe pede uma sugestão:
-QUE SAPATO EU DEVO USAR?
-Eris, consultora de moda.