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20.9.07

Projeto Alzheimer neele!!! ou "Superar / Esquecer Deus"

Eis uma proposta cotidiana de mindfuck: não é nada grande ou mesmo importante, mas você tem a chance de fazer todo dia; quer dizer, pode vir a ter chance todo dia.

A questão é que se quisermos ter uma sociedade mais crítica, ainda “começando das atitudes menores”, podemos fazer isso diariamente e conciliar isso com a operação:mindfuck – e olha, acho que podemos fazer alguma coisa com essa idéia, de verdade.

A noção é a seguinte: vamos simplesmente apagar a palavra “Deus” da nossa memória. É claro que a deidade de Éris é notória na nossa (des)religião, mas podemos colocá-la como parte II do plano. A primeira parte é literalmente... Esquecer Deus.

(Todas as conversas são fictícias)

- Credo... Falando assim, até parece que não acredita em Deus...
- Acreditar em quem?
- Dã...
- Hã? Não entendi.
- Pff...

E a pessoa deixa pra lá.

Mas talvez, quem sabe outro dia, ela volte a falar nisso...

- Quem?
- Deeeeuuss!! Caramba, tá surdo?
- Não, eu ouvi o que você falou, porra. Mas quem é?
- Hã? Tá ficando maluco?
- Não. Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui e quem é esse tal de Deus? (olhando sério e perplexo).
- Ah, sério cara, você tá me irritando.
- Ah! Essa é boa! Fica aí falando desse cara que eu nem conheço, e agora vem dizer que eu to te irritando? Qual é?
- Ah, cala a boca vai...

Um dia ele embarca na brincadeira.

- Deus, aquele que criou o mundo...
- Aaahh... E onde é que ele tá?
- Ele tá em... Em todo o lugar!! (lembrando que ele tá achando isso brincadeira, e tá se deixando levar por ela).
- Humm... Mas como ele pode fazer isso?
- Porque... Ele pode, ué.
E por aí a coisa vai.

Sacaram? O importante não é fingir que não sabe quem é. O importante é não saber quem é. O importante é jamais deixar o teatro, jamais. Interpretar sempre. Nunca, jamais rir das próprias perguntas desinteressadas – e não ser irônico nelas. É mais ou menos como perguntar de alguém que você não conhece. Deve ser exatamente a mesma coisa que perguntar de alguém que você não conhece.

Pode parecer idiota, mas isso é ou não é afinal de contas mindfuck? Vou reiterar aqui, o negócio não é ficar meia hora pras pessoas acharem engraçado e depois rir junto. É justamente interpretar o tempo todo. Não importa com quem. Aliás, é mais importante atuar com quem você não conhece. Aí é que fica difícil; o mindfuck é efetivo aí, pois as pessoas que te conhecem podem levar isso na brincadeira, de forma que não se deixem afetar por isso ou simplesmente, como já te conhecem, sabem o que isso significa – uma, digamos assim, exteriorização dos pensamentos agnósticos / discordianos mais profundos.

Mas sabe qual é o mais importante? Não é fazer com adultos. O mindfuck vai servir neles; vai mexer um pouco com os mais straight-mind. O importante é fazer com crianças que acreditam em Deus. Aquelas que as mães botam pra rezar antes de dormir. Aí é que é importante.

- Mas você já o viu? (pra criança)
- Bom... Ver eu não viiii... Mas...
- Aaahh!! Então como é que você pode dizer que existe??
- Porque, porque a minha mãe diiisse que ele...
- Aaah... Então pede pra tua mãe mostrar quando você chegar em casa!!
E coisas do gênero.

Mas e se alguém souber do nosso discordianismo e disser: “você não tem Éris? Eu tenho o meu Deus!”

Aí é só falar:

“Aaaaaaahhhhhh...! Então Deus é uma brincadeira também. Ufa. Tava ficando com medo desse cara já...”

ESQUEÇA DEUS
ISTO COMEÇA AGORA!
ESQUEÇA DEUS!
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Esquecer quem mesmo?

11.4.07

Manifesto da Filosofia Bozo

por Rev. Ibrahim Cesar


Não, os filósofos que seguiram a auto-denominada Filosofia Bozo jamais se levaram a sério. Na verdade, de acordo com o ponto de vista de muitos deles, não havia outra forma de se levar. O principal ponto de ruptura que caracterizou o movimento como uma filosofia diferenciada foi que, se antes tentava-se entender o mundo ou ensinar aos homens o-que-quer-que-seja, isso foi totalmente desprezado pela Filosofia Bozo. Que declarou por um de seus porta-vozes:

"Nosso objetivo é matá-los. Matá-los de rir."

Ora, dizem eles, caso a filosofia se ocupasse de julgar um dos grandes assuntos e chegasse a um veredito sobre isso, digamos sobre a existência ou a não-existência de deus, que impacto isso teria?

No dia seguinte a tal veredito, de certo as pessoas acordariam como todas as outras manhãs, fariam suas coisas e viveriam como todos os outros dias

A Filosofia Bozo apenas assumiu o que se sabia desde sempre: Não é possível ensinar a quem quer que seja aquilo que ele já acha que sabe.

DEFINIÇÃO DE FILOSOFIA BOZO

A Filosofia Bozo não têm definição e isto vêm direto das páginas do Principia Discordia como muitos devem ter notado. De fato é altamente documentado que os primeiros a aderir ao movimento eram de fato discordianos ou simpatizantes e usaram muitos conceitos discordianos em seus trabalhos.

Rev. Ibrahim Cesar chegou a declarar que a Filosofia Bozo guardada as devidas proporções era uma tentativa de criar um discordianismo laico. Muitos detratores tentavam denunciar essa ligação da Filosofia Bozo com o Discordianismo, como o objetivo de uma se parecia muito com que no Discordianismo se chama Operação:Mindfuck. “A Filosofia Bozo não passa de Mindfuck!” declaravam aos berros ao que eram respondidos em meio a troças deles: “Dizer que a Filosofia Bozo é Mindfuck, é Mindfuck”

Eles queriam resgatar o protagonismo da filosofia que hoje não passava de uma tia velha que ninguém mais dá atenção.

"Estamos cansados de filosofos dedicarem suas vidas a reinterpretarem Nietzsche, Hegel e Kant. Eles estão mortos. A morte sempre teve uma importância fundamental no pensamento humano pois ela elimina os conservadores da geração anterior, relutantes em abandonar uma teoria velha e falaciosa para adotar uma nova e mais precisa. A Filosofia Bozo é imediatista. Queremos falar do aqui e agora e não rever a moral da Grécia Antiga."

Foi no Manifesto da Filosofia Bozo publicado pela primeira vez na Cabala 1001 Gatos de Schrödinger que Rev. Ibrahim Cesar declarou iniciado o movimento com estas palavras:

"Eu sou Rev. Ibrahim Cesar e estou me citando na terceira pessoa a fim de conseguir a tão almejada imparcialidade. Eu declaro que a Filosofia Bozo começa em 5,4,3,2,1…AGORA!"