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9.2.15
TRIVIALISMO
16.11.14
O dia em que Nietzsche foi no Super Pop
Em seu primeiro livro, O Nascimento da Tragédia, Nietzsche faz uma exaltação à cultura pré-socrática. Segundo ele, depois de sócrates a humanidade entrou em um ciclo de decadência cultural que perdura até os dias de hoje. A argumentação do bigodudo era mais ou menos assim.
Durante as celebrações rituais das tragédias, os gregos cultuavam dois deuses opostos e complementares. Apolo, o deus das formas ideiais, da ordem e do mundo perfeitos dos sonhos e Dioniso, o deus da fertilidade, da orgia e da sensualidade. Em um resumo grosseiro, Apolo seria o deus das expressões mentais enquanto Dioniso se encarregaria das expressões corporais. A tragédia grega unia estas duas figuras opostas, fazendo daquela cultura a mais perfeita da história da civilização. Dionisíaca e apolínia, a civilização mais bem resolvida consigo mesma, por assim dizer.
Com a filosofia de Sócrates esse par perfeito de desfez e o apolínio passou a sobrepujar o dionisíaco. E o cristianismo ainda calhou de cimentar ainda mais essa visão de mundo ao decretar que e pecado estava na carne. Durante a idade média esse pensamento gerou muitas atrocidades. Com o renascimento a humanidade teve sua chance de ouro para resgatar a glória dos velhos tempos, no entanto a nascente burguesia, na hora de resgatar o período classico grego, focou-se na filosofia socrética e Dioniso continuou escanteado.
Com a ascenção da burguesia e o surgimento do conceito de alta cultura, Apolo passou definitivamente a dar as cartas no mundo da arte. Mas o povão, esta imensa massa de seres rudes e incultos, manteve em suas festas e carnavais a chama dionisíaca acesa. E aqui é chegado o momento de apertarmos o botão Go Future de nossa hipotética máquina do tempo e trazermos nosso polêmico filosofo alemão, das frias salas de aula da Basiléia para as quentes periferias de Belem.
- Olá Fritz?
- Opa!
- Cara, esse teu bigode hoje em dia está meio demodê, mas vou te levar numa balada que talvez você ache interessante.
- Balada? Você está maluco? Fui eu cunhei a famosa expressão "Deus está morto", você está me convidando para ouvir o sino de uma igreja badalar?
- Não cara, trata-se de uma festa popular.
- Festa popular? Só de for agora.
Embarcamos nosso livre pensador em um confortável pô pô pô e o conduzimos até uma apresentação da aparelhagem Super Pop na Ilha do Mosqueiro. Ao nos aproximarmos ele já começa a demonstrar sinais de excitação ao notar as luzes coloridas e aquelas retumbantes batidas. Ao chegarmos no local seus olhos brilham, seus braços se agitam e tomado por um frenesi incontrolável começa a exclamar aos berros, mal acostumado coitado com tamanha potência sonora.
- Pelas basrbas de Netuno! O que é isso meu jovem? O que é esta música?! O que é esta dança?!
- É tecnomelody véinho!
- Rapaz como o povo evuiu! Nada daqueles carnavais italianos com gente suja e fedendo a mijo e esterco, sinto-me inebriado com o perfume dessas belas moçoilas! Se me permitido fosse trazer Lou Salomé a uma festa como essa, eu não teria levado aquele inexorável pé na bunda. Onde está a estátua de Dionísio?
- Bom, observe aquela cabine lá no centro, onde estão aqueles dois caras.
- Hummm, quem são?
- Elisson e Juninho.
- Entendi, Aguia de Fogo é o simbolismo de Dionisio e pode me levar de volta pra Basiléia, voltarei embriagado do mais puro sentimento de esperança, agora sei que um futuro promissor espera pelos pobres seres do século XIX.
Esta alegoria pode soar como piada para muitos incautos. Talvez seja, mas o preconceito que nossas elites culturais paraenses alimentam contra o tecnomelody, será que não um pouquinho a ver com o desprezo pelo corpo e pela sensualidade que o excesso apolínio impôs a sua cultura? Será que as manifestações culturais populares, que mais do que em qualquer outro país do mundo, estão arrombando as portas da cultura de massas, não farão do Brasil o palco de uma nova renascença? Será? Hein? Que tal?
1.3.09
12.11.07
Porque o Fernando está errado (e eu também)
Para mim, o Fernando está correto.
Recentemente tenho notado uma certa tendência dogmática entre alguns membros mais novos da nossa Sociedade Discordiana (a qual você está filiado quando menos espera, e não paga taxas de adesão, ao contrário deles) algo como: “O Discordianismo é assim e assado!” ou “Todos os cristãos são estúpidos!” ou “Todas as batatas fazem parte de uma conspiração para o controle do mercado de hortifrutigranjeiros!” e defendem isso até o fim (que na internet, não é muita coisa)
Idéias são ferramentas. Ou pelo menos, no meu atual estado de consciência, ver idéias como ferramentas me parece o modelo mais adequado para a sua compreensão. (Agora RAW está satisfeito) Acreditar em Deus pode ser uma forma de ver a realidade, mas também tem uma utilidade intrínseca, senão não seria uma idéia muito popular. Não acreditar em Deus também pode ser uma forma de ver a realidade e também tem utilidade. Transformar o dinheiro em divindade é uma ferramenta. Não colocar foco nenhum no dinheiro também é. Sigilizar uma feijoada, orar para Ganesh, e jogar búzios são utilizações de ferramentas assim como projetar um prédio e pintar um quadro. Idéias podem ser manipuladas. (Publicitários, Marketeiros de Guerrilha, Alguns Tipos de Loucos e os futuros Engenheiros Meméticos diriam (ou dirão) que elas devem ser manipuladas)
Comentei há pouco tempo atrás no blog do Franco-Atirador que às vezes, as pessoas controlam as idéias, mas às vezes, as idéias controlam as pessoas. Isto é muito mau.
Como o Grant Morrison fala no Pop Magic, observe a si mesmo, constantemente. Faça uma constante autocrítica, e muitas coisas vão se explicar sozinhas. Muitas vezes, ao decorrer desse exercício, você vai se pegar defendendo posições irracionais apenas por afinidade a uma idéia. (ou a pessoa (ou grupo) que lhe passou aquela idéia)
Então senhores, é tudo muito simples:
“Todas as afirmações são verdadeiras em algum sentido, falsas em algum sentido, absurdas em algum sentido, verdadeiras e falsas em algum sentido, verdadeiras e absurdas em algum sentido, falsas e absurdas em algum sentido e verdadeiras, falsas e absurdas em algum sentido.”
Espero que agora tenha feito sentido.
22.6.07
Vladimir Jankélévitch, um dos grandes filósofos judeus do século XX, salientou num dos seus textos que "o humor, que é a superconsciência ironizando sobre a contradição, sabendo a contradição contraditória, dominando a contradição, também é uma das nossas especialidades. Aqueles que vivem um problema desse género fazem dele um jogo, mas um jogo sério. O humor é a evasão da má consciência pela liberdade; é ele que pacifica a insolúvel contradição; o humor preservava-nos do desespero quando sofríamos e agora entretém-nos nessa vivacidade que é também um dos traços que distingue a alma judaica."
mais em o b v i o u s
22.2.07
Organizando para DesOrganizar a sua cabeça:
-> Literatura Freak <-
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30.5.05
"tanto relações de oposição quanto de complementariedade podem ser construídas para descrever o mundo, e ambas são igualmente válidas
o uso de um ou do outro conceito é mais apropriado em situações diferentes, por razões práticas
escolher pensar apenas em termos de complementariedade é equivalente a escolher pensar apenas em termos de oposição: ambos equivalem a adotar um referencial absoluto, e assim limitar nossa percepção do todo" - Reverendo Ale
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=47726&tid=159563
27.5.05
"Nada é oposto, tudo é complemento do mesmo em um grau diferente, como Frio e Calor, sensações térmicas que não podemos determinar onde uma começa ou acaba, pois são aspectos diferentes de uma coisa apenas...
É isso..." - Reverendo Thiago
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=47726&tid=159563
