A produção e santificação de heróis populares. O condivíduo é a
potencialização da subversão. E essa é a introdução... Não pretendo aqui
fazer um ensaio ou uma análise acadêmica. Essa é a idéia que bateu e
escrevi. Vejamos...
Segundo Weber há três tipos de poder: o carismático,
o tradicional e o racional. O racional é o Estado hoje, que é impessoal
e despersonalizado: uma mudança de presidente não afetará em nada a
máquina do Estado. Quanto mais o poder racional for impessoal mais fraco
ele será, pois a falta de figura do soberano (rei, por exemplo) para
causar medo ou amor na multidão deixa a mercê da mesma - estamos em
território inimigo, e o inimigo está em nós. Não há mais o 'vigiar &
punir'.
As instituições coercitivas agora estão dentro de todos. Já o
poder carismático é aquele que movimenta a história, ou seja, as
celebridades, os líderes! Um exemplo é a democracia na modernidade onde
um líder faz com que a multidão siga-o e fique calada. Outro exemplo,
Lênin como o profeta e grande líder. Nessa situação, os anarquistas
ficaram em um beco escuro e fedido: se os líderes é que movimentam a
história, o que fazer? Afinal, como resolveriam isso, já que líderes são
como demônios para eles? É, parece que a teoria anarquista deu com os
burros na água....mero engano. QUALQUER UM PODE SER TIMÓTEO PINTO!!!
Timóteo
Pinto: todos que assumem a identidade do condivíduo são os tais líderes
que Weber diz. A história da humanidade não fica mais nas mãos de líder
Che Guevara ou líder Lênin, há o retorno para a mão dos homens do
controle sobre a história: todos são Timóteo Pinto. O resultado dessa
"brincadeira de adolescentes", segundo o main stream que fora fraudado
muitas vezes por Timóteo Pinto, é a imensa produção que saiu da teoria e
foi para prática, teorias com a reflexão do que foi feito na prática e,
enfim, houve a produção desse imenso caldo subversivo.
O condivíduo é,
de um modo de ver, a centralização das forças subversivas. Coletivos e
pessoas a deriva, todos alimentando a mesma criatura. Entretanto, a
descentralização se dá pela mesma razão centralizadora, por ser um
projeto que todos podem participar, basta renunciar a sua identidade
única imposta. Como as autoridades controlam uma criatura de múltiplas
faces e múltiplos braços? Como Timóteo Pinto cairá nas garras do
espetáculo, se ele frauda o próprio espetáculo? Ora ora, Guy Debord não
esperava por essa. As imagens selecionadas cuidadosamente não são tão
cuidadosamente selecionadas, a mídia manipula e é manipulável. Che
Guevara está morto, Timóteo Pinto também. O segundo ainda vive. Essa é a
contradição de um múltiplo ser!
A diferença entre os líderes descritos por Weber e Timóteo Pinto é que em um eu posso ser eu mesmo.