Hyper-Surrealist Fnord Agency


KSTXI Dataplex


Know more, Understand less



KSTXI Reality Glitch Hack Post-Neoist Meta-Discordian Hyper-Surrealist Galdruxian Tudismocroned Bulldada Network ::: art, anti-art, post-art, `pataphysics, absurdism, discordianism, concordianism, meta-discordianism, realism, surrealism, hyper-surrealism, neoism, anti-neoism, post-neoism, anythingism, etc..

KSTXI Hyper-Surrealist Fnord Agency Portal

KSTXI Glitch Network

KSTXI Post-Neoist Meta-Discordian Galdruxian Memes Illuminati Cabal


:::

“Everyone carries a piece of the puzzle. Nobody comes into your life by mere coincidence. Trust your instincts. Do the unexpected. Find THE OTHERS”
– Dr Timothy Leary

:::

::: KSTXI Post-Neoist Meta-Discordian Memes Illuminati Cabal ::: Illuminati1

—–><—–

“Welcome to the most ancient conspiracy on the planet. We’ve gone for so long now that we don’t remember what we were doing, but we don’t want to stop because we have nothing better to do.” - Fire Elemental

—–><—–

:::

.

KSXTI Post-Neoist Meta-Discordian Galdruxian Memes Illuminati Cabal Contact Information

::: KSTXI Post-Neoist Meta-Discordian Memes Illuminati Cabal ::: Tumblr_inline_p10gskins81rlg9ya_500

.

"Stick apart is more fun when we do it together." - St. Mae

.

::: Discord:

- Dataplex Ourobouros

::: Reddit:

- 00AG9603

- KSTXI Dataplex

- #TheGame23 Mod 42.5

- Dataplex Ourobouros

::: Forum



Join Us!

:::

Mostrando postagens com marcador nonsense as salvation. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador nonsense as salvation. Mostrar todas as postagens

20.3.14

O P.I.P.A. Convoca a Todos. ou não


https://www.rebelmouse.com/discordianismo/pipa/

Precisamos nos articular para combater ou não.

Marquemos várias marchas por todo o Brasil.

A/O Marcha/Evento da Família com JHV-1 Contra O Comunismo é chato/a pra caralho.



Precisamos de todo tipo de marcha oposta, anti e a favor de ser contra tudo isso que está ai ou não, e muito pelo contrário, porém de forma diferente ou completamente igual, pois a terceira lei de Newton (ação e reação no sentido igual e contrário) e a lei dos 5 não podem ser desrespeitadas de forma alguma, ou então pode sim.

Marchar é agora, ou amanhã. Ou não. Cada um que faça tudo ao seu alcance. Nosso objetivos é desobjetivar, tudo que disserem deverá e será usado contra eles ou não. Em nome de Loki, amém. Salve Discórdia!

Partido Surrealista Brasileiro 
Partido Interestelar Parrachiano Anarco-Zen-Discordiano 
PARTIDO ANARCOTRANSEXUALISTA INTERGALÁCTICO
Última Igreja SubGenius Multi-universal Pirata Ninja Zen Harlem Shake Slack

A ZUERA É O CAMINHO PARA O LADO MULTICOLORIDO. É PRECISO TER O KAOS DENTRO DE SI PARA DAR ZUERA DANÇANTE OU NÃO.

Recomendamos pistolas de água, pena de ganso, cascas de banana, pula-pula, orégano, farinha, talco, bolas de praia,papel higiênico e livros.



Foto de Eduardo Marques.


Usamos Helvetica pq somos gay, e se somos gay somos automaticamente designers gráficos
Marcha dos ursinhos carinhosos contra o falocapitalismo heterocaucasonormativo cristão


O PSuB convoca para mais este evento cívico

O PSuB convoca para mais este evento cívico



  MARCHA DOS PECADORES
Se tem a marcha da família com Deus, façamos a marcha dos pecadores!!!

Porque é um pecado questionar os valores sociais e políticos! O progresso é coisa do capeta!                  
 
    
 
 
                                                                                         
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



"Marcha do tilt com random" 
sugerida pelo (a)partidário membro-(des)fundador do P.I.P.A. Rajiphun Maldonado

"Nós somos parasitas, a gente deixa todo mundo se preocupar com politica e religião pra ficar parasitando e invertendo cos
tume, se vc constrói a gente constrói tb mas ao contrario, se vc quer subir nos queremos nadar na água raz, se vc quer amigos nos queremos uma tv de 29 polegares, assim vamos indo na marcha dos bons costumes randômicos com mto tilt na cabeça, rumo a nossas casas pois a marcha so durou um nanosegundo, so q não, nos decidimos voltar, na vdd tudo aconteceu sem parar, sem vc perceber, eu estava la! eu estava la! eu naici! hauhuahuahauhaah vamos assistir televisão e fingir q jogamos bola, qto mais costura mais status, vamos nos estressar, quero ficar com veia na testa de tanto estresse, mas antes disso tudo, vamos fugir e vamos algemar policia, pois o nosso lema eh TEJE PRESO!"


:::

Marcha da juventude contra família e com as drogas



:::
Sugira mais Marchas aqui. Ou não
:::

Coca-cola diet com mentos. Spray de cabelo. Espuma. Buzina. bonecas infláveis. bumerangue. Fotos da Xuxa Pelada. Panelas. Figurinhas. Taxistas taoístas, budistas paraquedistas, espíritas taxidermistas, ateus atoa, surfistas pastafarianistas , piratas pelados,weird wiccans , surrealistas ludistas, psiconautas situacionistas , groucho-marxistas, retro-futuristas avant garde e bêbados conhecidos, neo-techs, repentistas raelianos .... A minuto é mostrar com quantos cavalos marinhos grávidos se faz um cardume.

Foto de Henrique Silveira.

Indecência ou Sorte!


Não somos chatofóbicos, os chatos é que são contra nós, portanto em nome da legítima zuera da sagrada retaliação. Hay sentido? Somos contra.
















::: 

5.2.12

Segundo Manifesto Comedianista

Conforme as diretrizes adotadas na reunião da última Internacional Comedianista, exigimos:
I – Socialização total dos meios de reprodução, abolição da família heteronormativa e a instauração de uma dita-Dura democrática.

Fisting: o carro-chefe da revolução que socializará todos os meios de reprodução.
II – A organização revolucionária da luta de crassos que culminará numa sociedade desclassificada.
II,V – A imposição da menos-valia como forma de reparar uma dívida histórica das classes
trabalhadorasexploradoras com as classes
dominadorasexploradas.
III – A
liberalizaçãodesdiscriminação das drogas recreativas populares como a maconha, a televisão, a música popular, etc. Também é necessária a proibição imediata das drogas capitalistas – instrumento da alienação burguesa - como a polícia e a religião católica. Esta última deve ser substituída pela Teologia da Libertinagem.
Sessão de exorcismo na Teologia da Libertinagem.
Sessão de exorcismo na Teologia da Libertinagem.
IV - Linchamento democrático reeducativo & recreativo para todos os banqueiros, ativistas, empresários, anarquistas, religiosos, caoístas, jornalistas, magistas, psicanalistas, discordianos, absurdistas e groucho-marxistas.
V – Uma sociedade igualitária onde todos tenham acesso à mesma quantidade de comida, vestimenta, habitação, água potável, ar puro, beleza, sorte, altura, idade, etc.

Uma das contradições inerentes do capetalismo é a desigualdade entre os homens.

15.2.10

O job do customer relationship management

por Pedro Ivo Resende

Chegava o final do mês e, como todos os outros funcionários da empresa, eu reclamava do salário. A diferença era que nunca trabalhei lá. Há uns cinco anos eu tinha sentido vontade de ir ao banheiro, pedi para usar o lavabo deles e acabei ficando. Encontrei uma cadeira vazia, uma pilha de papéis e uma velha máquina de escrever elétrica. Era o que eu precisava para começar a digitar meus relatórios, que ninguém lia. Ocasionalmente eu alternava essa função com uma outra, mais divertida: interromper reuniões de negócio com algumas frases de efeito.

- Me desculpe, senhores, mas o job do customer relationship management já está pronto?
- O quê?!
- O job do customer relationship management. Ele deve estar pronto on demand ou isso influenciará o downsizing do nosso share of mind no data-warehouse.
- Nós não estamos sabendo de nada.
- Eu escrevi um relatório sobre isso ontem, depois do staff meeting!! Seus corporate executives de merda. Todos vocês receberam!!
- A gente... A gente não recebeu.
- Não receberam, né? Vocês que sabem. O presidente da empresa vem amanhã aí. Se esse job não estiver pronto, anéis anorretais irão sangrar!!

Em questão de segundos todos os sujeitos começavam a revirar aquela papelada, procurando a porra do relatório. Entornavam latas de lixo, agrediam secretárias, tremiam de nervoso, empapuçavam o colarinho de suor. Um deles chegou inclusive a ter um ataque cardíaco, mas o meu advogado me instruiu a não comentar nada sobre este assunto. Depois desse incidente eu resolvi encontrar um novo hobby. Consistia em ficar plantado na entrada da empresa e espantar todos os nossos clientes com uma fantasia de bate-bola. Alguns deles eram mais corajosos e tentavam entrar assim mesmo. Mas nada que um spray paralisante não resolvesse. Quando fechamos o terceiro semestre com prejuízo por conta disso, eu escrevi um relatório culpando o Luciano do almoxarifado, que vinha tomando café demais. Fiz as contas de quanto o sujeito bebeu nos últimos três meses e sugeri que ele fosse enrolado em um casulo de fita crepe e papel almaço, sendo abandonado à própria sorte em algum canto da empresa. Mas como ninguém lê o que eu escrevo, não aconteceu nada.

De uns meses para cá eu comecei a me sentir meio inútil e decidi cuidar de uma impressora. Só que ela fazia muito barulho. "Cheeeng", "cheeeng", sabe como é? Eu ali parado o dia inteiro, sem ninguém pra conversar, ao lado daquela porra e ela fazendo "cheeeeng", "cheeeeng". Entornei um copo inteiro de café em cima da maldita máquina, que parou de fazer barulho. Algum espertalhão do suporte apareceu e começou a gritar que eu tinha quebrado a única impressora do andar. Mas obviamente o culpado era o Luciano do almoxarifado.

- Se ele tivesse bebido todo o café, nada disso teria acontecido.

Houve uma comoção geral em torno da impressora. Era uma Epson Fucking Advanced 3000, imprimia colorido todos os documentos, nunca deixou ninguém na mão. Uma mulher atirou um clips em mim e eu percebi que precisava fazer alguma coisa para acalmar os ânimos. Foi então que descobri como resolver aquele impasse: eu ia ficar circulando pelo escritório com um bloquinho.

- Ei, cara do bloquinho, tô precisando imprimir esse texto!

Daí eu copiava tudo o que estava escrito no monitor e deixava as folhas de papel em cima da mesa. Até ai tudo bem. Complicado era quando tinha alguma imagem no meio e eu precisava usar lápis de cor. Nunca soube desenhar direito. Passava o programa do Daniel Azulay na TV e eu, já velho, não conseguia fazer nada daquilo. Foda.

Toda essa minha nova função como impressora me absorveu muito. Eu praticamente morava no escritório, virando noites com o bloquinho e cada vez me distanciando mais da minha família. Tinha em casa uma esposa gorda, um poodle neurótico e um filho de olhos puxados que não se parecia muito comigo. Mas sentia falta deles mesmo assim. E como eu estava divido entre meu trabalho e família, achei melhor trazer eles para ficar comigo no escritório. Morar mesmo, entende? E foi assim que nos mudamos de vez. O Lucas, o meu filho com cara de japonês, fez de uma das salas de reunião o seu quarto. Pendurou um modelo Revell no teto e formatou o computador do chefe pra poder jogar Fifa Soccer. Minha gorda esposa pôs um fogão no meio da sala de engenharia. Chamou todas as amigas pra conhecer a casa nova. E por incrível que pareça, o pessoal do escritório parecia não dar a mínima. Estavam concentrados demais no trabalho para perceber o que acontecia à sua volta. O poodle cagando todo o corredor, o garoto roendo a unha do pé na recepção, a mulher passando a feiticeira no carpete; nada disso incomodava os funcionários.

Depois de uns meses o escritório fechou. Não foi culpa de mais um trimestre de prejuízo, da conjuntura econômica, nem tão pouco do Luciano do almoxarifado. Ao voltar de um almoço no domingo, percebemos que minha esposa esquecera a chave no escritório, trancado a gente do lado de fora. Na segunda-feira ninguém conseguiu entrar. E os dias foram se passando, os funcionários se amontoando na entrada, até que chegou a notícia: a empresa havia pedido concordata. Foi ai que decidimos ir ao bar mais próximo e nos reunir pela última vez. Enchemos a cara. A certa altura alguém sugeriu que fizéssemos uma roda de oração. Demos as mãos e, como nenhum de nós sabia rezar e todos ali já estavam bêbados, cantamos uma música triste do Chico Buarque. Não me lembro o nome. O que eu me lembro é do rosto daqueles colegas a quem aprendi a amar nestes últimos anos. Lembro-me de todos os momentos que compartilhamos juntos, das conquistas, das derrotas, do sentimento comum de fraternidade que nos unia em torno desta empresa. Mas com esse pequeno detalhe: eu nunca trabalhei lá.

15.1.10

Esperando pela suruba

por Pedro Ivo Resende

Domingo triste. Meu primo Hélio estava no hospital em estado crítico, esperando por um transplante de medula. Após alguns exames descobriram que eu era o único doador compatível. Saí de casa então para comprar jornal, devolver uns vídeos na locadora e fazer o tal do transplante. Mas foi aí que eu vi esse cartaz:

"Chegou a sua vez!

Já imaginou como seria estar cercado por belas mulheres e fazer aquele sexo sujo? Pois pare de sonhar e venha correndo para a nossa suruba. Sorteio de aparelhos eróticos, Cicciolina cover, lesbianismo gratuito.

Rua Jangadeiros, casa 40"

Peguei o primeiro táxi que apareceu na minha frente. Agüenta as pontas aí, primo Hélio! Estamos torcendo por você. E foi aí que, chegando no local, toquei a campainha e um senhor de uns sessenta anos apareceu numa janelinha da porta. Tinha um bigode enorme pendendo abaixo do nariz. Parecia que estava tentando engolir um castor. E a cauda, aquela enorme cauda, escapava pela boca.

- Sim?
- Ahnn... Aqui é Rua Jangadeiros, casa 40?
- Correto.
- Meu senhor, é a respeito de uma suruba.
- Suruba?
- Isso.
- Só um momento.

O homem fechou a janelinha. Era possível ouvir uma dessas músicas instrumentais que costumam tocar em consultórios médicos vindo lá de dentro. Após alguns instantes, ele voltou. Desta vez, junto com uma simpática senhora de cabelos grisalhos, que me convidou a entrar.

- Vamos, meu rapaz. Não se acanhe. Quer um refrigerante?
- Não, obrigado. Vem cá: é aqui que vai acontecer uma suruba?
- Sim, em alguns instantes. Por favor, me acompanhe até a sala.

Entrando na sala eu me deparei com uma cena bizarra. Um homem imenso, gordo, vestindo roupa e máscara de couro, sentado no sofá. No lugar da abertura para a boca havia um zíper. Ele segurava um chicote e parecia ter uns tiques nervosos. Putaquilparil, eu quero minha mãe.

- Este daqui é o Buba. Um ótimo rapaz. É mudo, coitado. Ele veio pelo mesmo motivo que você.

Buba soltou um grunhido. A baba escorria pelo zíper da sua máscara. Sentamos no sofá e ficamos ali vendo TV. Eu, o casal de senhores e Buba. Passava "E o Vento Levou". Queda de Atlanta, aquela porra toda pegando fogo.

- Minha senhora, somos apenas nós nesta suruba?
- Por enquanto sim, meu rapaz.

E o filme continuando. A protagonista rolava pela escada e perdia uma criança. Buba abriu o zíper da sua máscara e falou:

- Vivien Leigh está maravilhosa neste filme.

Todos nós ficamos olhando para ele. A senhora sorriu e bateu com as mãos em seu próprio colo.

- E nós achávamos que você era mudo...
- Não, não. Todo mundo sempre pensou isso. Mas é que até hoje eu nunca tinha encontrado nada de interessante para falar. Então preferia não dizer nada.

A senhora se virou para o seu marido, que lia o jornal em uma poltrona no canto da sala.

- Não é fabuloso, Jaime?
- O quê? Ah, sim, estupendo! Eu sou um constante fascinado pela condição humana.

E logo depois voltou para o nosso amigo mascarado, segurando em suas mãos:

- Buba, venha comigo, sim?

Buba grunhiu e, cambaleando feito um babuíno, desapareceu com a senhora por dentro de um corredor. Jaime continuava impassível, lendo o seu jornal. Alguns longos minutos depois, a simpática senhora apareceu de novo na sala, soltando um grito:

- Férias na Alemanha!!

Tremi no sofá de susto. Ela estava agora fantasiada com uma roupa folclórica alemã e prendia Buba em uma coleira, que por sua vez vestia um traje de tirolês por cima das suas vestimentas de couro. A senhora trazia consigo um álbum de fotografia.

- Vamos ver as fotos da viagem!?

Mais um grito e Buba, desta vez, grunhiu e regurgitou alguns goles de baba. Antes que a senhora abrisse o tal álbum ou a boca, eu já tinha saído da casa. Estava quase na rua quando encontrei essas três mulheres. Três lindas garotas, dessas que jamais dirigiriam a palavra a mim.

- Oi, por favor, é aqui que vai acontecer uma suruba?

Estava calor e pequenas gotas de suor escorriam pelo corpo delas. Eu gaguejei alguma coisa e abri a porta. As mulheres entraram e foram indo para a sala. A simpática senhora, fantasiada de alemã, fechou o álbum e exibiu um sorriso convidativo.

- Sejam bem-vindas ao nosso sexo grupal.

Eu comecei a tirar a minha roupa. Camisa, calça, sapato; foi tudo ficando pelo chão mesmo. Buba desabotoou o seu traje. A simpática senhora se livrou das roupas de alemã, revelando, em poucos instantes, as suas tetas murchas que lembravam duas azeitonas secas. As lindas garotas, tímidas a princípio, logo se animaram e começaram a tirar o sapato. E eu simplesmente não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Transar com essas mulheres seria a realização de um sonho absurdo, a concretização de uma realidade impossível. Tão impossível que, se eu realmente comesse elas, provavelmente romperia alguma lei fundamental da física. Mas aquilo estava acontecendo. As meninas se despindo, tirando as camisas... O clima de erotismo invadia a sala. A única figura que destoava daquela cena era o nosso amigo Jaime, que permanecia sentado na sua poltrona. E logo quando as meninas iam se livrar do soutien, ele se levantou e disse:

- Meus caros, e se dançássemos a polca?

"A polca?". "É, aquela dança tradicional da Polônia". Todos adoraram a idéia. Eu ali, semi-nu, cercado por lindas mulheres e a simpática senhora filha de uma puta indo pôr um disco de polca na vitrola. Ainda com suas tetas murchas expostas, ela começa a estalar os dedos para aquela música estúpida. As garotas, Buba, Jaime e a simpática senhora formaram pares de dança. E eu não tinha ninguém para dançar. Eu não conhecia a polca. Eu não ia comer ninguém. Era hora de ir embora. Precisava ainda fazer um transplante. Olhei para TV e vi que "E o Vento Levou..." estava acabando. Porra, as fitas de vídeo! Precisava devolver as malditas fitas de vídeo. Bem, deixa o transplante para depois então. Porque, como diria Scarlett O´Hara, amanhã é um novo dia, primo Hélio, amanhã é um novo dia...

1.4.09

Anão vestido de palhaço mata 8 - A Saga de Josef

por Marcos Barbará

Prefácio

A saga de Josef, o Anão, se desenrolará sem o menor sentido, lógica ou coerência. Obviamente inspirada no pior de Monty Python, Woody Allen e Douglas Adams, começou a ser escrita em 2004 e jamais terminará, apenas para irritar a imprensa especializada. Não que o autor tenha alguma idéia do que está fazendo, ele apenas escreve em intervalos não-periódicos, normalmente intercalados com ofensas aos leitores.

Há aqueles que dizem que Josef tem um pouco de cada um de nós, e esses são os mais idiotas. A ligação com os fatos históricos narrados é perfeitamente plausível, desde que você acredite no Wikipédia.



Croácia, verão de 1999. Nevava. Era mesmo um verão estranho. Zagreb amanhecia escura, sem saber que Josef, o Anão, amolava sua faca com um carinho todo especial...

... naquela manhã, Josef acorda e descobre que seu papagaio foi nomeado Ministro da Economia. Morre de inveja e tenta suicidar-se, mas seu revólver é daqueles que disparam uma banderinha com a palavra "bum!". A bandeirinha acerta seu olho mas ele sobrevive, passando a enxergar tudo em duas dimensões.

Após correr pelado em um campo de golfe por não conseguir cortar os pêlos de suas costas, Josef, o Anão, consegue um emprego de tenor na Orquestra de Zagreb, e é demitido 15 minutos depois por não conseguir fazer o sinal de aspas com dois dedos de cada mão. Amargurado, ele dança até a beira do lago, onde contempla a si mesmo durante quarenta minutos. De repente dorme e sonha com um cabrão, uma besta mitológica com a cabeça e o corpo de um leão, mas não do mesmo leão.

Ao acordar, Josef decide procurar emprego no crime organizado, porque gosta de ser beijado na face como um italiano. Conhece então Little Joe Brumbble (também conhecido como Big Joe Brumbble), um sujeito tão desconfiado que não dava as costas a ninguém e, por isso, andava pelas ruas girando, rodopiando constantemente.

Foi então que Josef, o Anão, decide fazer uma ode a seu pâncreas, a quem chama carinhosamente de "Franklin Delano Roosevelt". A ode torna-se um sucesso instantâneo, e Josef é convidado para uma festa no Sindicato dos Produtores de Bibelô, onde bebe, faz um discurso, vira o centro das atenções, e faz amor com três mulheres, tudo isso em sete minutos.

Neste momento, percebe que sua alma está saíndo de seu corpo para fazer uma chamada telefônica. Dez minutos depois, é preso pela Interpol, pelo fato de sua obra "Ode à Franklin Delano Roosevelt, Meu Pâncreas" ser um plágio de "Ode à Winston Churchill, Meu Duodeno", publicado duas semanas antes pelo Rabino Zevin. Este processa Josef, que é condenado a pagar setecentos milhões de dólares ao Rabino e obrigado a usar suspensórios no Dia do Trabalho.

Josef se recusa a usar suspensórios, por "deixar a impressão que tenho 62 centímetros, e não 65", e é levado para a Prisão de Greb, em Zagreb. Lá conhece Ti Ma, um chinês que se veste de esquilo para não ser mais confundido com Mao Tse-Tung.

Treze segundos depois, Josef descobre que Ti Ma é seu irmão, e chora copiosamente como uma ovelha. Quatro minutos depois, Ti Ma morre de tifo. Utilizando apenas suas mãos e os conhecimentos adquiridos na Universidad Autónoma de Cochabamba, Josef faz uma cirurgia para ressuscitar seu irmão. Em quinze minutos de procedimentos cirúrgicos, Josef profere vida a seu irmão e cura sua lordose. Ti Ma levanta, prepara-se para fazer um discurso, porém é mordido por uma doninha, cai, e morre. A habilidade de Josef é reconhecida e ele é levado ao encontro do grão-vizir de Zagreb para acompanhá-lo em uma pescaria de atum.

Então disse o grão-vizir a Josef, "estive pensando em como minha vida seria diferente se eu tivesse nascido um dia antes do dia que nasci". Em um momento de sublime inspiração, Josef proferiu que "pouca coisa mudaria, a não ser o fato de que você teria feito essa mesma pergunta ontem". Libertado pelo grão-vizir por sua sabedoria, o Anão vai ao supermercado comprar tubérculos, e lá encontra John C. Willow, o homem que venceu o Prêmio Nobel da Paz após matar seus quatro concorrentes.

Willow confunde Josef com um pernil assado, coloca-o dentro de uma caixa de isopor e começa a correr em grande velocidade pela calçada, derrubando todos que encontra em seu caminho. Aproveitando-se de um breve momento de distração de John C., Josef salta da caixa, caindo dentro de um cesto de vime de uma mulher africana que colhia figos. No meio das frutas, o Anão tem um insight, levanta-se e proclama ao povo: "A verdade é a fortaleza dos inocentes!". Todas as pessoas param instantaneamente, inclusive o trânsito e todos os sons da cidade. Lentamente, começam a aplaudir, uníssonos, ao mesmo tempo que surge uma fanfarra. Josef é erguido aos braços da multidão, ganha a chave da cidade, e é nomeado como Mulá de uma religião xiíta ortodoxa.

Assustado, Josef percorre a planície do Cáucaso por 6 dias e 6 noites, e então encontra um sujeito que lhe faria uma revelação bombástica, se estivesse sóbrio. Janko Milaszkiewicz, um polonês desempregado, mantinha sua funções vitais ativas com a ingestão de leguminosas que ele próprio plantava em seu jardim hidropônico. Vivendo sozinho desde 1917, Janko nunca foi popular, e os poucos amigos o abandonaram ao descobrir que ele possuia dez dedos nos pés, sendo nove dedos no pé esquerdo e um no pé direito. Discreto, muitas vezes incógnito, caminhava rumo ao anonimato total. A única felicidade do polaco consistia em conversar com Puppy, uma fuinha maltesa. A diminuta criatura lhe transmitia carinho e confiança, ao mesmo tempo que cozinhava e anotava os recados. Após uma troca de olhares, Josef repudia a fuinha, cospe ao chão, e decide fazer do objetivo de sua vida a extinção de todos os animais do filo dos Chordata. Então Josef desafia Janko a um duelo que custaria a vida de um dos envolvidos na balbúrdia.

Janko afaga Puppy, sua fuinha maltesa, e após cantar "The Candy Man", atira com um estilingue em Josef, que desvia e comemora como se fosse um gol. Transtornado, o polonês se recolhe no canto da sala em posição fetal, ao mesmo tempo que Josef imita um quero-quero. Então uma revoada de patos migratórios invade o recinto, dispostos em V, capturam Puppy, e somem no horizonte em câmera lenta. Janko se aproxima de Josef e pede para ser sacrificado. O Anão apalpa sua cútis e declama: "Ninguém pode ser sábio com o estômago vazio". Miguel de Unamumo entra no ambiente, reclama por ter perdido a consulta no periodontista, e foge. Minutos depois, Janko é levado pela Companhia das Índias Ocidentais, em troca de rum e melaço. Livre da ameaça hidropônica, Josef segue livre seu caminho em busca de alcaparras, mas cai em um vórtice do espaço-tempo e é jogado no ano de 1327, onde decide abrir uma padaria de pães artesanais em sociedade com Sean Connery.

Enquanto a padaria seguia rumo à bancarrota, Josef divertia os locais com seus intrigantes passos de Lambada Escandinava. O ritmo frenético e contagiante fez com que Josef ficasse famoso da Prússia até o Reino Ostrogodo. Contaminado pelo ciúme, Sean Connery decide eliminar Josef utilizando uma broa envenenada, forjada meses antes para tal intento. Josef aceita a broa com júbilo, sorri, e ao aproximar seu maxilar da mortífera massa fermentada, Connery se arrepende, e gritando em câmera lenta, se arremessa na direção do Anão, que rola e cai ao solo, ao lado do quitute da morte. O escocês conta a verdade a Josef, que afaga a face de seu quase-executor, e o perdoa, declamando: "Poupe seus ovos e serás um grande galináceo". Sean Connery, em êxtase, ergue o Anão como um troféu e em seguida o abraça carinhosamente por 19 minutos, mantendo-se em catarse por tempo indefinido. A fama de benevolente de Josef se espalha com a ventania e dois dias depois ele é eleito Papa. Porém, o destino de Josef e, quiçá, de toda a humanidade, estaria nas mãos daquele que sabia tanto sobre sua importância para o mundo quanto um brócolis sabe sobre a história da União Soviética: Sr. Rufus Donato.

Sr. Rufus Donato estava satisfeito em seu cubo, ao qual denominou sabiamente de "cubo". A frustração por descobrir que a União Soviética ainda não havia sido criada em 1327, aliada ao fato do Trópico de Câncer se localizar no hemisfério norte, tornaram o Sr. Rufus Donato tão amargo quanto Robert De Niro em "Taxi Driver". Quando descobriu que Josef fora proclamado Papa, Sr. Donato pensou, enquanto roía obsessivamente as unhas do pé, que o Anão poderia evocar um movimento tectônico e criar a União Soviética. Partiu imediatamente à caça de Josef, não sem antes tropeçar nos pedaços de unha cuspidos no chão. O andar do Sr. Rufus, que a cada três pulinhos exclamava 'plim!' e sacudia os chocalhos costurados nos bolsos do seu paletó, chamou a atenção de todos do vilarejo, que taparam os olhos com a mão esquerda, fazendo com que Sean Connery despertasse de sua catarse cheio de flunfas em seu umbigo.

Exatamente ao mesmo tempo em que Josef vencia um duelo de rappers contra o Coral Grego de Canto Gregoriano, Sr. Rufus Donato corria em espantosa velocidade pelas ruas medievais, guiado por doze bilhões de vespas africanas, atrás dos rastros do Anão, seu suposto salvador. Porém, quando alcançou a velocidade mítica de 27 nós, tropeçou em Santo Agostinho, que ensaiava para um papel mediano em Procurando Nemo. Ouvindo a algazarra formar-se no vilarejo, Josef sai à varanda, e mais que automaticamente seu olhar se encontra com o olhar de Sr. Rufus Donato. E foi então que o mundo parou.

Eis que chega o momento de Josef revelar parte do segredo de sua felicidade. Do horizonte surge um urso panda de 120 metros chamado Chu, que corre ao encontro de seu satisfeito proprietário. Chu é uma entidade cativante, que acha todas as pessoas legais, e não pára de repetir que precisa de amor. Sem proferir uma palavra sequer, e fazendo um leve movimento com a cabeça, Josef manda Chu ao encontro do Sr. Rufus Donato, que, extasiado, começa a correr em círculos em volta de seus próprios cotovelos, e instantaneamente adota Chu oferecendo seu amor incondicional. Por maior que possa parecer, o amor do Sr. Rufus Donato não era suficiente para suprir a carência afetiva de Chu, que se transforma em um artefato inanimado. Chu, sugando todo o amor medieval do condado, cria um vórtice que leva todo o vilarejo para a remota Normandia, em 1066, no instante em que Haroldo III da Noruega invade a Inglaterra com a ajuda de Tostig Godwinson, ex-Conde da Nortúmbria e irmão renegado de Haroldo II, expulso da corte depois de tropeçar e cair em público.

Atordoado, Josef aproxima-se de um castelo, e sua única entrada está guardada por hunos truculentos que só o deixarão entrar se ele se chamar Douglas. Afortunadamente, aproxima-se dos portões do castelo uma multidão carregando uma faixa com os dizeres "XVII Convenção Anual dos Douglas". Josef se entranha em meio aos Douglas e consegue entrar, de ceroulas, mas é flagrado cantarolando "Assim Falava Zaratustra" durante a execução do hino normandio. O Anão alega tratar-se da canção-tema da "Pequena Sereia", e começa a dançar charleston com grande desenvoltura, mesmo amarrado como um cordeiro. Surge então o gerente do castelo, um homem com tanto poder que possui a alcunha de faraó grão-czar. Ele parece apreciar a agilidade de Josef, mas se distrai com duas pombinhas, e Josef é encaminhado ao calabouço, onde conhece Nietzsche, que está lá por não saber soletrar seu próprio nome.

E de um fosso no fundo do castelo, ao som de "Doze milhões de pulgas estão me carregando", grande sucesso da época, emerge um trono. Neste trono está sentado um homem minúsculo, que carrega como vestimenta seu crachá desproporcional com seu cargo gravado: "Faraó Grão-Czar - FGC". Cinco estagiários o ajudam a levantar sua micro-cabeça, que fica sempre baixa devido ao peso do cordão do crachá. Os estagiários acabam se confundindo e levantando os braços e as pernas de FGC, criando um estranho balé. Josef não suporta a idéia de comer pratos temperados com cominho todas as manhãs, e, com o punho erguido, declara a independência da Caxemira. Inexplicavelmente, Nietzsche começa a brigar consigo mesmo, atraindo a atenção de FGC, dos guardas e dos estagiários, deixando livre a passagem de Josef para a liberdade.

Josef se esquiva dos guardas e, tal como um saltador mexicano de penhascos, se atira ao mar, onde começa a fazer movimentos de golfinho, chegando desta forma no Estreito de Bering em seis minutos. A ginga frenética do Grande Anão causa um enorme atrito entre seu diminuto corpo e as moléculas da água do mar, tornando aquele pequeno espaço de oceano em um colapsal redemoinho do tempo, levando Josef e 20 milhões de litros de água salgada diretamente ao centro de Tebas, 297 a.C., onde o Anão conquistaria os corações e as mentes dos nativos, assim que todos se secassem.

No momento seguinte à hecatombe oceânica, uma pequena multidão viu Josef emergir do recém-formado lago e automaticamente ser reconhecido como Poseidon, o Rei dos Mares. O povo ateniense o saudava e ele foi levado ao encontro dos sábios da época, onde conheceu Sólon, o grande legislador, que tentava criar uma nova espécie de pepinos, e Mulipas, o agrimensor, que tinha acabado de descobrir que a Terra era em forma de G. Do outro lado da pólis, Josef, enquanto Poseidon, fora convidado para entregar a medalha de ouro no decatlo para o herói Aquiles, mas nota a extrema semelhança entre o atleta e Janko Milaszkiewicz, o polonês desempregado. Ressabiado, Josef simula estar maltratando uma fuinha, o que faz com que Aquiles perca o controle e revele-se como o Senador Republicano Greg Bingaman, de Idaho.

Apavorado, o Senador Bingaman tenta colocar a peruca que guardou desde a Grande Depressão, mas atrapalha-se com os protetores de orelha e fere sua própria gengiva, pela qual era obcecado. Josef o reconhece, e, encarando seu nêmesis, o obriga a dizer a palavra "Guatemala". O Senador erra a pronúncia e é preso. Uma grande e gorda mulher, aparentemente sem nenhuma ligação com os eventos, começa a pegar fogo, não parecendo se importar com isso. Em meio à balbúrdia, Josef considera seu trabalho em Tebas cumprido, mas fica triste porque lembra que seu celular não terá sinal nos próximos 2293 anos.

Desprezando os limites da física e do bom gosto, Josef salta sobre o Monte Olímpo gritando "tio Toby roubou minh'alma", sendo teleportado ao epicentro da Revolução Bolchevique de 1917, fato que deixaria Nikita Khrutchev confuso por algumas décadas. Como forma de auto-defesa, o Anão começa a ofender a todos chamando-os de "lambões" e "Bob McNamara", evocando a quinta emenda. Consegue confundir os sovietes e, aproveitando-se da inflação de 829.000% ao segundo, aplica 1(hum) rublo em um fundo DI e três minutos depois retira o valor suficiente para adquirir o Encouraçado Potemkin, rebatizando a embarcação de "Olof Mancuso", para fugir como um islandês.

Fanático por "Caçada ao Outubro Vermelho", Josef obriga os tripulantes a entoarem o hino soviético, porém como a União Soviética não existia ainda, todos começam a cantar "Bamboleo", do Gipsy Kings. Isso irrita o nano-capitão Josef, que inicia uma série de conquistas com o encouraçado, modificando o rumo da humanidade e fazendo inimigos nas editoras dos livros de história. Eis que ressurge Sean Connery, alegando ser o único a saber o nome do filme argentino no qual um esquilo cai em um recipiente com cádmio e vira o presidente da Noruega. Josef diz "El Rey Serelepe", compelindo Sir Connery a trocar seu sistema imunológico por um ouriço-do-mar. Liderada por Marcel Marceau, uma frota de submarinos patrocinados pelas grandes editoras aproxima-se ameaçadoramente do Encouraçado Olof Mancuso, onde Josef veste sua melhor polaina e ingere um refresco Mupy, apenas olhando o radar verde e aguardando o início do ataque.

Quando a frota de Marceu Marceau liberou seu primeiro torpedo na direção do Encouraçado Olof Mancuso, o único som que se ouvia era o alarme incessante e o som do radar anunciando a chegada do anjo da morte. Mais que conformada, a tripulação estava orgulhosa de sucumbir ao lado do Capitão Josef, o Anão. O cantar da sirene provavelmente seria o último som que os homens a bordo ouviriam antes de encontrarem-se com seus antepassados, mas Josef não desistiria tão fácil. Para um olho destreinado, o Anão estava apenas tentando lamber seu cotovelo, quando na verdade, ele acabara de ter uma idéia que salvaria a vida de todos, aniquilaria o inimigo, e tornaria ultrapassado o Grande Livro de Receitas da Vovó Esmeralda. Enquanto o suor fúnebre já emanava de toda a tripulação, Josef recordou que o Encouraçado carregava 412 toneladas de inhame, trocadas por um guaxinim no Porto de Minsk no mais bizarro escambo já registrado pelas autoridades aduaneiras do leste europeu. Quando restavam dez segundos para o impacto, e todos os homens se acotovelavam para padecer mais perto do Anão, Josef profere: "Libertem o inhame". O responsável pelo tubérculo aperta o botão vermelho que abre as comportas do depósito, e meio segundo depois, o torpedo inimigo explode contra a parede de inhame, eclodindo em um grande cogumelo de fogo e carboidratos. A chuva de inhame não só afundou a frota de Marceu Marceau como acabou com a fome de toda a Lituânia, fazendo com que Vladimir Lenin desistisse da Revolução Bolchevique para se tornar padeiro.

Após subjulgar a frota de Marcel Marceau, Josef é erguido em êxtase pelos seus comandados, enquanto saboreia um autêntico refresco Mupy e faz o V da vitória para a multidão. Porém, um sujeito não estava satisfeito com a glória do Anão. J. Gallardo ocupava o cargo de maior prestígio em Kiev – Bongo Humano – e não seria superado com tanta facilidade pelo Diminuto. Durante a marcha de Josef, J. Gallardo começa a espalhar o boato que o "V" de Josef quer dizer "ventoinha", ou ainda pior, "vinagrete". A população fica ouriçada e começa a se voltar contra o Anão, fazendo com que J. Gallardo inicie uma gargalhada cósmica. Prestes a ser linchado pela massa, Josef simula o som de uma cuíca com grande exatidão, atraindo onze mil macacos-bonobos, sendo o estopim de um caos jamais visto antes de 1917. J. Gallardo se arrepende de seu gesto cruel, e numa tentativa desesperada de salvar Josef, se lança em um recipiente com cádmio para atrair a atenção de todos, ao mesmo tempo em que sacrifica seu sonho de ser jóquei. A reação química somada ao rugir dos macacos-bonobos causa um fluxo de energia suficiente para sugar Josef, J. Gallardo e o czar Nicolau II para 2007, materializando-se os três bem no meio da cerimônia de abertura das Olimpíadas Escolares de Uberaba.

O discurso do Secretário de Esportes de Uberaba foi subitamente interrompido pela materialização de Josef, J. Gallardo e czar Nicolau II no alto da tabela de basquete, suficiente para arrancar alguns aplausos satisfeitos. Devido a uma confusão na entrega dos convites, o cônsul da Lituânia estava presente à cerimônia, e ao reconhecer o czar, avança sobre o monarca com tremenda virilidade, em repúdio ao regime totalitarista impetrado entre 1894 e 1917. Porém, czar Nicolau II só dava ouvidos ao seu peixe-beta, e começa a correr pelas ruas de Uberaba com seu suntuoso casaco de arminhos. Preocupado com essa pequena alteração no curso da história, Josef persegue e captura Nicolau, cedendo o casaco à recém-inaugurada loja de roupas Arminhomania. "Seja bom", diz Josef ao czar, que se arrepende instantaneamente de todos seus crimes de guerra e entende o verdadeiro sentido da vida, abraçando o Anão com ternura, logo após declarar a independência de Uberaba.

Satisfeito com o resultado da missão, Josef busca repouso em uma estalagem de nome "Abrigo de Tia Regina". Embora incomodado com alguns detalhes, como o fato de Tia Regina ser um sujeito de farda militar e rosto camuflado, que bradava ordens em alemão a outros trinta homens vestindo trajes espaciais que carregavam um recipiente amarelo com a palavra "Plutonium", decide entrar mesmo assim. Após aguardar, sem sucesso, resposta para o toque da sineta na recepção, Josef entranha-se furtivamente em uma sala onde Tia Regina prepara-se para apertar um botão vermelho, sob gritos de incentivo dos colegas e o mapa da Groenlândia na parede como final da rota de um míssil. Aproveitando-se da mesa de quitutes natalinos, Josef atira uma noz moscada em Tia Regina, que cai e morre. Inflamados com o acontecimento, os homens encurralam Josef, que, mesmo cercado, confunde os oponentes com uma ginga de corpo e se lança sobre o recipiente amarelo, que começa a vazar. O fim do Grande Anão era uma questão de segundos, já que os homens se aproximavam com palavras não amistosas, e o líquido derretia o chão perto de seus pés. Numa mistura de genialidade e ousadia, Josef retira do bolso seu estojo de Alquimia Mirim, e mesmo sem ler as instruções, atira pó de ferro e ácido sulfúrico no líquido esverdeado. A reação química ainda não compreendida pela ciência gera uma bolha protetora em volta de Josef, que gira em velocidades cósmicas e atira o Anão para o século VI a.C., no exato momento onde os persas, aparentemente, encontravam uma maneira de transportar um enorme golfinho até Utah.

Ao materializar-se no centro político da Pérsia, no século VI a.C., Josef estava nu e com fome. Levantou-se, mediu a velocidade do vento com seu indicador, e calçou suas meias da sorte. Os locais aproximavam-se com um misto de admiração e assombro, e o eficiente artesão Sa'dabad esculpia graciosas miniaturas do Anão em pedra-pomes, vendendo ao preço de três cabras. O líder espiritual foi prontamente chamado, e ao chegar renunciou ao seu cargo por se sentir cosmicamente ínfimo perante Josef. Tanto poder incomodou o Xá Pahlevi, que suspendeu a reunião com os emissários da Babilônia para ir a encontro do tumulto que se formava. "Apresente-se àquele que se materializou", bradou o porta-voz do Xá Pahlevi. "Sou Josef, o Anão, e desafio seu pavão para uma partida de War". A tensão tomou conta de todos os seres vivos em um raio de 4,2 quilômetros. Uma certa senhora Brewster desmaiou. Após alguns momentos de deliberação entre Xá Pahlevi, o pavão (acompanhado de seu empresário), e um sujeito extremamente parecido com Al Pacino, o desafio foi aceito e teve local e hora marcados, para alegria dos cambistas persas, que já tinham em mãos todas as entradas compradas com uma carteirinha de estudante em nome de Carlitos Tevez.

O duelo de War entre Josef e o pavão real era o evento mais importante do Império Persa desde que Arthos, o Grego, desafiou (e venceu por 2x1) um arbusto em uma partida de bocha. Embora a aparição apocalíptica do Anão tenha lhe rendido alguns seguidores, a casa de apostas de Ghulaman mostrava que o pavão tinha a preferência do povo e da crônica especializada. Conforme o momento da batalha se aproximava, o público se aglomerava no local do evento, sem que faltasse uma criatura sequer. Lá estavam todos, leões e pulgas, o sujeito extremamente parecido com Al Pacino, o eficiente artesão Sa'dabad, Arthos, quarenta mil garotas com carteirinhas de estudante (falsas) de Carlitos Tevez, uma certa senhora Brewster, e um arbusto. Tal como um Cassius Clay, o pavão surge envolto em um roupão, com seu séquito de treinadores, massageadores, advogados e um filósofo, conquistando a multidão com seu carisma inconfundível. Aproveitando-se da situação, Josef aparece despreocupadamente comendo uma mexerica, sem saber que morder o fruto poroso era considerado na Pérsia uma ofensa tão grande quanto lamber os cotovelos na presença de um marceneiro. Tomado pelo ódio, o pavão e as milhares de pessoas atacam o Anão de forma voluptuosa, e, naquele momento, pouco restava a Josef exceto sua honra e sua camiseta da seleção da Nicarágua assinada por S. Paladiño.

Ao ver Josef mordiscando a mexerica, o líder espiritual persa ordenou que o Anão fosse morto como prevê a lei que protege os frutos cítricos: cada habitante da Pérsia aplicaria um sopapo na nuca do réu, exceto crianças e idosos, que poderiam dar dois. Entregue à própria sorte, Josef é capturado, atado e levado na direção do Templo do Sacrifício, ao som da animada marchinha "Alimentem a hiena com o rim do desventurado". A fúria incontida da população persa contrastava com a serenidade de Duílio Kobayashi, obscuro membro da equipe de seguranças do pavão. Enquanto os demais protetores e empresários do pavão somavam-se à multidão enlouquecida, Duílio caminhava tranquilamente no sentido contrário ao fluxo, na direção do Anão imobilizado. Ao aproximar-se de Josef, o segurança se despe em um só movimento de seus trajes de segurança persa, revelando um uniforme militar russo. A multidão pára, e Duílio sussurra ao ouvido de Josef: "Foi uma honra servir com o senhor no Encouraçado Olof Mancuso". Em meio à surpresa geral, o misterioso benfeitor arma uma mini-hélice e fixa o artefato em Josef que é erguido do solo com a ajuda da exótica máquina, sendo guiado em câmera lenta pelo doce vento da liberdade, para desespero do povo e das autoridades persas.

continua...

29.1.09

Igreja de SubGenius anuncia que fim do mundo ocorrerá em 5 de julho

CLEVELAND, Ohio, janeiro de 2009: A Igreja de SubGenius anunciou que o fim do mundo ocorrerá no domingo, 5 de julho de 2009. À vista da realização desta profecia do dia do julgamento final, a igreja está pedindo que todos seus membros participem de uma cerimónia religiosa que ocorrerá em Nova York, durante o fim de semana final antes da chegada do apocalipse.

Desde seu início em 1953, o fundador da igreja, J.R. “Bob” Dobbs, previu que uma frota de discos voadores chegará no princípio de julho para destruir a conspiração mundial contrária à Igreja de SubGenius, quando todos os ministros ordenados de SubGenius serão salvos pelas embarcações pilotadas pelas Deusas Estrangeiras do Sexo, igualmente conhecidas como o Xists.

A igreja está convidando todos seus membros no mundo inteiro a se encontrarem para as horas finais em Sherman, New York, de quarta-feira 1 de julho ao domingo 5 de julho em um acampamento ao ar livre, roupa-opcional, denominado Brushwood Folklore Center. O primeiro encontro neste local ocorreu em 1996, e o evento aumentou em tamanho e em participantes a cada ano. Em 1998 foi designado o primeiro “Dia X verdadeiro,” e cada ano sucessivo adicionou um ao total. A celebração deste ano em 2009 é o Dia X 12, ou o Dia X XII.

A igreja elaborou uma campanha maciça de recrutamento para aumentar os números de sua sociedade antes da chegada do Xists. De acordo com registros da igreja, a organização tem atualmente aproximadamente 100.000 membros no mundo inteiro. O recrutamento de SubGenius foi dedicado especialmente entre as pessoas que se recusam a se conformar às normas da sociedade, incluindo blasfemos, brincalhões, rebeldes, cabouqueiros, pornógrafos, totós, e proscritos.

A igreja está procurando faixas, artistas e produtores subterrâneos da industria do ócio adulto, porque a liberdade sexual é uma parte importante da doutrina de igreja. O Dia X será uma celebração da expressão livre, da arte, do rock and roll, da pornografia, e do entretenimento adulto; e determinadas partes do evento serão restringidas aos adultos somente. Somente serão permitidos no evento ministros ordenados da Igreja de SubGenius, mas a igreja está aceitando inscrições em sua taxa padrão de $30 até as horas finais do 4 de julho.

A Igreja de SubGenius sempre foi adepta da controvérsia desde sua fundação, e próximo da celebração do Dia X não será diferente. Nos finais dos anos 80, os membros da igreja foram acusados de espalhar um vírus em computadores Macintosh conhecidos como “o vírus da paz.” Artigos numerosos foram escritos sobre a igreja em publicações notáveis como New York Times, Washington Post, Boston Globe, entre outras. Em abril de 1999, os oficiais da cidade de Cambridge, Massachusetts interromperam um evento SubGenius sob a acusação de que a igreja era afiliada à máfia de Trenchcoat (a organização responsabilizada pelos tiros na escola de Columbine), embora as autoridades disseram posteriormente que a associação foi inverídica. Em sua edição de 1º de janeiro de 2000, uma votação da revista Time declarou J.R. “Bob” Dobbs a maior fraude do século 20.

A igreja recebeu adicional atenção em 2006 quando uma de suas membras, conhecida como reverenda Mary Magdalen, se tornou envolvida em uma batalha judicial pela custódia de seu filho devido a sua sociedade na igreja. Este caso foi coberto em publicações populares como Boing Boing, Fark, e Wikinews (serviço de notícia da Wikipedia).

Em 2008, o Anonymous Anti-Scientology Group se uniu a causa da Igreja de SubGenius, e muitos deles estavam entre os participantes de seu festival anual. Em um exemplo surpreendente do potenciômetro que chama o preto da chaleira, os representantes da Igreja da Cientologia acusaram a Igreja de SubGenius de ser “um culto perigoso de UFOS” e os membros SubGenius estiveram entre os Anonymous Anti-Scientology Group desde que sua guerra contra a Cientologia começou.

Contato: The SubGenius Foundation, Inc. 1-216-320-9528
Fax: (216) 320-9528

Web site: http://www.modemac.com

Igreja de SubGenius anuncia que fim do mundo ocorrerá em 5 de julho

CLEVELAND, Ohio, janeiro de 2009: A Igreja de SubGenius anunciou que o fim do mundo ocorrerá no domingo, 5 de julho de 2009. À vista da realização desta profecia do dia do julgamento final, a igreja está pedindo que todos seus membros participem de uma cerimónia religiosa que ocorrerá em Nova York, durante o fim de semana final antes da chegada do apocalipse.

Desde seu início em 1953, o fundador da igreja, J.R. “Bob” Dobbs, previu que uma frota de discos voadores chegará no princípio de julho para destruir a conspiração mundial contrária à Igreja de SubGenius, quando todos os ministros ordenados de SubGenius serão salvos pelas embarcações pilotadas pelas Deusas Estrangeiras do Sexo, igualmente conhecidas como o Xists.

A igreja está convidando todos seus membros no mundo inteiro a se encontrarem para as horas finais em Sherman, New York, de quarta-feira 1 de julho ao domingo 5 de julho em um acampamento ao ar livre, roupa-opcional, denominado Brushwood Folklore Center. O primeiro encontro neste local ocorreu em 1996, e o evento aumentou em tamanho e em participantes a cada ano. Em 1998 foi designado o primeiro “Dia X verdadeiro,” e cada ano sucessivo adicionou um ao total. A celebração deste ano em 2009 é o Dia X 12, ou o Dia X XII.

A igreja elaborou uma campanha maciça de recrutamento para aumentar os números de sua sociedade antes da chegada do Xists. De acordo com registros da igreja, a organização tem atualmente aproximadamente 100.000 membros no mundo inteiro. O recrutamento de SubGenius foi dedicado especialmente entre as pessoas que se recusam a se conformar às normas da sociedade, incluindo blasfemos, brincalhões, rebeldes, cabouqueiros, pornógrafos, totós, e proscritos.

A igreja está procurando faixas, artistas e produtores subterrâneos da industria do ócio adulto, porque a liberdade sexual é uma parte importante da doutrina de igreja. O Dia X será uma celebração da expressão livre, da arte, do rock and roll, da pornografia, e do entretenimento adulto; e determinadas partes do evento serão restringidas aos adultos somente. Somente serão permitidos no evento ministros ordenados da Igreja de SubGenius, mas a igreja está aceitando inscrições em sua taxa padrão de $30 até as horas finais do 4 de julho.

A Igreja de SubGenius sempre foi adepta da controvérsia desde sua fundação, e próximo da celebração do Dia X não será diferente. Nos finais dos anos 80, os membros da igreja foram acusados de espalhar um vírus em computadores Macintosh conhecidos como “o vírus da paz.” Artigos numerosos foram escritos sobre a igreja em publicações notáveis como New York Times, Washington Post, Boston Globe, entre outras. Em abril de 1999, os oficiais da cidade de Cambridge, Massachusetts interromperam um evento SubGenius sob a acusação de que a igreja era afiliada à máfia de Trenchcoat (a organização responsabilizada pelos tiros na escola de Columbine), embora as autoridades disseram posteriormente que a associação foi inverídica. Em sua edição de 1º de janeiro de 2000, uma votação da revista Time declarou J.R. “Bob” Dobbs a maior fraude do século 20.

A igreja recebeu adicional atenção em 2006 quando uma de suas membras, conhecida como reverenda Mary Magdalen, se tornou envolvida em uma batalha judicial pela custódia de seu filho devido a sua sociedade na igreja. Este caso foi coberto em publicações populares como Boing Boing, Fark, e Wikinews (serviço de notícia da Wikipedia).

Em 2008, o Anonymous Anti-Scientology Group se uniu a causa da Igreja de SubGenius, e muitos deles estavam entre os participantes de seu festival anual. Em um exemplo surpreendente do potenciômetro que chama o preto da chaleira, os representantes da Igreja da Cientologia acusaram a Igreja de SubGenius de ser “um culto perigoso de UFOS” e os membros SubGenius estiveram entre os Anonymous Anti-Scientology Group desde que sua guerra contra a Cientologia começou.

Contato: The SubGenius Foundation, Inc. 1-216-320-9528
Fax: (216) 320-9528

Web site: http://www.modemac.com

28.11.08

Larismo

Nós
somos uma tribo
de eremitas, solitários,
introvertidos, monges,
mudos, lacônicos,
e maníacos afins
que estão intrigados
com
Lara
DEUSA DO SILÊNCIO
e com
Seus
Afazeres

O Que Nós Sabemos Sobre LARA (não muito):

"Larunda (ou Larunde, Laranda, Lara) era uma Náiade ou ninfa, filha do rio Almo na Mitologia Romana. Ela era famosa tanto pela sua beleza como pela sua loquacidade - uma característica que os seus pais tentaram refrear. Ela era incapaz de guardar segredos, e assim revelou à esposa de Júpiter, Juno, o seu caso com Juturna (ninfa companheira de Larunda, e esposa de Janus). Por atraiçoar a sua confiança, Júpiter cortou a língua de Lara e ordenou a Mercúrio, o mensageiro, que a conduzisse a Averno, a entrada do Mundo Infernal e reino de Plutão. Mercúrio, no entanto, apaixonou-se por Larunda e fez amor com ela no caminho. Lara então tornou-se a mãe de duas crianças, conhecidas como Lares, deuses invisíveis guardiões dos lares. Contudo, ela teve que permanecer escondida numa casa nos bosques para que Júpiter não a encontrasse." wikipedia

"O sábio nunca diz tudo o que pensa, mas pensa sempre tudo o que diz."
(Aristóteles)

"O homem comum fala, o sábio escuta, o tolo discute."
(Sabedoria oriental)

"O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete."
(Aristóteles)

"O sábio fala porque tem alguma coisa a dizer; o tolo porque tem que dizer alguma coisa."
(Platão)

"O Sábio cala ... a verdade por si fala"
(Ponto de Equilíbrio)

"As palavras não representam a coisa em si. Elas inicialmente eram metáforas para tentar comunicar ou indicar algo. Com a evolução da linguagem e sua crescente complexidade, foram criadas metáforas sobre metáforas, ficando cada vez mais abstratas até o ponto em que sua origem, a expressão da coisa em si, se perdeu completamente. Digamos que palavras são como o NX Zero, a cópia da cópia de recópia da tricópia." Timóteo Pinto

Mais sobre Menos:

Manifesto Clarifesto - Menos é Mais

trilha sonora

mais sobre lara

mais aqui

e é só. mú

22.7.08

O Funk do Golfe

por Pedro Ivo Resende

Subi a Rocinha no meu carrinho elétrico. Além de uma bolsa de tacos, carregava comigo o intuito filantrópico de ensinar crianças carentes da favela a jogar golfe. Assim que cheguei lá, um sujeito me abordou:

- O que faz por aqui?
- Vim transformar a vida das crianças carentes.
- Me leva contigo então.
- Veja bem, eu acho que não vai dar. Você já não é mais criança.
- Mas sou carente.

Senti uma pena mortal do camarada e o acomodei no banco da frente. Pedi para ele dar um nome de mulher à bolsa de tacos e abraçá-la. O sujeito me fitou com um olhar de medo e a gente não tocou mais nesse assunto.

Passamos a nos ocupar em procurar menores abandonados. Subimos e descemos ladeiras, dobramos esquinas. Comprei duas latas de cola de sapateiro, pus em frente a um fliperama e fiquei esperando uns quarenta minutos. Nada de criança carente. Até que tive um estalo: elas só poderiam estar no colégio. Voltei pro meu carrinho de golfe e dirigi até a escola pública mais próxima. Pulei o muro, junto com meu novo amigo, e invadi uma sala de aula. A professora estava no meio de um problema matemático quando eu entrei gritando na sala:

- Quem quer aprender a jogar golfe!?

A turma toda foi tomada pelo silêncio. Após alguns instantes, um garotinho levantou timidamente o braço no fundo da sala.

- Ei, garoto. É, você mesmo, com o braço levantado. Não vai dar, viu?
- Por que, tio?
- Porque, bem... Deixa eu te explicar uma coisa: crianças em cadeira de rodas não jogam golfe. Fica pra próxima, campeão.

O guri abaixou a cabeça e chorou. Anos depois ele se tornou um cineasta de sucesso, foi premiado em Gramado e me mandou tomar no cu na entrega do Kikito. Minha mãe tem isso gravado em VHS. Mas voltemos à sala de aula. O garoto estava chorando, blá blá blá, e eu aproveitei a deixa para conversar com outro amiguinho.

- Qual o seu nome, garoto?
- Lucas.
- Tá. Me conta uma coisa, Lucas: você gosta de matemática?
- Sim.
- Conhece algum matemático que tenha namorado uma modelo famosa?
- Não.
- Me conta uma coisa, Lucas: você gosta de matemática?
- Não.

Os pirralhos se entreolharam e começaram a ficar inquietos, perturbados. Um menino investiu a lixeira contra a janela, estilhaçando o vidro. O guri da cadeira de rodas ateou fogo numa carteira e saiu, à toda velocidade, pelo corredor. Uma garotinha enfiou o dedo na garganta e vomitou no canto da sala. Era uma cena assustadora. Tive medo e fui conversar com o Lucas.

- Tá vendo? Isso tudo é culpa sua, garoto.
- Não, tio. Eles sempre fazem isso antes do recreio.
- Ah, tudo bem...

Olhei para trás e percebi que a professora desaparecera, deixando escrito no quadro negro uma equação: "Golfe x T + P + M = Quero que vocês todos morram". Apaguei aquilo e escrevi o telefone lá de casa. Quem sabe dia desses ela não me liga? Mas tudo bem, a criançada já estava descendo pro recreio e a gente podia finalmente ir embora.

A turma estava toda reunida no pátio. Mesmo assim eu sentia que faltava alguma coisa. Parei, sentei num banco e fiquei ali pensando, matutando. Pensei pra cacete. Descobri como criar um mundo melhor a partir uma nova forma de energia limpa. Mas bosta, não era isso. Precisava saber o que estava faltando ali... Continuei pensando até que, eureca, me lembrei: a bolsa de golfe, a porra da bolsa de golfe! Deixei ela com o sujeito carente, que havia sumido. Larguei a petizada por lá mesmo e rodei a escola atrás dele. Encontrei-o numa aula de Estudos Sociais.

- Sujeito carente, vamos embora daqui! Tava te procurando feito um louco.
- E eu também, mas agora eu me encontrei. Vou começar uma nova vida, aprender uma profissão, ser alguém.
- Tá bom, tá bom. Só me passa aquela bolsa com os tacos, ok?
- Bolsa não. Ela tem nome: Maria Fernanda.

Peguei os tacos e voltei pro pátio. Os guris estavam dispersos, espalhados. Tentei chamá-los para jogar golfe, mas ninguém me deu muita atenção. Nisso eu me lembrei de um velho método piagetiano.

- Aê, cambada de saco-liso, quem quer comer no McDonald´s?

Em poucos segundos toda a garotada parou o que estava fazendo e compôs uma fila indiana, organizada por ordem alfabética. Atravessamos a rua e fomos para o McDonald´s mais próximo. Quando entramos na lanchonete, eu tirei do bolso um pacote de cream-cracker e distribuí para as crianças, que não entenderam o que estava se passando.

- Vamos lá, vocês não queriam comer aqui? Engole logo isso, caceta, a gente não tem o dia todo.

Entre choros e protestos, fomos para a favela. Subimos até um plano descampado, onde eu abri a bolsa com os tacos e já ia me preparando para ensinar as minhas primeiras lições. Só que esse garoto, esse bostinha, apareceu do nada e começou a andar em volta de mim, pulando e cantando.

- "Dança, dançá, a dança do golfiiii!"
- O que é isso? Um funk?
- "Dança, dançá, a dança do golfiiii!"
- Ei, ei, menino, para com essa porra. É golfê, caceta, com "ê" no final.
- "Tu vai tomá de ar-quinziii se não dançá, dançá, a dança do golfiii"
- Olha aí, moleque: se não parar com isso, eu jogo você na lagoa e te atropelo de pedalinho. Tô avisando.

E o que era apenas um garoto virou uma massa funkeira. Primeiro foi a pirralhada engrossando o coro, mas depois os próprios moradores começaram a aparecer para ver o que estava acontecendo. Alguns batiam palmas e balançavam a cabeça, mas quase todos eles dançavam a dança do golfi, dando voltas em torno de mim. Daí vieram os instrumentos, o cheiro de feijoada e um repórter da rádio comunitária. O céu escurecendo, eu ali com vontade de ir ao banheiro e sem poder sair daquela roda. A única coisa que podia fazer era me arrepender. Me arrepender de ter inventado esse pretexto babaca de ensinar golfe na favela. Porque da próxima vez em que eu precisar comprar maconha para dar de Natal pra vovó, eu subo o morro e vou direto à boca.

3.3.08

O incrível caso de Letzen Powell

por Identidade Subaquática

Berna, 1942. Era noite, porque não fazia sol, e conseqüentemente chovia- para cachorro: lembrar Costinha ou Tom Waits. Letzen Powell estava muito nervoso, seria sua ducentésima luta; até então, não havia conquistado vitórias, tampouco derrotas, apenas empates técnicos- certa vez, seu técnico, furioso, subiu ao ring e tentou intervir na luta, fazendo caretas e segurando a toalha de forma obscena ou Wândica; por sorte, era asmático e foi retirado pela garota-de-biquini-que-segura-a-placa, que lhe fez cócegas na testa, portanto, ele não atrapalhou no resultado do combate. O técnico teve um ataque, entrou em coma e passou dois anos e meio respirando com a a juda de aparelhos eletrodomésticos- um liquidificador e uma batedeira chamada Aurora- e balbuciando apenas quatro palavras: “Gostosa”, Biquini”, “Cócegas” e “Quetzalcoatl”.

Letzen iria lutar contra Pee Wee Willoughby, um ex-lenhador que entregou sua vida ao Boxe de Mesa após ter perdido 1/3 do cotovelo esquerdo num acidente com seu machado (de Assis). O ginásio estava lotado, cerca de 12 pessoas, meia-dúzia das quais pagando meia- refiro-me à entrada, porque eram estudantes, não relacionar com meia no sentido erótico-sexual-pervertido; o mesmo é válido para entrada. O público estava tenso, 11 pessoas liam gibis e uma dormia. Pee Wee Willoughby andava de um lado para o outro no ring-de-mesa, tal qual um uma pantera numa bacia

Enquanto isso, não havia aquilo. Por falta de espaço, e levando em consideração a lei da impenetrabilidade. Mas enquanto isso, Letzen rezava diante de um totem que representava figuras de animadores de auditório famosos, e calçava as luvas. Pensava no quanto seria boa uma vitória naquela noite. Numa garçonete chamada Vitória; numa cheerleader chamada Vitória; numa neurologista chamada Vitória; num estivador chamado Vitória; numa esferográfica chamada…

Eis que as luzes do ginásio se apagam e um spot ilumina um copo de cerveja no balcão do bar onde uma mosca nadava crawl. Obviamente, o iluminador errou, foi despedido sumariamente, e substituído pela bilheteira, que tinha fotofobia, e que de óculos escuros lembrava uma vespa. O spot ilumina finalmente o apresentador da luta, um daqueles caras que tem voz de nariz grampeado. O apresentador chama Willoughby, sem necessidade, pois ele já estava no ring há 3 horas. Logo em seguida, o nome de Letzen é anunciado. Letzen encaminha-se espontaneamente para o ring, empurrado por 16 escoteiros que passavam por ali ocasionalmente e que precisavam cumprir uma boa ação.

Letzen foi delicadamente jogado no ring. Suava frio. As gotas de suor transformavam-se em pedras de gelo que, ao tocarem o chão, sumiam. Um cientista que estava na platéia viu essa cena, foi para a casa, e em 15 minutos projetou a primeira geladeira frost free.

Soa o gongo e Willoughby começa a dançar freneticamente, como um Carlinhos de Jesus plugado numa usina nuclear. Letzen pensa “Que fazer? Que fazer?”. De repente, não mais e não menos do que de repente, Letzen ouve uma voz, vinda de algures. A voz perguntou: “Alô, é da farmácia?” Letzen disse: “Não, é da casa da minha avó!”, ao que a voz respondeu “Desculpe, foi engano, eu queria falar com a MINHA avó…” Mas então veio outra voz, que disse a Letzen: “Cordas!” “Cordas?”, perguntou Letzen, e a voz respondeu “Sim, imbecil, cooooooordas, cê-ó-erre-dê-á- ésse!” Uma lâmpada brilhou na cabeça de Letzen. Uma lâmpada econômica, pois era 1942, estávamos em plena guerra e havia escassez de lâmpadas, já que muitas foram convocadas para a infantaria da Resistência Francesa.

Sendo assim, Letzen começou a se jogar nas cordas e a quicar de um lado para o outro do ring. Willoughby tentava acertá-lo, mas só conseguia esmurrar seu próprio queixo e alguns fantasmas que ali estavam.

Um tremor de terra vindo do nada atinge o ginásio e simultaneamente dez metros quadrados da praia de Grumari. O teto abre-se como o Mar Vermelho, e de lá desce um cover de Benito de Paula, que começa a cantar “Amigo do Sol e Amigo da Lua”. Todos param- inclusive os lutadores- para ver a apresentação. O Benito fake é gongado ainda na primeira estrofe pelo espectro de Ary Barroso, que emerge de um saco de pipocas pertencente a um homem vestido com um sobretudo roxo sentado na primeira fila. O bonito cover parte inconsolável do ginásio montado num filhote de elefante inflável, que escapou do vendedor de balões. A luta prossegue. Na décima-oitava vez em que Letzen quicou, Willoughby acertou um jab de esquerda fatal no seu próprio baço, sofrendo um knockdown. Willoughby teve uma convulsão, levitou, imitou Fred Astaire e, por fim, desmaiou. O juiz só contou até 3, porque era péssimo em matemática. Por dois votos a um, Letzen foi considerado campeão do combate. Estava criado o estilo Estilingue do Boxe de Mesa. Nascia um mito: Letzen Powell.