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“Everyone carries a piece of the puzzle. Nobody comes into your life by mere coincidence. Trust your instincts. Do the unexpected. Find THE OTHERS”
– Dr Timothy Leary
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“Welcome to the most ancient conspiracy on the planet. We’ve gone for so long now that we don’t remember what we were doing, but we don’t want to stop because we have nothing better to do.” - Fire Elemental
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20.3.08
Alôô! Testandoo...
ah! tem que escrever no teclado... foi mal tio...
yo!
bom só para marcar minha primeira postagem nesse blog foderístico,
quero me apresentar:
soy mister cachaça,
moro no rio de janeiro, santa teresa
tenho alguns anos e muuitos nomes
sou discordiano a uns 23 meses
faço parte da Kb.D.D.D.E.S. - Kabala dos Dois Discordianos Discordantes Entre Sí
sei lá, leio este blog a muito tempo (tanto esse quanto vários outros), mas só agora comecei a comentar e tudo mais
e venho trazendo algumas ideias
que postarei em breve
!oy
até lá
19.3.08
Jogos discordianos
Em conversa com o Rev. Cachaça, ele me revelou que está tentando organizar um jogo de tabuleiro discordiano, pelo o que eu entendi, um cruzamento entre Banco Imobiliário e Jogo da Vida.
Isso me deu várias idéias pra jogos, inclusive um super-trunfo de deuses...
E daí surgiu a idéia de fazer um CONCURSO DE JOGOS DISCORDIANOS.
Surgiu a idéia de cada um contribuir com 5 reais e como prêmio levar um Pricipia Discordia original, de capinha amarela e tudo!
Que acham?
UPDATE GANSIANO IMPORTANTE DE TIMÓTEO PINTO - 24/03
yo!
aqui nesse tópico do fórum 1001 gatos de Cheshire estão sendo expostas idéias fodásticas de jogos
oy!
17.3.08
PRIMEIRA IGREJA AMALGAMADA MULTIDIMENSIONAL
A PRIMEIRA IGREJA AMALGAMADA MULTIDIMENSIONAL DO BRASIL (PIA) é um projeto que visa reunir em uma só todas as religiões e cultos "que existiram, existem, e virão a existir nesta e em qualquer outra dimensão, realidade, plano de existência, composição, materialidade, ou anti-materialidade".
A idéia deriva originalmente da série animada Futurama, de Matt Groening, e foi re-imaginada diversas vezes. Ou seja, pode ser ou não que seja uma idéia original por si só.
O objetivo é produzir escrituras sagradas de cunho multi-teológico, abordando o máximo de visões religiosamente aplicadas possível.
http://igrejaamalgamada.blogspot.com/
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13.3.08
Sobre Lokismo
O Lokismo é um braço do Discordianismo… Esse braço Éris arrancou de Shiva, que tinha braço sobrando.
Loki é um Deus que ficou muito tempo sem função, sem ter o que fazer. Séculos e mais séculos. Éris, que não é boba (mas as vezes se finge só pra zoar), se lembrou de Loki e o recrutou (de alguma maneira que eu ainda não sei) para a operação da expansão do fnord. Loki não tinha como ficar maaais feliz.
Talvez ele nem tenha ficado tanto tempo parado não… Éris domina o tempo-espaço, ela pode ter trazido ele direto da sua aposentadoria forçada (descrença de quem cria) pro presente ou pra um passado próximo para um treinamento (alguns eventos importantes non-sense da humanidade podem ser frutos desse treinamento). Mas hoje em dia ele já foi “efetivado”.
Acredita-se que Loki, antes de reassumir seu papel de deus das travessuras, confusões e brincadeiras, tentou ser Deus de várias outras coisas. Tentou ser o deus das tesouras sem ponta, deus do feriado na quarta-feira, deus dos palíndromos, deus da tlipsosis (uma parafilia que consiste na excitação em beliscar outra pessoa), mas ele ficou um tempão mesmo sendo deus das palavras ao contrário. Ou, como ele gostava de dizer “Oirártnoc oa sarvalap sad sued”. Tudo que ele via escrito ele invertia. Tudo que alguém falava ele repetia ao contrário. E isso virou um cacuete. Ele não se sentiu incomodado, mas desistiu quando parou de pegar mulher por causa disso. De vez em quando ele ainda repete o vício. Ele estava no fundo do poço e virou funcionário público. Dizem que foi por volta dessa época que Éris recrutou Loki. Dizem.
Cooonta uma lenda que ele pregou uma peça em Onan. Toda vez que Onan se olha no espelho, ele reduz seu tamanho pra dimensões microscópicas por alguns segundos, por que Onan ao contrário é “Nano”, e Loki se amarra em trocadilhos. Cooonta uma lenda.
Sem sombra de dúvida, se churros com doce de leite tem um deus, esse deus é Loki. Pode ser que Éris tenha achado Loki perdido quando ela foi comer seu cachorro-quente… Do lado tinha uma barraquinha de churros com doce de leite.
5.3.08
Professor: "Moisés agiu sob efeito de alucinógenos"
Em um artigo provocador publicado esta semana pelo Time and Mind, um jornal dedicado à filosofia, Shanon considera que o consumo de psicotrópicos fazia parte dos rituais religiosos dos judeus mencionados pelo livro do Êxodo na Bíblia.
"Em relação a Moisés no Monte Sinai, trata-se de um acontecimento cósmico sobrenatural no qual não acredito, ou de uma lenda na qual também não creio, ou, e isso é muito provável, de um acontecimento que uniu Moisés e o povo de Israel sob o efeito de alucinógenos", afirmou o professor à rádio pública israelense.
"A Bíblia afirma nesse sentido que 'o povo vê sons' e esse é um fenômeno muito clássico, por exemplo na tradição da América Latina, onde se pode 'ver' a música", acrescentou.
Também mencionou os exemplos da sarça ardente e da Árvore do Conhecimento no Jardim do Éden, indicando que, nos desertos do Sinai egípcio e do Neguev israelense, há ervas e plantas alucinógenas que os beduínos ainda utilizam.
De acordo com o professor Shanon, as sociedades tradicionais xamânicas utilizam alucinógenos em seus ritos religiosos. "Mas essa utilização está submetida a regras muito estritas", explica.
"Fui convidado em 1991 para uma cerimônia religiosa no norte da Amazônia, no Brasil, durante a qual provei um preparado feito com uma planta, a ayahuasca, e tive visões de conotação espiritual e religiosa", acrescentou.
Segundo este pesquisador, os efeitos psicodélicos das bebidas preparadas com a ayahuasca são comparáveis aos produzidos pelas bebidas fabricadas com o córtex da acácia. A Bíblia menciona esta árvore freqüentemente, e sua madeira é parecida com a que foi utilizada para talhar a Arca da Aliança.
fonte: terra
3.3.08
O incrível caso de Letzen Powell
Berna, 1942. Era noite, porque não fazia sol, e conseqüentemente chovia- para cachorro: lembrar Costinha ou Tom Waits. Letzen Powell estava muito nervoso, seria sua ducentésima luta; até então, não havia conquistado vitórias, tampouco derrotas, apenas empates técnicos- certa vez, seu técnico, furioso, subiu ao ring e tentou intervir na luta, fazendo caretas e segurando a toalha de forma obscena ou Wândica; por sorte, era asmático e foi retirado pela garota-de-biquini-que-segura-a-placa, que lhe fez cócegas na testa, portanto, ele não atrapalhou no resultado do combate. O técnico teve um ataque, entrou em coma e passou dois anos e meio respirando com a a juda de aparelhos eletrodomésticos- um liquidificador e uma batedeira chamada Aurora- e balbuciando apenas quatro palavras: “Gostosa”, Biquini”, “Cócegas” e “Quetzalcoatl”.
Letzen iria lutar contra Pee Wee Willoughby, um ex-lenhador que entregou sua vida ao Boxe de Mesa após ter perdido 1/3 do cotovelo esquerdo num acidente com seu machado (de Assis). O ginásio estava lotado, cerca de 12 pessoas, meia-dúzia das quais pagando meia- refiro-me à entrada, porque eram estudantes, não relacionar com meia no sentido erótico-sexual-pervertido; o mesmo é válido para entrada. O público estava tenso, 11 pessoas liam gibis e uma dormia. Pee Wee Willoughby andava de um lado para o outro no ring-de-mesa, tal qual um uma pantera numa bacia
Enquanto isso, não havia aquilo. Por falta de espaço, e levando em consideração a lei da impenetrabilidade. Mas enquanto isso, Letzen rezava diante de um totem que representava figuras de animadores de auditório famosos, e calçava as luvas. Pensava no quanto seria boa uma vitória naquela noite. Numa garçonete chamada Vitória; numa cheerleader chamada Vitória; numa neurologista chamada Vitória; num estivador chamado Vitória; numa esferográfica chamada…
Eis que as luzes do ginásio se apagam e um spot ilumina um copo de cerveja no balcão do bar onde uma mosca nadava crawl. Obviamente, o iluminador errou, foi despedido sumariamente, e substituído pela bilheteira, que tinha fotofobia, e que de óculos escuros lembrava uma vespa. O spot ilumina finalmente o apresentador da luta, um daqueles caras que tem voz de nariz grampeado. O apresentador chama Willoughby, sem necessidade, pois ele já estava no ring há 3 horas. Logo em seguida, o nome de Letzen é anunciado. Letzen encaminha-se espontaneamente para o ring, empurrado por 16 escoteiros que passavam por ali ocasionalmente e que precisavam cumprir uma boa ação.
Letzen foi delicadamente jogado no ring. Suava frio. As gotas de suor transformavam-se em pedras de gelo que, ao tocarem o chão, sumiam. Um cientista que estava na platéia viu essa cena, foi para a casa, e em 15 minutos projetou a primeira geladeira frost free.
Soa o gongo e Willoughby começa a dançar freneticamente, como um Carlinhos de Jesus plugado numa usina nuclear. Letzen pensa “Que fazer? Que fazer?”. De repente, não mais e não menos do que de repente, Letzen ouve uma voz, vinda de algures. A voz perguntou: “Alô, é da farmácia?” Letzen disse: “Não, é da casa da minha avó!”, ao que a voz respondeu “Desculpe, foi engano, eu queria falar com a MINHA avó…” Mas então veio outra voz, que disse a Letzen: “Cordas!” “Cordas?”, perguntou Letzen, e a voz respondeu “Sim, imbecil, cooooooordas, cê-ó-erre-dê-á- ésse!” Uma lâmpada brilhou na cabeça de Letzen. Uma lâmpada econômica, pois era 1942, estávamos em plena guerra e havia escassez de lâmpadas, já que muitas foram convocadas para a infantaria da Resistência Francesa.
Sendo assim, Letzen começou a se jogar nas cordas e a quicar de um lado para o outro do ring. Willoughby tentava acertá-lo, mas só conseguia esmurrar seu próprio queixo e alguns fantasmas que ali estavam.
Um tremor de terra vindo do nada atinge o ginásio e simultaneamente dez metros quadrados da praia de Grumari. O teto abre-se como o Mar Vermelho, e de lá desce um cover de Benito de Paula, que começa a cantar “Amigo do Sol e Amigo da Lua”. Todos param- inclusive os lutadores- para ver a apresentação. O Benito fake é gongado ainda na primeira estrofe pelo espectro de Ary Barroso, que emerge de um saco de pipocas pertencente a um homem vestido com um sobretudo roxo sentado na primeira fila. O bonito cover parte inconsolável do ginásio montado num filhote de elefante inflável, que escapou do vendedor de balões. A luta prossegue. Na décima-oitava vez em que Letzen quicou, Willoughby acertou um jab de esquerda fatal no seu próprio baço, sofrendo um knockdown. Willoughby teve uma convulsão, levitou, imitou Fred Astaire e, por fim, desmaiou. O juiz só contou até 3, porque era péssimo em matemática. Por dois votos a um, Letzen foi considerado campeão do combate. Estava criado o estilo Estilingue do Boxe de Mesa. Nascia um mito: Letzen Powell.
7.2.08
Discórdia Brasilis - Número 1
As edições saem quando os textos aparecem. Mais ou menos uma edição a cada cinco anos. Ou não
Essa é a primeira edição, e quase todos os textos são de um antigo livro apócrifo, que foi perdido em um incêndio perpretado por ELES e recentemente restaurado através de técnicas hihicroned, também chamado “Discórdia Brasilis”, feito para manifestar o discordianismo brasileiro.
Faça o download aqui
Mande sua contribuição para uma hipotética segunda edição (textos, imagens, reportagens, manifestos, cartas de amor) para o email timoteop@gmail.com
Discórdia Brasilis - Número 1
As edições saem quando os textos aparecem. Mais ou menos uma edição a cada cinco anos. Ou não
Essa é a primeira edição, e quase todos os textos são de um antigo livro apócrifo, que foi perdido em um incêndio perpretado por ELES e recentemente restaurado através de técnicas hihicroned, também chamado “Discórdia Brasilis”, feito para manifestar o discordianismo brasileiro.
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3.2.08
Deputado dos EUA dá idéia de carro movido a maconha
fonte: G1
1.2.08
Sarau Manual Delinquência Juvenal
Endereço: Espaço Impróprio - R. Dona Antônia de Queirós, 40
(Trav. da Augusta)
Data: 3 fev
hora: 16Hs
Traje: casual
Levar camisinha pra qualquer eventualidade
31.1.08
No Planeta dos Macacos!
Mas em que inferno de realidade fui cair?"
29.1.08
O Digamasigmato
Esses dias, como parte do meu projeto auto-mindfuck, eu tava tentando decorar de cabeça o alfabeto ao contrário (z-x-w-v-u-t-s-r-q-p-o-n-m-l-k-j-i-h-g-f-e-d-c-b-a).
Daí eu fiquei pensando: quem diabos criou a ordem do alfabeto? Por que tinha que ser alfa + beta? Quem inventou essa ordem? Por que essa ordem me foi imposta? Por que eu tenho que engolir essa ordem sem questionar? Eu não tenho!
Daí eu decidi criar minha própria ordem! Comentei com o amigo Nem, que simpatizou com a causa e me ajudou a elaborar o digamasigmato!
F-S-L-V-G-O-T-B-H-Z-U-N-C-X-E-W-D-M-R-I-P-Y-J-A-Q-K
Essa é uma ordem totalmente aleatória, mas eu achei ela bastante simpática. O nome, assim como alfabeto, vem das duas primeiras letras: f - digama /s - sigma. Mas eu poderia muito bem escolher um nome qualquer. Essa ordem poderia se chamar José, inclusive.
Saiba Mais:
Projeto Heteroclitices
20.1.08
1,2,3...
Câmbio desligo e passo a marcha....
Menos é Mais
-->-=+<--
18.1.08
O dia que o mundo não girou.
É uma divisão simples e, ao meu ver, bem acurada. Tentar caracterizar qualquer um desses grupos com qualquer outra coisa seria tornar tais afirmações mais errôneas do que já podem ser. Afinal, pessoas são como são, e só por terem pontos em comum não quer dizer que elas pensem igual sobre certos assuntos.
"O dia que o mundo não girou" é uma teoria que diz que em algum lugar do passado todas as probabilidades mais improváveis foram verdadeiras ao mesmo tempo. O Azarado ganhou na loteria, o Feio casou com a Miss Mundo, a Gostosa ficou sozinha, o Esperto errou tudo, o Burro tudo acertou e o Estranho não disse um "A" fora da linha, sequer pensou.
Obviamente isso tudo causou um paradoxo exponencial que alterou a realidade, e tudo que era improvável foi acontecendo direto. Até que o mundo não girou. E aí fudeu tudo... Alguém teve que tomar uma providência e apagar aquilo da História, tendo que refazer tudo como estava antes. E, é claro, alguns erros escaparam e algumas medidas de segurança foram tomadas.
Em outras palavras, as coisas improváveis se tornaram mais improváveis ainda, enquanto outras menos importantes sairam vagando por aí feito loucas, acontecendo direto. Eu acho uma boa teoria, explicaria muita coisa na minha vida xDDD
Também explicaria a divisão proposta no começo. Monótono e interessante. Simples e complicados. Muitas improbabilidades, poucas improbabilidades. Seremos todos guiados por este erro passado?
Então, faz algum sentido?
16.1.08
Não existe abraço grátis
Rodolfo, o espírito de porco. Fazia sinal para os ônibus pararem com uma saudação nazista.
- Rodolfo, você nem sabe o que aconteceu. Pra começar, paguei muito barato nesse celular. Adivinha quanto foi!
- Uns três reais.
- Assim também não. Nenhum celular é tão barato. Paguei cento e cinqüenta reais.
- É um preço razoável.
- Mas escuta, fui conversar com o vendedor da loja e ele me pediu quinhentos reais. E tinha que pagar à vista. Aí eu virei pra ele e disse "Vai tomar no cu, quinhentos reais é um absurdo!".
- Posso fazer um parêntese?
- Sim.
- Você não falou "vai tomar no cu" na hora. Pode até ter pensado nisso, mas não falou. Não teve a coragem. As pessoas sempre se põem como os grandes heróis das histórias que contam.
- É... Na verdade eu conversei com ele numa boa. Gostei do cara. Parcelamos o aparelho em três vezes de cento e cinqüenta. Mas você não sabe da maior! Quando fui pagar, eu ganhei uma promoção e levei esse outro celular de graça. Olha só, não foi legal?
- Sim, foi legal, mas só para você que ganhou o prêmio. Eu não achei legal. Fiquei com uma ponta de inveja, para falar a verdade.
- Mas por quê? Você não fica contente pelos seus amigos?
- Não, pelo contrário. Eu até gosto de você mas, por exemplo, quando sua mulher te largou, meu coração se encheu de alegria. Foi um dia especial. Você passou a ser um fudido, como eu. Não estava mais sozinho no clube.
- Meu deus, você é um monstro!
- Um monstrinho.
- Um monstro desprezível.
- Um monstrinho afável.
- Um monstro desprezível e perverso.
- Um monstrinho afável que precisa de um abraço. Ele está se desculpando com você.
- Bem... eu não sei.
- Vamos lá, anda.
Os dois amigos se abraçam. São de momentos como estes que a vida é feita. Eles se desvencilham e Rodolfo aproveita para preencher o vácuo do momento com um comentário saudosista.
- Lembra quando você estava se recuperando de uma ponte de safena e eu te mandei um presente?
- Lembro, lógico. Foi aquela latinha que, quando você abria, pulava uma cobra lá de dentro. Eu tomei um susto e precisei voltar para a sala de cirurgia. Mas isso não importa, você se lembrou de mim, mostrou que se importa.
- Pois então: mais um abraço pro monstrinho aqui?
- Não, chega Rodolfo!
10.1.08
O Círculo Quadrado
Da Comunicação oficial entre REV. IBRAHIM CESAR (1986-????) e TIMÓTEO PINTO (????-NUNCA): “Esse cara não pára de me mandar textos e mais textos discordianos. É muito perigoso como o nobre colega sabe ficar escrevendo tantas verdades. Quando lhe perguntei de onde os tirava temi na hora que ele me respondesse com um palavrão. Sua resposta no entanto não foi nem um pouco esclarecedora. Tudo o que o maldito bastardo me disse foi: ‘Irrelevante’. Segue o primeiro deles para apreciação”.
O CÍRCULO QUADRADO, UMA FÁBULA DISCORDIANA, divinamente inspirado por Éris a Rev. Voynich
ATCHUNG! Esta história que vocês irão ter o (des) prazer de acompanhar pode ser verdade. Pode ser mentira. Pode ser verdade ou mentira. Verdade e mentira. Ou pode ainda não ser nenhum dos dois. Interpretações tanto literais como metafóricas são encorajadas desde que não use isso como desculpa para queimar nenhuma mulher que deu bola para você ou explodir gordinhos em torres. Obrigado.
Conta-se que há muito tempo atrás quando Éris conheceu YHVH (você não pode dizer isso), a mesma não ficou nenhum pouco impressionada. E garotas como Éris são do tipo que qualquer sujeito faria de tudo para impressionar.
“Eu sou o Alfa e o Ômega, sabe?” YHVH disse puxando papo. “Todo-poderoso. Não há coisa nenhuma que eu não possa fazer sabe? ”
“Oh. Sério?” Éris respondeu bocejando de tédio, mais preocupada em observar Teseu se abaixando para levantar algo. Esses caras gregos usavam aquelas togas e se quer saber, sempre que se baixavam para pegar alguma coisa era simplesmente uma indecência. E sujeitos como Teseu estavam sempre se abaixando. Alguns historiadores como Rutherford e Newton, inclusive sustentam a tese de que o clássico “derrubar o lenço” das mulheres nasceu ali na Grécia, para que essas indecências acontecessem. “Eu sempre gostei mais de Pi. Ou Kappa. Alfa é muito nariz empinado, sabe? Por ser o primeiro e tal. E o Ômega, a não ser que esteja em uma trindade não é nenhum pouco legal”.
“Trindade?”, YHVH pensou. “Mas vamos, senhorita…Diga-me algo para fazer”.
Éris no mesmo momento teve certeza de que ele a estava paquerando. Olhou ele dos pés à cabeça e teve a idéia de criar mais discórdia. Esse era o emprego dela afinal.
“Ok”, ela disse cruzando os braços. “Diga para aquele cara ali, olhe…”
“Jó?”, YHVH perguntou espantado. “Acho melhor não, sabe? Eu já (censurado) a vida dele”.
“E que tal aquele?”
“Abraão? Tudo bem. O que eu faço?”.
“Mande…Ele matar o filho dele”.
Nessa época os deuses ainda sabiam o nome e as fofocas de cada pessoa no mundo. Hoje em dia divindades como YHVH possui assessores para lidar com isso e não se dá ao trabalho de nem saber o nome do papa. YHVH chamou um dos seus moleques de recado (formalmente conhecidos hoje como anjos, mas que na época não eram nenhum pouco respeitados. Para se ter uma idéia, no panteão egípcio, YHVH tinha a mesma fama de Michael Jackson por causa de seus “garotos” de quem dizia “gostar de dividir minha cama com eles”).
“Oh. Não. Não mate o pobre coitado!”, Éris se deu conta.
“O quê?”, YHVH perguntou confuso.
“Você não pode fazer tudo, Gama?”, ela o desafiou.
“É Alfa. E Ômega. Posso sim”, ele disse antes de assobiar para um de seus garotos que olhou para ela e mostrou a língua antes de evitar o pior.
“Viu?”, YHVH perguntou enquanto olhava para o garoto interrompendo Abraão que ficou realmente muito bravo quando o sujeito com asas de galinhas de surgiu e disse “Punk’d” ou algo assim.
“Não”, Éris disse. “Você não pode”.
“Claro que eu posso”.
“Não. Não pode”.
“Eu aposto que posso, senhorita! Eu aposto por De…Pela vida do meu único filho!”
“Ok”, Éris disse. “Faça-me um círculo quadrado”.
“Censurado”, YHVH pensou.
Éris olhou para ele com pena e o deixou lá. Após esse pé na bunda, YHVH saiu em cólera (alguns dizem chorando) e saiu contando para todo mundo que Eva havia comido a bendita maçã quando na verdade ela era apenas a mulher do jardineiro. Eles eram naturalistas. Séculos mais tarde YHVH pagaria a sua aposta.
O resto é história.
8.1.08
Reflexos de Si como Hihimoços de Sabedoria
Como o hihicroned é tão imprevisível, nulo e adaptável!
Tão primal e inteligente!
Tão influenciável e útil!
Irei contar uma história muito mais que verídica. Uma história possível!
Assim como Lho ficava deslumbrado com a harmonia hihicroned e com o próprio jeito holístico de ver as coisas, Tro estava infesado, querendo separar tudo com seu jeito analítico.
Ó mas que ingenuidade a minha: Tro e Lho são a mesma pessoa atualmente, mas em outros tempos, Tro era uma grande vilã.
Então Lhtro estava olhando para as nebulosas dançantes, mas dessa vez no próprio casulo que tinha formulado em sua pérola. Era igual ao seu lugar do trono, mas agora ele podia entrar no ar e soprar si mesmo. E foi isso que aconteceu...
Abriu-se um livro em tudo. Todo o mundo se abriu em livro, um livro com uma única palavra multiplicada diversas vezes: H!H!CRONED
Assim, o escriba que vcs vêem quando vêm me ver agora era Lhtro e ele começou a escrever diversas palavras: HIHICRONED H!H!CRONED HiHiCrOnEd.
Mas o escriba era tão hihicroned que ele começou a imaginar e, então, o escriba que era antes Lhtro se viu em uma sala com um computador em uma mesa de hihicroneds.
No mundo Ahooooo, parte Cyber, gritou Ahooooooo e acabou vendo o próprio escriba mais novo, a um tempo atrás.
O escriba mais novo estava falando no mundo Cyber.
Ele depois, acabou de falar.
"Ó" - disse o escriba velho - "Estou ouvindo palavras tão sábias que agora estou achando que sou um Hihimoço da Sabedoria..."
Tudo estava in-memória de alguem ou algo, mas de lá ele pôde retirar muitas coisas que ele considerava sábias.
Mas o próprio Sábio Hihimoço encrustado in-mundo Ahooo do escriba pensou:
"A cada época, a cada soluço, a cada solstício, a cada era, a cada livro aberto, a cada Ahoooohihicroned gritado é produzido um Hihimoço de Sabedoria a partir de olhadas no espelho, seja in-mundo Cyber, in-mundo Ahoooo, in-mundo Hoooo, in-Bio... Portanto, o que vc vê in-Cyber, no caso, tu mais novo falando, é um Hihimoço de Sabedoria justamente pq vc é um escriba mais velho e com mais contato com hihicroned, sendo possível assim vc tirar mais coisas sábias ou mais coisas diferentes das falas dele. O seu personal mundo Ahoooo mudou, junto com as captações que vc tira de si mais jovem."
Quando Lho, Lhtro, voltou para sua pérola linda e negra, ele tinha percebido que tinha desejado aprender.
1.1.08
"No êxtase, penetra em um mundo desconhecido, o dos Espíritos etéreos, com os quais entra em comunicação, sem que, todavia, lhe seja lícito ultrapassar certos limites, porque, se os transpusesse, totalmente se partiriam os laços que o prendem ao corpo. Cerca-o então resplendente e desusado fulgor, inebriam-no harmonias que na Terra se desconhecem, indefinível bem-estar o invade: goza antecipadamente da beatitude celeste e bem se pode dizer que pousa um pé no limiar da eternidade.
No estado de êxtase, o aniquilamento do corpo é quase completo. Fica-lhe somente, pode-se dizer, a vida orgânica. Sente-se que a alma se lhe acha presa unicamente por um fio, que mais um pequenino esforço quebraria sem remissão.
Nesse estado, desaparecem todos os pensamentos terrestres, cedendo lugar ao sentimento apurado, que constitui a essência mesma do nosso ser imaterial. Inteiramente entregue a tão sublime contemplação, o extático encara a vida apenas como paragem momentânea.
Considera os bens e os males, as alegrias grosseiras e as misérias deste mundo quais incidentes fúteis de uma viagem, cujo termo tem a dita de avistar.
Dá-se com os extáticos o que se dá com os sonâmbulos: mais ou menos perfeita podem ter a lucidez e o Espírito mais ou menos apto a conhecer e compreender as coisas, conforme seja mais ou menos elevado. Muitas vezes, porém, há neles mais excitação do que verdadeira lucidez, ou, melhor, muitas vezes a exaltação lhes prejudica a lucidez. Daí o serem, freqüentemente, suas revelações um misto de verdades e erros, de coisas grandiosas e coisas absurdas, até ridículas."
fonte: H.E.U.
17.12.07
Iconoclastas, Avante!!!
Historia, materialismo, monismo, positivismo e todos os "ismos" deste mundo são ferramentas velhas e enferrujadas que já não preciso e com as quais já não me preocupo mais.
Meu prinicpio é a vida, meu fim é a morte. Gostaria de viver a minha vida intensamente para poder abraçar a minha morte tragicamente.
Você está esperando pela revolução? A minha começou a muito tempo atrás. Quando você estará preparado?... [Que espera sem fim!!!!!]....Não me importo que me acompanhe, mas quando você parar eu prosseguirei em meu caminho insano e triunfal em direção a grande e sublime conquista do NADA!
Qualquer sociedade que você construir terá seus limites. E para além dos limites de qualquer sociedade, os desregrados e heróicos vagabundos, crianças selvagens, vagarão com seus pensamentos insanos e virgens, aqueles que não podem viver sem constantemente planejar novas e terriveis rebeliões, atos de terrorismo poético. Talvez um Armagedom por semana.
Quero estar entre eles!
E atrás de mim, como na minha frente estarão aqueles dizendo a seus companheiros voltarem a si mesmos em vez de aos seus deuses ou idolos. Descubra o que existe em vocês, traga-o a Lux!,mostre-se!
Porque toda pessoa que procura por sua interioridade, descobre que estava miseravelmente escondido dentro de si, uma sombra eclipsando qualquer forma de sociedade que possa existir ao o Sol.
Todas as sociedades tremem quando a desdenhosa aristrocacia dos vagabundos, dos inacessiveis, das crianças selvagens, dos que governam sobre um ideal e dos conquistadores do NADA, avança ressolutamente.
Iconoclastas, Avante!!!
O Céu em presentimento já torna-se escuro e silencioso!
16.12.07
13.12.07
Ari Almeida, Dinheiro, Múltiplas Identidades...
Logo depois de publicar meu artigo sobre essa figura imprevisível, nosso maior terrorista poético, me surpreendi com uma entrada em seu blog que a princípio daria a entender que ele passou por uma alteração brusca em sua maneira de pensar, Dinheiro como Deus: Uma mudança na percepção do dinheiro enquanto valor.
Nos comentários, as reações variaram ente "Alguma coisa mudou nesse blog" e "O Ari endoidou". Um tanto doido ele sempre foi, afinal apanhar sistematicamente de seguranças ao desafiar shopping centers, igrejas e outros redutos do consumismo e da moral não é um comportamento dos mais comuns. No entanto, todas as ações descritas em seu Manual Prático de delinqüencia juvenil, por mais inusitadas e polêmicas que sejam, transmitem uma análise sobre o poder bem mais lúcida do que a que o stablishment tenta nos vender. Há pelo menos dois anos eu acompanho o blog de Ari Almeida, e, por mais porra-louca que ele seja, me convenceu de ser alguém que sonha com um mundo mais livre. Trata-se de um neo-anarquista, leitor de Hakim Bey, Foucault e Deleuze, capaz de escancarar as contradições do sistema capitalista em ações criativas, que, a meu ver, se parecem um pouco com o que vem ocorrendo na atual "arte engajada", porém com uma contundência muito maior. No mínimo me parecem mais sinceras, como vocês podem conferir na resenha que escrevi para o Casulo, disponível logo abaixo.
Confesso que me senti um tanto culpado no dia do lançamento do Casulo. Não por defender alguém tão radical, mas, pelo contrário, por no mesmo dia ter me apresentado em um espaço patrocinado por um banco, o Itaú Cultural. Se nosso Delinqüente está nesse exato momento confundindo todos que o tomam como um herói do combate ao sistema, eu, apesar de não ter um currículo como o dele, fui tão contraditório quanto. Ao mesmo tempo que eu elogiava um terrorista poético que exorcisava bancos, "lugares do mal" como ele diz, minha arte estava à disposição do Itaú, o que de certa forma agrega valor à instituição. No mundinho das artes prospera uma militância ferrenha, um povo tão obsecado pelo ideal de uma arte imune ao mercantilismo que já não consegue olhar para obra nenhuma, apenas para os veículos em que ela aparece. Eu já escrevi muitas vezes que essa ala mais crítica, que conseguiu estabelecer o pensamento dominante em artes plásticas, nunca foi coerente, apenas faz barulho mas não age de acordo com o que prega. De qualquer modo, mais parecia uma brincadeira do destino que, no dia primeiro deste mês, eu estivesse ao mesmo tempo lançando um texto quase inofensivo em um banco e outro texto, combativo, que criticava não só os bancos como todos os perpetuadores da lógica selvagem do capitalismo.
Vou tentar dar conta aqui dessas contradições, tanto as minhas quanto as do Ari. No texto mais recente de seu blog, pela primeira vez ele fez algo como um elogio sem pudores ao dinheiro. Uma coisa surpreendente, vinda de alguém que colocou meninos de rua em um shopping, atacou a fábrica da Renault, e dispara afirmações como "a generosidade não tem vez no mercado global". Por outro lado, jamais notamos em Ari uma posição comprometida com qualquer militãncia tradicional. Pelo contrário, ele deixou claro muitas vezes que não se orientava por uma Revolução, mas pelos levantes, pelos breves momentos de liberdade - o que Hakim Bey chamaria de TAZ (Zona Autônoma Temporária) e Deleuze de linhas de fuga. Uma coisa que me atraiu nesses discursos foi constatar que seus inimigos são os mesmos que os meus: o pensamento único, a realidade consensual. Pensar que o inimigo seria simplesmente "o capitalismo" apenas nos faria patinar na lama, já que não se trata de algo tão monolítico quanto se pode imaginar. Além disso, por mais que simpatizemos com ideais igualitários, não acreditamos que as pessoas já tenham uma mentalidade à altura de uma sociedade anarquista. Talvez jamais venham a ter, e ainda assim considero o terrorismo poético uma arma das mais interessantes nessa luta. Não é a luta de quem pretende uma tomada de poder, mas de quem anseia pela expansão do senso crítico. E o terrorismo poético não é a única arma, mas uma das mais sedutoras, porque pega as pessoas desprevenidas, convida-as para a reflexão usando métodos heterodoxos, diante dos quais ninguém tem um escudo pronto.
Uso aqui o "nós" porque as posições coincidem em muitos pontos, não porque somos um movimento. Contudo, o que nos interessa é a liberdade, um ideal muito mais verdadeiro que a "bondade", coisa que a rigor sequer existe - para quem tem dúvidas, que leia um pouco de Nietzsche, e entenda por a + b que a bondade é uma ficção. A propagação de qualquer ideologia baseada em imperativos categóricos só pode mobilizar através de uma nova forma de domínio, o que não deixa de ser bastante limitador. Nossa ética, por sua vez, tem uma presença imanente: é a constatação de que a liberdade individual entra em choque com a mentalidade do capitalismo avançado, por mais individualista que seja esse sistema. A competição exarcebada, a decorrente violência, os desejos inculcados artificialmente pela publicidade... não vamos entrar em detalhes em um texto curto, mas o caso é que tudo isso tende a diminuir a potência do indivíduo e a qualidade de sua vida, mesmo que na aparência seja o contrário. Porém, a contradição está dos dois lados, tanto à esquerda quanto à direita. Afinal, que liberdade seria essa em que, para questionar os abusos do poder, uma vontade autêntica (de gastar um pouco de dinheiro) tivesse que ser duramente reprimida? Não se pode ser dogmático, não se pode insistir que o consumo traga somente a infelicidade, nenhum ideal vai muito longe apoiado em sofismas. Por esse motivo não condeno Ari quando diz que não devemos rejeitar o dinheiro, apenas ter uma relação mais saudável com ele. Em uma de suas tiradas, ele disse algo com que só posso concordar: "Não estou falando de não comer, estou falando de mastigar antes de engolir. Estou falando de sentir o gosto da parada a tempo de cuspir fora se for uma merda. Ou pior: veneno. Enfim, senso crítico."
Ari está aposentado como terrorista poético. Aquela fase de sua vida ao menos rendeu seu Manual Prático da delinqüencia Juvenil, que me anima por se tratar de um convite à reflexão acessível a qualquer adolescente esperto. É preciso algo mais cativante do que panfletos para conquistar quem poderia muito bem se encerrar no egoísmo, e nesse ponto o Ari é prato cheio para os jovens. A linguagem dele é a linguagem das ruas, sua ironia questiona e diverte ao mesmo tempo e suas aventuras são demonstrações práticas de que o melhor da vida não está nas promessas do status quo. Não é um livro que ensina como derrubar o sistema, mas ensina a não abaixar a cabeça.
Ainda assim, para mim está bastante claro que a delinqüencia só pode mesmo ser juvenil, não é aconselhável para quem começa a ter rugas na cara. Tanto é verdade que o novo herói de Ari é George Soros, um dos maiores especuladores de todos os tempos. Ainda assim, Soros não é simplesmente um "porco capitalista". Também é um homem excêntrico, que alimenta associações de esquerda das mais atuantes e a defesa de programas polêmicos, tais como a legalização do aborto. Eu nunca duvidei que pode haver coerência entre subversão e acumulação de capital, não só pelo exemplo do Soros, que realmente incomoda os conservadores, como pelo exemplo de Asger Jorn, um pouco mais caro para mim. Asger Jorn foi um pintor expresssionista do grupo COBRA, que pintou seguindo seu desejo, sem se render aos preceitos sufocantes da arte engajada. Ele pintou telas que eram prazerosas tanto para ele quanto para o público, abusou das brechas do sistema, ganhou dinheiro, deve ter gasto com algumas regalias porque ninguém é de ferro, mas uma generosa parte dessa renda foi para Guy Debord e os situacionistas. Com isso, a atuação dele rendeu muito mais frutos na expansão do senso crítico do que os lamentos exangües da atual arte engajada, que nada tem de livre, nem de prazerosa, nem de contundente. Também por isso não me interessa a anti-arte, já que toda grande obra, mesmo quando formalista e apolítica, contribui para uma mentalidade mais elástica. Um bom artista sabe despertar no espectador a sensação de que a vida pode ser intensa, que pode ir um pouco além do materialismo. Eis porque vejo mais coerência em defender tanto o terrorismo poético quanto a arte erudita, cada uma em seu campo de atuação, do que diluir uma coisa na outra e chegar a uma "arte engajada" que pouco mais consegue do que assumir uma séria crise de identidade.
Obs: uma ou outra pessoa chegou a pensar que eu sou o Ari Almeida ou que ele é uma ficção minha. É bom esclarecer que não moramos na mesma cidade e tampouco nos conhecemos pessoalmente. Aliás, somente por dedução posso afirmar que ele não é fictício. São poucas as pistas que ele deixou quanto à veracidade de suas ações, mas algumas delas são suficientes para supor que, por mais fantástico que pareça, ele pôs em prática as ousadias relatadas em seu livro.
12.12.07
Contos de uma experiência intermundana.
Em síntese, o individuo branquino sofre de crise de identidade e sempre cai em contradição. De toda a classe eles são os mais desprezáveis e imbeciloides, sua retórica consiste num aglutinado de coisas que esse tipo de ser vai percebendo e absorvendo muitas vezes a força. A característica mais detestável desse tipo fundamentalista é que é portador de paciência absoluta, sendo essa uma característica auto-destrutiva pois quando se choca com tipos alma-sebosas promiscos, sempre são mortos, dilacerados e estuprados com objetos nunca delicados.
pelo menos o lado azulado é bem mais introspectivo, acredita que eles nem são tão fundamentalistas assim... tive oportunidade exclusiva de flagrar um elemento azuloide desequilibrado confabulando consigo mesmo, como mandar a camada mais palerma do tipo para a classe vermeloide (a classe vermeloide é a classe mais perseguida dos fundamentalistas, entrando no século XXI praticamente em extinção e devido a essa circunstância, os seres dessas classe aprendem desde cedo a terem grande habilidade, ou seja... os palermas azuloides não chegariam nem a se transferir para classe vemeloide seriam aniquilados, morrendo de hemorragia pelos dedos, já que esses estariam todos no seu cu, divididos em falanges).
Eu não podia acreditar no que eu estava vendo, nunca tinha visto nada parecido, então não podia perder esta ímpar oportunidade, e num êxtase para fuder o fundamentalista, usei a arma mais mais temida por todo tipo de fundamentalista: o flagra.
EI RAPÁ!!!!!!
ia aproveitar o momento para valorizar o silêncio, olhando pra ele com ódio, deixa-lo mais tenso e tentar cavar ainda mais a cova que ia entrar em segundos. mas foi quando fui surpreendido, ele simplesmente se assustou e retrucou:
- vai olhar teu cu no espelho pra tu se assustar quando vê que ele não tem mais prega!
eu não acreditando fui para cima...
- COMO É RAPA! SEM PREGA É O CU DA CACHORA DA TUA MÃE QUE VIVE LAMBENDO A PORRA QUE SAI ESCORRENDO PELO TEU REGO DOS JUMENTO QUE TE COME FILHO DE UMA PUUUUTA! AGORA TU VAI VER O QUE É CU SEM PREGA, BILOLA SEM CABEÇA, FUCINHO SEM OLHO, BOCA SEM DENTE, MÃO SEM DEDO, PERNA SEM PÉ, OUVIDO SEM ORELHA E JOELHO SEM ROTULA PQ EU VOU ARRANCAR TUDINHO E BUTAR TUDO DENTRO DO OLHO DO SEU CU...
enquanto eu falava, o dito cujo olhava pra mim com um cara de "só era o que me faltava" e acendeu um cigarro.
eu não estava acreditando no que estava vendo, era um tipo atípico de fundamentalista, como assim... ele não temer o flagra e todo o quexão que eu botei nele, realmente era coisa do outro mundo!
... continua!
10.12.07
A Herança Daimonica de Jung
Este ensaio foi pela primeira vez apresentado em Milão na Conferência "Presente e Herança Cultural" que comemorava o 25° aniversário da morte de C. G. Jung, no Centro Italiano di Psicologia Analitica, em 1987. Está publicado na revista SPHINX 1/1988, Londres, Inglaterra.
Tradução de Gustavo Barcellos
Durante os funerais de Jung na Igreja Reformista Suíça em Kusnacht, o pastor descreveu aquele que ali se homenageava como um herege. É sobre essa face herética de Jung e seu legado para nossa cultura que gostaria de refletir neste ensaio. E, para essa reflexão, vamos olhar histórica e hereticamente para os primeiros trabalhos de Jung na virada do século.
Entre dezembro de 1900 e 1909, Jung trabalhou e viveu no hospital psiquiátrico de Burghoelzli, primeiramente como residente e depois como chefe-assistente. Ele era um membro praticante da Anstaltpsychiatrie, aquele estilo e método de atendimento que implica em uma intensa participação e observação diárias dos pacientes, típica do século XIX, um método que resultou no diagnóstico diferencial que a psicopatologia continua a empregar hoje em dia. Ele era, aparentemente, um membro efetivo do grupo.
Foi lá, durante uma das conferências internas habituais, que ele resenhou A Interpretação dos Sonhos, de Freud, livro o qual Jung foi um dos primeiros e únicos leitores. Apenas 351 cópias do Die Traumdeutung foram vendidas nos seis primeiros anos após sua publicação. Quer seja pelo estímulo de Bleuler, ou por sua própria vontade, Jung tinha o olhar voltado para idéias radicais, heréticas.
Durante esse período, entre os vinte e os trinta e poucos anos de Jung, o Burghoelzli era o lugar para quem tinha um intenso interesse pelas associações mentais. A noção empírica da mente, derivada originalmente de Aristóteles e depois Locke, Hume e Jeremy Bentham em nosso tempo, afirmava que os eventos mentais poderiam ser modelados em cadeias de associações. As leis dessas cadeias tornaram-se domínio da psicologia, tornou-se, em larga escala, a Psicologia, particularmente depois que ela foi aperfeiçoada nos experimentos e teorias do século XIX, primeiramente por Francis Galton e depois por Wundt.
Galton, que era primo de Darwin, ao tempo do nascimento de Jung já havia elaborado uma lista de palavras e medido o tempo de suas próprias associações a elas. E Thomas Brown, de Edinburgo, antes ainda no mesmo século, já havia investigado diferenças individuais nas associações, elaborando algo em torno de nove ou dez leis sobre como e porque idéias evocam outras idéias. A tarefa no Burghoelzli era entrar na mente do paciente através das associações, já que elas, dizia Bleuler, "eram o caminho para se compreender o homem completo”.
Jung virou de cabeça para baixo a coisa toda. Ele fazia novas e heréticas perguntas. Não perguntava que caminhos seguem as associações, nem como e porque funcionam. Em vez disso: como, porque e quando a associação não funciona. Não quais eram suas leis, mas o que as perturbava. Ele voltou-se para o estranho, o anormal, o patologizado. A questão, colocada nos termos do "o que" perturba as associações, implica um "o que", algo "outro", um bloqueio ou interferência, um ímpeto interveniente para além da inércia de um idiota ou da resistência voluntária de um beócio. Um "o que", um "algo", um "outro" mais forte que as próprias leis das associações. Ele não apenas tinha divisado um método experimental para a investigação do inconsciente freudiano; tinha também reimaginado o ser humano como um locus de complexos semi-autônomos, que depois descreveu como daimones, espíritos, kobolds, pequena gente e Deuses.
Claro Jung já havia feito algo semelhante em outro grande trabalho de seus primeiros anos, sua tese de doutorado. No parágrafo de abertura, Jung focaliza seu interesse em "certos estados de consciência”. Ele investiga "fenômenos ocultos”. Numa dissertação médica! Muito estranho. Não uma patografia no sentido comum, um estudo neurológico à la Freud, mas uma patografia dos espíritos; espiritismo. Um estudo não de Helena, ou Frau S. W. como foi chamada, mas sim um estudo sobre o "o que" perturba a atenção usual, um estudo sobre os "outros”, as vozes, figuras e ideações que falavam através de Frau S. W.
Em sua dissertação Jung apresenta uma idéia fundamental que é a idéia fundamental de minhas observações aqui: "o caso não muito comum” , como diz Jung, é para onde se olhar na busca de "uma riqueza de observações interessantes”. O insight é ganho a partir daquilo que ele chama de "inferioridade psicopática”. Esses casos estranhos, diz Jung já no começo de sua tese escrita quando ele tinha 23 ou 24 anos, apontam para algo mais do que meramente uma relação analógica com a psicologia da normalidade. Aqui Jung afirma uma característica metodológica, também compartilhada por Freud e básica a toda a psicologia profunda (ou seja, a psicologia não-humanista, não-transcendental). Começamos com o anômalo, o estranho, o excepcional. Esse método foi muito sucintamente colocado por Edgar Wind: "o lugar comum pode ser entendido como uma redução do excepcional, mas o excepcional não pode ser entendido ao amplificarmos o lugar comum… o excepcional é crucial porque introduz… a categoria mais ampla”.
Sim, ocultismo e espiritismo eram temas comuns e apreciados no começo do século. Também os experimentos de associação. Mas Jung deu ao espiritismo uma virada herética — não por reduzi-lo medicamente à inferioridade psicopática, isto é, a personalidade de Frau S. W., sua desordem e seu tratamento, tentando curar eliminando as outras vozes e figuras. A virada herética estava mais em tomar os outros mais seriamente, dando suporte a suas ideações, substancializando-os e a suas intenções e traços com analogias literárias e históricas. Novamente, seu olhar radical estava pousado nesses daimones e sua relativa autonomia. Ele foi ao encontro da radical independência dos "outros" com a radical independência de suas próprias idéias. Ao invés de reduzi-los a seus constructos mentais, ele expandiu seus constructos mentais por causa deles.
Esses dois exemplos do olhar de Jung para o estranho antecipam sua idéia posterior essencial de personalidade: a idéia da individuação. "A personalidade," como Jung a define, "é a suprema realização da idiossincrasia inata de um ser vivo" (Collected Works 17, §289). O caminho rumo à realização dessa idiossincrasia inata, ou "individuação," Jung define como um "processo de diferenciação" (CW 6, §757). "Diferenciação," declara ele, "significa o desenvolvimento das diferenças, a separação das partes do todo" (CW 6, §705). Não é a totalidade que define a individuação, mas a separação das partes: complexos das funções, projeções das realidades, o individual do coletivo, imagens-de-Deus dos Deuses e o metafórico do metafísico. (CW 11, §835-36; CW 13, §73-75). "Diferenciação significa o desenvolvimento das diferenças," diz Jung. Diferenciação dá a sensação da diferença, a sensação de ser diferente, de diferirmo-nos de nós mesmos e dos outros, de sermos estranhos. Ele até mesmo caracteriza diferenciação como "isolamento" e diz que é o sine qua non da consciência diferenciada. (CW 13, §395) "A individuação é o tornar-se aquilo que não é o ego... aquilo que você não é... Você se sente como se fosse um estranho" (SPRING 75, p. 31). A neurose, que nos aparta fazendo-nos sentir agudamente diferentes, torna-se uma culpa beata pois é a primeira manifestação de isolamento e de heresia. O radicalismo começa na não-adaptação, aquele não-conformismo ou anormalidade da idiossincrasia. A própria autonomia dos sintomas no sofrimento neurótico que não pode ser suprimida, não pode ser extraída e nem aceita — essa autonomia das partes, que experimentamos como sintomas — é a primeira evidência de diferenciação radical. A neurose torna-se o sine qua non da individuação. Individuação e patologizar são inseparáveis, tanto na teoria quanto na existência.
Já que o olhar de Jung era assim tão atraído pelo idiossincrático, quer seja no fato experimental ou no sofrimento clínico, ele foi forçado a procurar por modos mais amplos de compreensão normativa, tais como tipos e arquétipos. Tipos e arquétipos podem generalizar anomalias. De fato, ambos têm maneiras de abarcar o aspecto patologizado dos fenômenos: os primeiros como "função inferior," os segundos como universali fantastici (Vico), ou seja, personificações míticas repletas de exageros. Contudo, uma vez que ninguém é sempre típico e nenhum fenômeno sempre apenas arquetípico, esses agrupamentos mais amplos sempre desconsideram a particularidade e devem se submeter eventualmente à prioridade da individualidade.
Exatamente aqui a idéa junguiana de Self torna-se teoricamente crucial. Ela resolve este problema entre universais monotéticos e individualidades idiossincráticas pois, mesmo que a noção de Self afirme um princípio formal abstrato em funcionamento em todos os seres humanos ao mesmo tempo, ela insiste na idiossincrasia de cada existência. Sempre que a peculiaridade única do Self em qualquer indivíduo dá lugar a símbolos, emoções ou formulações estereotipados, temos a grande patologia do sistema de Jung: a possessão ou identificação com o Self, ou seja, a psicose. Para dizê-lo mais radicalmente, somente a peculiaridade individualizada de nossas psicopatologias nos protege contra a loucura maior. Somos salvos por nossas anomalias ou, como o disse Jung frequentemente, nós não curamos nossos sintomas, eles nos curam.
As analogias religiosas que Jung emprega — Cristo nascido numa manjedoura, o lapis como materia vilis, o ouro no estrume, a pedra que os construtores rejeitaram — expressam o profundo protesto, o profundo protestantismo que se anunciou nos horrendos e heréticos sonhos de infância com o monstro fálico e o monte de excremento sobre a igreja. Podemos falar de "radicalismo congênito," um impulso daimônico dado com sua natureza? Ao menos digamos que ele foi forçado num caminho diferente, um caminho que exigiu dele fazer de sua real idiossincrasia e abandono pelo "pai" a virtude abrangente que ele chamou de "individuação." Mas individuação não é uma idealizada completude centralizante ou totalidade. "Eu não acredito que tal centro (Self) exista," disse numa entrevista a Miguel Serrano. Nem a individuação é atingida por incrementos de desenvolvimento. Em vez, a individuação é a realização da idiossincrasia inata, da diferença inata. Ela não aparece no futuro fictício do envelhecimento. Ela aparece fenomenicamente, em qualquer momento estranho de diferença. A individuação ocorre sempre que normas e hátitos usuais do sujeito são deslocados. Somos vítimas da individuação, não seus patrocinadores.
O olhar de Jung para o estranho recolheu e iluminou fenômenos inusuais um atrás do outro: misticismo tibetano muito antes dos vagabundos do dharma; Zen muito antes de Alan Watts; a sabedoria trickster dos índios americanos antes de Castañeda e Rothenberg; alquimia, parapsicologia e atrologia antes destas serem absorvidas pelos viajantes da Nova Era; a psique da física teórica muito antes de Capra; I Ching antes dos biscoitinhos da sorte; a ressurreição do feminino antes das feministas; a natureza da consciência africana antes de van der Post; o colapso do Cristianismo coletivo antes das filosofias do Deus-está-morto e da teologia do pós holocausto. Ele inspirou os Alcoólatras Anônimos; foi um dos primeiros a dar testemunho do poder do mito como uma realidade viva em funcionamento em ilusões coletivas tais como o Nacional Socialismo e os discos voadores. E muito antes que Timothy Leary e Ram Dass tomassem suas formas humanas ele já havia escrito sobre o fator tóxico nas condições psíquicas bizarras, ou estados alterados, da psicose.
Não é de espantar que Jung tenha virado um Santo da Nova Era aparecendo, já no começo dos anos sessenta, entre os ícones na capa de um disco dos Beatles.
Mas esses tópicos — sincronicidade, a psique geográfica e racial, ilusões políticas, zen — não são a herança. A fantasia profética aquariana não é a herança. Sejamos bem claros. Não as palavras; mas os verbos e advérbios. Não o campo; mas seu arado. Não o que ele viu; mas como ele viu. Não a lua; mas o inquisitivo e torto dedo que a aponta. Acreditar que avançar a psicologia de Jung ainda mais no inconsciente é avançar esses tópicos, é arar os mesmos sulcos profundos e colher uma safra mais rala. Pior, trata-se do literalismo errado. Pois o inconsciente não reside nos campos onde ele o encontrou. O inconsciente toma a si mesmo bem literalmente: busca permanecer inconsciente, portanto ele sempre escapa. "A natureza ama se ocultar," disse Heráclito. Assumir que os campos que Jung explorou são hoje as explorações do inconsciente é ficar preso no tempo, como os fãs de Rudolf Steiner vestindo-se na moda pré-primeira-guerra, como os freudianos ortodoxos com suas barbas e divãs, ou os hippies ainda usando suas faixas na cabeça e sandálias dos anos sessenta. Entre nós junguianos esse erro de identificar o inconsciente com seus campos aparece nas preocupações com o mal, com mandalas pintadas, ou com insultar ou revificar o Cristianismo. Demonstrar a tipologia com evidências estatísticas, usar imaginação ativa como uma técnica com guias espirituais, revestir a cultura com o 'feminino,' com a sombra ou Mercúrio — esses encargos dos herdeiros de Jung com os quais, ao menos, eles não o trocam por Kohut, Klein, Grof ou Lacan — são tentativas de seguir o mestre que não seguem o mestre. Em vez, eles fazem ego onde havia id. Eles seguem Freud, a abordagem modernista, positivista e psicodinâmica, ampliando o âmbito do conhecimento ao incrementarem a ambição da razão conceitual. Didática. Seguidores podem ser razoáveis e aceitáveis; Jung só podia ser escandaloso e radical.
Digo tudo isso tão diretamente, com ironia retórica, porque temos apenas vinte e cinco minutos, tempo para um sermão, uma argumentação persuasiva que balance e deixe uma impressão emocional. Meu estilo almeja o próprio discurso de heresia que estou propondo. Voei o oceano, cruzei os Alpes para dizer isso.
E o que estou propondo como herança tem que ser afirmado num jeito negativo e irônico; a opus contra o familiar e natural. O radicalmente renovador não vai com a maré, mesmo quando aparentemente o tópico é um evento contemporâneo. Em 1936 Jung escreveu seu ensaio sobre Wotan. Muito significativo que ele tenha se pronunciado sobre a Alemanha e o Nacional Socialismo. Extraordinária foi sua percepção de que o mito estava ativo ali no meio da política, como esteve em Atenas, Roma e na Europa de Joana d'Arc e Cola di Rienzi. Os poderes arquetípicos não se mostram apenas nos livros simbólicos, nas religiões exóticas e nos consultórios. Eles se apoderam das ruas, da mídia, do campo de guerra. Ou, ainda como um outro exemplo: quando em 1950 a Igreja proclamou a doutrina da Assunção de Maria e a teologia de Jung parecia reconhecida por aquela retificação da trindade como o quarto feminino, sua teologia era radical, não porque era atemporal e profética, não porque o conteúdo supria um background teológico para o feminismo; era radical porque Jung arriscava-se numa teologia psicológica contra a reificação da Igreja de Pedro, contra noções ridículas de salvação através de um Jesus inofensivo.
E, quando a isso seguiu-se o escandaloso livro sobre Jó, lá estava mais uma vez a heresia — não meramente em função da teologia literal em suas proposições sobre uma figura de Deus inadequada e inconsciente precisando tornar-se humana; o homem como o salvador de Deus. Não; o escândalo mais verdadeiro estava na iconoclasia, o desfacelamento da tão querida e inviolável imagem de Deus ocidental. Jung havia deslocado o maior de todos os grandes temas. Novamente, o jeito de trabalhar, não o trabalho; o distúrbio, não a nova doutrina; o agon romântico de Jó e Jung, não o solidificado troféu que coroa a luta. É esse Jung biográfico, Jung do falo monstruoso e da igreja defecada que dá aquela carga paternal vitalizante à imagem de Jung na psique contemporânea.
Se não mantivermos a imago de Jung dessa maneira, Jung como um terrorista psicológico, um pós-moderno sempre deslocando o esperado, tremendo as bases, sua imagem esmaece num retrato da senilidade sábia, um membro do clube da história sentado em sua poltrona, mais um rei de cabelos brancos nas torres da cultura européia; e esquecemos das figuras heréticas e apaixonadas entre as quais ele está e por quem ele foi fascinado: Abelardo, Paracelso, Freud, von der Flue, os gnósticos e os alquimistas, Nietszche.
Portanto estou tentando nos afastar da noção de que a herança cultural de Jung está literalmente nos campos que ele abriu, e assim retornei a tais tópicos tediosos como experimentos de associação convencionais e sua tese acadêmica para salientar o estranho dom de Jung e seu legado à cultura: seu "deslocar o usual."
Deslocar o tema usual — este é o escândalo, a heresia; e é aí que Jung — arcaísta, patriarca, arqui-conservador — é radical no real sentido da palavra. Radical porque vai de volta aos radices, as raízes, os archai. Esses archai revertem adaptações híbridas e convenções coletivas a algo mais velho, profundo e mais essencial. Essas raízes não se conformam. As raízes protestam contra acomodações. As raízes atravessam qualquer camada de enxerto, qualquer expectativa, insistindo em torcer o seu jeito pelos caminhos abertos para elas. Para estarem certas têm que desviar. Eu uso a metáfora das "raízes;" Jung falou do "inconsciente arquetípico." E era, como ainda é, chegar às raízes do sofrimento, do sofrimento inconsciente, do sofrimento do inconsciente, das raízes, a preocupação da terapia radical.
Onde está o inconsciente hoje? Onde sofrem as raízes? Onde estão enterradas as faíscas de Sofia na escuridão de nosso mundo presente? Dar atenção a elas é a terapia junguiana da cultura.
O inconsciente hoje reside não apenas nos pacientes burgueses que estão, eles mesmos, tão frequentemente engajados na mesma profissão terapêutica, não apenas nos sonhos e nos relacionamentos, e dificilmente nas insignificantes e tramadas agonias da transferência, o bovarismo de Flaubert agora reescrito como a psicodinâmica do narcisismo. Sofia sofre hoje em nossas cidades, em nossa tecnologia, em nossas instituições e nossa política paranóica, essas furiosas superestruturas egoístas que perderam suas raízes elementais nos archai; e Sofia sofre nos padrões de produção, distribuição, consumo e lixo, nas coisas comuns do dia-a-dia que nos cercam neuroticamente chamando nossa atenção, com suas formas desmoralizadas, falsas personas e sua tendência para o colapso. O daimônico vive menos em nossos sonhos e mais em nossos dias, nossa inércia moral e exaustão anestesiada. O inconsciente se rebela em nosso mundo maníaco, não na sincronicidade, na sexualidade, nas deusas, na primeira infância e no transcendentalismo trivial. O inconsciente está onde sempre está, nas bordas da consciência, entrelaçado à consciência, onde não olhamos ou não queremos ver. Está no meio de nós. Estamos imersos na psique. Como insistiram os alquimistas, o ouro da possibilidade está no lixo horrendo mais próximo de nós.
A tarefa de trabalharmos a materia prima do inconsciente real sempre foi aquela do artista que não expressa meramente seu sofrimento, mas que reflete o tormento da anima mundi, o sofrimento das raízes. Por artista quero dizer o artesão, quer seja, artista, alquimista ou analista — aquele que toma nas mãos a madeira abandonada, os sons cacofônicos, os pedaços de bricolage e retorna essa insconsciência a suas raízes. O artesão trabalha através da anima rumo à anima mundi.
E assim, para concluir, a abordagem herética de Jung precisa ser renomeada. Afinal, ela assim foi chamada por um pastor dentro do contexto religioso de um funeral. Mas aquilo a que o pastor se referiu não é nada mais do que a visão das artes desde Giotto, Dante e Vitruvius; aquela visão daimônica que desloca o usual ao revertê-lo a seu archai. O mesmíssimo ato que esfacela o ícone familiar anuncia sua importância daimônica, elevando a imagem ao lugar primeiro.
Se a visão de Jung é semelhante àquela do artesão e sua vida conforma-se ao dever e destino do artista — apesar dos protestos de Jung, apesar de suas atitudes anti-estéticas, apesar de seu imenso e continuado compromisso com a religião — ainda assim este é o legado que ele deixa à cultura e é também sua terapia. Se sua visão é comparável com a do artista, então o trabalho da terapia também deve ser concebido ou imaginado como um empreendimento artístico, a reversão da medicina para sua arte, assim como a política para sua arte, o planejamento das cidades, o serviço social, a indústria, a educação — cada um como um trabalho com as raízes que sofrem. Cada um como uma tentativa de fazer alma a partir da inconsciência. Cada um uma tentativa de individuação do coletivamente dado. Cada ato da luta diária levemente em conflito com a luta diária, deslocando o usual, libertando a imagem cativa e aliviando o sofrimento de Sofia na matéria. Cada movimento sempre radical, subversivo, particularmente subversivo às noções confortáveis da psicoterapia usual, psicoterapia como usual, e sempre uma raiva contra a cega harmonia de uma vida anestesiada. Em vez, uma vida em meio ao notável, ao estranho, ao patologizado; os machucados e descontentes, em paz somente num mar revolto.
5.12.07
Charada no fundo do copo
do livro Cotidiano no diminutivo e outras histórias
dioramanoturno.blogspot.com
Eu as chamaria, se alguém pedisse minha opinião, de melífluas. Palavra bonita, essa. Sugere segredo, por isso é adequada.
O que fazem? Ora, elas sobem, continuamente, indo agrupar-se na superfície para formar um conjunto frágil e repleto de ar escondido.
São um mistério. Parecem brotar do nada, mas sabemos que nada pode nascer do nada, somente Deus. São um mistério porque, como todos os mistérios, quanto mais me aprofundo, menos sei. Fico pensando, às vezes, se existem de fato ou se eu as invento.
Químicos poderiam esclarecer o fenômeno. Poderiam falar sobre gás carbônico e outras coisas que não entendo. No entanto, cheguei ao limite do desconhecimento, o limite em que não desejo saber coisa alguma além do fato de estar diante de um mistério. Pequenino, porém mistério. Não há por que esclarecer os fatos.
Sou perfeitamente capaz de permanecer por longos minutos a observá-las subir, ininterruptas. É de uma delicadeza fantasmagórica o que fazem, e como fazem. Desprendem-se do fundo (e aí parecem mesmo brotar do nada) e vão dançando sossegadas, contentes, iguais, sempre para cima e pronto, ajuntam-se. Em conjunto são brancas, mas individualmente nascem e dançam amarelas. Ou marrons, ou pretas, mas quando estão pretas não me é possível discerni-las direito.
Devo dizer que o conjunto à superfície não é interessante do ponto de vista do mistério. É como se a magia se desmanchasse na exata proporção em que a superfície se forma. Por isso, não leva mais que três segundos inteiros contemplar uma delas até que perca seu encanto por completo. São tão melhores quando nascem, tão mais intrigantes! Eu comparo a superfície, por extensão, a uma espécie de morte.
Diante de uma grande interrogação, curvo-me, reverente. Não há por que esclarecer os fatos.
pescado na Revista UBU
3.12.07
Memórias Esquecidas
"Estava adentrando a estrada de tijolos amarelos...foi quando percebi que não eram tijolos amarelos...mas sim maçãs douradas aos meus pés..."
Relato de Pedro Rafael enquanto iluminado dentro do movimento eristotélico.
"A própria concordancia já é um fruto do discordianismo dentro da linguagem interplanar,pois não há foneticas ou sonetos relacionados com a linguagem popular arcadiana."Ensinamento Arcadiano Metodista-Apelativo.
SHORYUREPÁ!!!
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Passamos em frente o manifesto de que não existe alguma gripe aviária...tudo faz parte de um maquiavélico plano para que passamos a comer mais carne bovina.Deixamos à Sagrada Vaka Preta a mostra de nossa fé:
MÚÚÚÚÚ
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...................................FNORD..........................
Toda forma de poder nos leva a crer que tudo deveria estar como realmente estava antes de podermos demonstrar toda e qualquer forma de poder.
do livro"Mutações trangênicas e suas derivadas do mundo espiritualistico"
Resolveu estampar quinhentas camisetas por noite...
resultado?
Estampou as quinhentas camisetas em uma noite apenas!!!
"Estou derretendo...estou derretendo..."Citação obrigatória de "O Mágico de Oz"
King Kong pode ter sido re-modelado...mas ainda deu a vida por você..
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A carta seis(6) do Tarô Erisiano para Discordianistas Multi-Confusos e Holisticos nos diz que se escolhermos Afrodite,daremos inicio à nossa própria Guerra de Tróia,mesmo que irrelevante,independe a decisão tomada.Como evitar essa afronta?Independe,pois é relacionada aos Enamorados,e mesmo que não haja explicação alguma,toda decisão pode e deve ser encarada como sendo errada.
FNORD(ÃO)
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Araquibutirofobia nunca foi apenas um medo incomum...você que nunca o percebeu.
"Em sequida,o mestre passou a relacionar a respiração com o tiro com arco,por que ela não se pratica como um fim em si mesmo...mas quando percebeu isso,era pena,já havia acertado todos os membros da familia."
Trecho de "A arte filantrópica do arqueiro Zen S.H.I.M.O.niano.
"Humor?O humor salvará o mundo!!!
Achamos que foi o mestre Thiaguito quem disse numa entrevista mundial sobre o que achava de suas relações inter-humoristicas enquanto acertava vietcongues na guerra do golfo.
"Quem com ferro fere,não deveria ter se especializado no ramo das orquideas.
Façamos
Nossas
Orações
Remetendo à
Discordia!!!
Caos não deveria ser encarado de uma maneira geral como sendo o único meio de atingirmos qualquer estado de iluminação própria.Deixemos que lâmpadas também o façam.O problema é que o pessoal em casa só usa lâmpadas daquelas fluorescentes.
Relato de um garoto quando abordado sobre seus relacionamentos com colegas de classe:
"Não os forcei a ficar comigo..eles me convenceram de que fazer isso era legal."
Duas horas depois,estavam novamente jogando xadrez dureante a aula de física atômica transcendental
...............fnord..............
"Dia após dia,eu ia penetrando com maior facilidade na interpretação e na prática do Doutrina Oscar e no uso do cachimbo como eletro-condutor da alma.Passei a olhar diferentemente para toda a familia de maneira diferente...acreditei que eram esses os alvos das pessoas quem minhas crenças deveriam atingir.Resolvi acertá-los com minha sabedoria."
Trecho de "A arte filantrópica do arqueiro Zen S.H.I.M.O.niano.
""Espaço mutável?Nenhum espaço é imutável meu caro..."
....Aonde estará o senhor Momomoto?
KAOS & DISCORDIA in the Yellow Brick Road.
Salve Éris.
Salve Discórdia.
Caoticismo interplanar de natureza irrezolutista nos adverte a não comer amendoins sem ter certeza de que são realmente amendoins
22.11.07
Laboratório Absurdo apresenta
El Twilight Fórum
papo cabeça, papo membros, papo tronco, delírio, disparate, caos, hihicroned
Tags / Memes / Links:
Discordianismo, Subgenius, Bela-Parrachia, Hihicronedismo, Zen, Sufismo, Cultura Bulldada, Música Estranha, Cinema Esquisito, Literatura Bizarra, Tesouros Televisivos Empoeirados, Onanismo!, Subculturas, Contracultura, Nasrudin, Cultura Rivethead, Groucho-Marxismo, Estímulo Aleatório, Patafísica, Matemática Absurda!
Liberte sua loucura aqui!
17.11.07
A patafísica é a ciência das soluções imaginárias criada pelo dramaturgo francês Alfred Jarry, escritor, morto em 1907, autor de obras como "Ubu Rei" e "Dr Faustroll".
A patafísica teria por missão explorar os campos negligenciados pela física e metafísica - para esta "ciência" só o absurdo tem espaço, o que torna premente buscar o absurdo do absurdo. Segundo Jarry, a 'patafísica estaria para a metafísica como esta para a física ordinária'. O grupo original de patafísicos reunia o barão Mollet (amigo de Jarry e de Guillaume Apollinaire), Michel Leiris, Eugène Ionesco, Pascal Pia e Jacques Prévert.
Micro biografia de Alfred Jarry
Entre 1885 e 1888 ele já compõe comédias em verso e em prosa. Inspirado no sr. Hébert, seu professor de física e a encarnação de "todo o grotesco que existe no mundo", Jarry escreve uma comédia, Les Polonais, a versão mais antiga do Ubu rei.
Em 1891-1892 ele é aluno de Bergson.
Em 1894 apresenta Ubu rei na casa do casal Alfred (diretor do Mercure de France) e Rachilde Valette. A peça é considerada a primeira obra do teatro do absurdo, além de ser uma influência incontestável ao surrealismo, ao dadaísmo e a outras vanguardas artísticas do século XX. Vale lembrar que o teatro fundado por Artaud (juntamente a Roger Vitrac, após a expulsão deles, em 1926, do grupo de Breton, por ocasião da adesão do movimento surrealista ao Partido Comunista) se chama Teatro Alfred Jarry.
Em 10 de Dezembro de 1896 ocorre a tumultuada estréia de Ubu rei. As montagens das peças de Jarry se seguem, seguindo o fio dos ciclos de Ubu.
Em 1896 ele compra uma bicicleta (novidade na época). Em vão o vendedor tenta fazer com que Jarry o pague.
Escreve uma obra curiosa, Gestes et opinions du docteur Faustroll, pataphysicien, publicada postumamente, na qual expõe a patafísica.
Fontes:
Patafísica na Wikipédia
elefante zen
15.11.07
Discordianismo por Rev. Peterson Cekemp
Etimologia e história
Discordianismo é por vezes também chamado de Erisianismo, pois a nomenclatura deriva de Éris ou Discórdia, deusa grega do Caos.
O discordianismo é uma religião livre fundada nos anos 60 por Malaclypse, The Younger (ou Mal-2 para os mais chegados) e por Lord Omar. Bom, tirando os pseudônimos, fica Kerry Thornley e Greg Hill.
Simbologia, Mitologia, Literatura e Filosofia
O principal livro discordiano chama-se “Princípia Discórdia”. Em inglês pode ser lido gratuitamente nesse site, mas o Rev. Ibrahim César teve a brilhante e maravilhosa idéia de traduzi-lo para o português, e, é claro, torná-lo disponível para o público em geral.
O discordianismo pode ser explicado brevemente como o Zen para ocidentais. Bom, parece uma piada de mau gosto, uma vez que o Zen é bem difícil de se definir. Então vamos aos poucos: para o discordianismo, o humor é fundamental. É um modo definitivamente muito bom de se encontrar a iluminação interior do Zen.
Outra idéia fundamental do discordianismo é o Caos: ele é indefinível, mas basicamente o temos como o componente fundamental da existência. Afinal de contas, o que vemos são agrupamentos atômicos, mas se formos profundos o suficiente vamos descobrir que somos grupos de átomos que vivem num mundo bem caótico. Ao mesmo tempo, o discordianismo afirma que padrões são apenas organizações feitas pelo cérebro humano, e que não existem objetivamente.
Cada modo de ver o mundo, cada crença, ideologia, cada conceito não-material (abstrato, diga-se) é apenas um padrão para enxergar uma realidade simplesmente caótica. A vida e a matéria são caóticas e a existência é um absurdo? Talvez, mas o principal é que quando padronizamos o mundo destruímos a espontaneidade da realidade.
O discordianismo afirma (e atenção que esse pode ser um ensinamento trivial, mas na verdade é muito profundo) que tudo é verdadeiro, falso e irrelevante em algum sentido. Na verdade, a frase é mais longa que isso. A versão estendida é: Tudo é verdadeiro em algum sentido, falso em outro sentido, irrelevante em outro sentido, verdadeiro e falso em algum sentido, verdadeiro e irrelevante em algum sentido, falso e irrelevante em outro sentido e verdadeiro, falso e irrelevante em algum outro sentido. Esse ensinamento tem conseqüências variadas, mas não é o caso de nos aprofundarmos nisso agora.
Logo, o erisianismo é definido como uma meta crença, pois é antes um modo de ver as crenças e as ideologias, de forma a fazer com que elas percam sua validade absoluta. Isso (olha que surpreendente) também possui diversas conseqüências, mas (adivinha) não é o caso de discutirmos isso agora.
Conseqüências práticas do discordianismo
O anátema, no melhor dos sentidos, é uma reprovação energética (Dicionário Aurélio). Uma brincadeira boa de se fazer é inventar novas palavras ou novos significados para palavras e expressões antigas – então vamos fingir que um anátema seja, por exemplo, uma contradição. É porque eu gosto da palavra anátema, então vamos fingir que ela sirva aos propósitos dessa explanação. Se você for purista, poxa, é só uma brincadeira. Só um pouquinho, vai, depois eu devolvo o significado da palavra.
Todos os humanos têm uma tendência a serem inertes – na realidade, se eu precisasse escolher uma característica que tivesse a cara do universo eu diria “inércia”, não só pela vida humana, mas pela própria forma como as coisas funcionam. Richard Dawkins em seu livro “O Gene Egoísta” explica que uma coisa instável procura estabilidade – procura no sentido normal e não-consciente da coisa. A inércia faz com que qualquer sistema instável tenda a se estabilizar. Surpreendente seria se não fosse assim.
De qualquer forma, continuando… Os humanos têm a tendência a procurar pela segurança e estabilidade – eu usaria a expressão “está no sangue”, mas é melhor “está no gene”.
Pense numa cama quente. Quentinha e confortável. Se estiver quente aí de onde você lê esse texto, imagine-se num inverno rigoroso. Uma cama, um bom filme, cobertores, barulhinho de chuva, chocolates quentes ou massas caseiras… Um bom e delicioso sono, recheado de sonhos maravilhosos…
Isso não é bom? O que os humanos procuram é estabilidade, segurança… Toda a situação descrita acima é boa, não? É algo gostoso. Quando passamos por isso, o fundo de nossas mentes grita… “Eu quero ficar aqui pra sempre…”. É assim com todos os momentos mágicos; a força de expressão mais inútil e impossível de todas – eu quero que isso dure pra sempre…
A questão é que a nossa vida é assim, à procura de segurança, tanto no plano material e pragmático quanto no ideológico. Queremos uma ideologia que “forme a nossa mente”. Equilibre nossa vida e seja coerente. Queremos encontrar um caminho a seguir, um plano de vôo para nossas vidas. Quando usamos a razão pra isso, encontramos boas razões pra ser de um modo e boas razões pra ser de outro. Usando a ética, a moral ou qualquer outro instrumento, escolhe-se um e em geral isto se torna nossa “identidade”, o modo como somos e como agimos. E nós passamos a considerar isso correto, não só pelos instrumentos que usamos para atingir essa identidade, mas apenas porque ela possui boas razões de ser (como qualquer outra).
Procuramos sempre a estabilidade… Entretanto, não espere encontrá-la no discordianismo.
Ao reconhecer que a razão é muito útil para alcançarmos algum tipo de coerência no estudo da existência material, mas nada útil para a existência subjetiva, qualquer identidade calcada na razão perde o sentido. Como se pode viver assim? Bem, existem outros valores na vida, e o que o discordianismo diz pra você é: abstenha-se da razão e encontre dentro de você seus próprios valores. O humor é uma boa dica.
Nietzsche em seu livro “Nascimento da Tragédia” afirma que é preciso ir contra a natureza para forçá-la a revelar seus segredos. É preciso de anátemas na vida para se descobrir; é preciso forçar-se aos extremos para descobrir a própria essência – ou para libertar-se dela. Se você é organizado, procure a desorganização ao máximo. Se você é tímido, procure a exposição e a extroversão (o Word disse que essa palavra não existe, mas tudo bem).
Nietzsche conta que na mitologia persa, um bruxo só poderia nascer de um incesto – ou seja, o crime contra a natureza revela seus segredos… Seja contra sua natureza em ambos os sentidos; contra sua essência enquanto indivíduo e contra sua essência enquanto humano que quer se conformar. Dessa forma, você não encontrará paz, porém encontrará a sua vontade, o seu desejo, o caos necessário para transformá-lo no que você quiser.
Resumindo, o discordianismo não é uma filosofia para quem procura por paz – se você não está em dúvida, fique em dúvida. O discordianismo é uma filosofia de diversão, principalmente com os caminhos e descaminhos da razão, e uma filosofia onde as incertezas ganham sentido e as emoções são valorizadas. É uma filosofia de superação.
Reverendo Peterson Cekemp é membro fundador da Cabala Discordiana Orkutcídio em Massa para Adoradores de Lasagna
14.11.07
Os peixes mais bem vestidos ao oeste do Himalaia
Eu cheguei no tal vilarejo e todos lá vestiam roupas lindíssimas. Todas artesanais e enfeitadas com pedras brilhantes, penas e fitas das mais variadas cores. Por sorte eles falavam um dialeto de espanhol que dava pra entender e eu pude perguntar qual era o motivo das roupas, se seria uma celebração ou algo assim...
Eles me contaram que uma semana por ano eles confeccionam roupas do jeito que eles quiserem, qualquer coisa que gostem e as usam sem problemas. É uma semana que eles tiram para poder ser como quiserem sem ninguém tirar sarro de ninguém.
Bom, a idéia era interessante. Eles não tinham um "Seja Você Mesmo" eterno, mas tiravam uma semana por ano para fazer isso. O que já é melhor que muitos outros povos por aí.
Ao final da semana eles jogariam a tal roupa no rio e nunca mais as usariam. Elas não deveriam sequer serem comentadas depois disso. Seriam esquecidas.
É claro que eu também fui convidado e aceitei prontamente a passar o resto da semana ali e fazer uma roupa para mim também. E um tempo depois eu notei que rolava uma certa confusão na vila. E quando fui ver do que se tratava descobri um habitante que estava usando roupas completamente normais. Iguais as que ele usava o resto do ano, sem nem uma coisinha diferente. De fato, era uma roupa velha e gasta que ele sempre usava mesmo, sequer era nova. E por isso todos os outros discutiam com ele, dizendo que ele se recusava a participar da tradição. O coitado tentava se explicar, mas ninguém dava chance.
Mais tarde eu o procurei para perguntar sobre isso. Ele me disse que estava indo de acordo com a tradição sim, e estava usando a roupa de que mais gostava. Se ele pudesse usar qualquer roupa, dizia que queria usar aquela.
Eu tentei explicar isso pros outros habitantes, mas eles rapidamente retrucaram que aquela roupa não era algo diferente. Porém, segundo a tradição eles deveriam se vestir com qualquer coisa que quisessem... Eles não concordaram comigo no fim, mas pararam de implicar com o outro.
Então... Qualquer coisa é qualquer coisa. Caos é tudo. Ordem é Caos. Desordem é Caos. O diferente é Caos. O normal é Caos. O que você quiser é o que você quiser.
Não se esqueçam, irmãos... Todos estamos certos, errados e irrelevantes ao mesmo tempo.
12.11.07
Porque o Fernando está errado (e eu também)
Para mim, o Fernando está correto.
Recentemente tenho notado uma certa tendência dogmática entre alguns membros mais novos da nossa Sociedade Discordiana (a qual você está filiado quando menos espera, e não paga taxas de adesão, ao contrário deles) algo como: “O Discordianismo é assim e assado!” ou “Todos os cristãos são estúpidos!” ou “Todas as batatas fazem parte de uma conspiração para o controle do mercado de hortifrutigranjeiros!” e defendem isso até o fim (que na internet, não é muita coisa)
Idéias são ferramentas. Ou pelo menos, no meu atual estado de consciência, ver idéias como ferramentas me parece o modelo mais adequado para a sua compreensão. (Agora RAW está satisfeito) Acreditar em Deus pode ser uma forma de ver a realidade, mas também tem uma utilidade intrínseca, senão não seria uma idéia muito popular. Não acreditar em Deus também pode ser uma forma de ver a realidade e também tem utilidade. Transformar o dinheiro em divindade é uma ferramenta. Não colocar foco nenhum no dinheiro também é. Sigilizar uma feijoada, orar para Ganesh, e jogar búzios são utilizações de ferramentas assim como projetar um prédio e pintar um quadro. Idéias podem ser manipuladas. (Publicitários, Marketeiros de Guerrilha, Alguns Tipos de Loucos e os futuros Engenheiros Meméticos diriam (ou dirão) que elas devem ser manipuladas)
Comentei há pouco tempo atrás no blog do Franco-Atirador que às vezes, as pessoas controlam as idéias, mas às vezes, as idéias controlam as pessoas. Isto é muito mau.
Como o Grant Morrison fala no Pop Magic, observe a si mesmo, constantemente. Faça uma constante autocrítica, e muitas coisas vão se explicar sozinhas. Muitas vezes, ao decorrer desse exercício, você vai se pegar defendendo posições irracionais apenas por afinidade a uma idéia. (ou a pessoa (ou grupo) que lhe passou aquela idéia)
Então senhores, é tudo muito simples:
“Todas as afirmações são verdadeiras em algum sentido, falsas em algum sentido, absurdas em algum sentido, verdadeiras e falsas em algum sentido, verdadeiras e absurdas em algum sentido, falsas e absurdas em algum sentido e verdadeiras, falsas e absurdas em algum sentido.”
Espero que agora tenha feito sentido.
11.11.07
Monoteísmo Underground: O Dinheiro enquanto assassinato da Alma
É incrível que ao falar negativamente do dinheiro, não enquanto uso cotidiano, mas enquanto função social, gregos e troianos, cristãos ou liberais ateus, esbravejam e enlouquecem como as belas histéricas de Salpêtrière. Não apenas, também agora nos meios undergrounds de estranhas organizações, sejam caoistas ou discordianas, ouvimos o mesmo discurso pró capital.
Certo que não é de se estranhar, quando avaliamos de que maneira o dinheiro age, de que forma temos toda essa necessidade de idolatria do Dinheiro. O Dinheiro tornou-se um Deus, na verdade, nem sequer precisaríamos louvá-lo para tal, desde que nascemos vemos tudo subordinado a esse Deus, que em conjunção com o Deus Trabalho, são os pilares da sociedade em que vivemos. Somos tomados por suas influencias, como uma antiga possessão, como um complexo autônomo invadindo nosso Eu massacrado por influencias propagandísticas. As relações com os objetos são agora medidas pelo seu valor: ter Dinheiro é poder ser um outro, as relações de valor social muitas vezes se estabelecem a partir da quantidade do Dinheiro e, conseqüentemente, de Poder que um sujeito têm. Dessa forma a conclusão drástica que podemos chegar é que o Dinheiro, enquanto sujeito, é um Deus: mas não apenas isso! Ele é um Deus que subordina todos os outros as suas relações: agora nossos Deuses deverão servir de bom grado a esse Deus supremo, quase um criador do céu e da terra: em analogia, dos ricos e dos miseráveis.
Não escolhemos, com tanta propriedade, ser ricos ou pobres: escolhemos apenas parcialmente, e mesmo nessa escolha somos diminuídos pelas escolhas alheias, na medida em que o modelo do sistema baseado no Dinheiro só poder ser o da dualidade: pobres e ricos, patrões e trabalhadores, exploradores e explorados, sujeito e objeto, etc. quer dizer, é um modelo tipicamente cristão: “Deus e o Diabo”. Ai nosso querido Monoteísmo já se transmuta, sem o saber, em Dualismo.
O Dinheiro é como um IHVH, mas ao contrário de IHVH, ele não se coloca como mal ou bom dependendo da situação, ele é como um embusteiro (Wakdjunkaga) a espreita: que se coloca como o Summum Bonum, turvando suas conseqüências não tão boas assim.
Claro que não se trata aqui de falar: desistam do Dinheiro, queimem-no, joguem-no fora. Qualquer idiota que faça isso passará fome e sofrerá conseqüências vastas, em função da negação do Deus supremo. É como os demônios que Buda enfrentou, é como as tentações de Cristo, é preciso vencê-lo e nisso JP tem razão, no entanto, não acredito que devemos alimentá-lo mais do que ele já é alimentado per si. É importante que sustentemos ele, mas tiremos ele de foco, para que possamos deixar outros Deuses, outras Deusas adentrarem esse universo... é preciso ver a alma do mundo, além das relações de Capital.
